Ailton Villanova

22 de setembro de 2015

Um engano que terminou mal

     No “antigamente” da Praça dos Martírios, o balconista de loja de tecidos Beroaldo Miranda reinava, ou melhor, achava que reinava. Bem apessoado, simpático e bom papo, ele residia no antigo distrito da Cambona, hoje bairro. Berô não perdia um final de semana nos Martirios, principalmente o domingo, dia de desfile de lindas garotas e da rapaziada que para lá acorria com o intuito de paquera-las, ou até mesmo encetar um namoro descompromissado. O entorno da praça ficava “coalhado” de      carrões de filhinhos de papai. Em termos de bacanagem só a Praça Deodoro superava a dos Martírios.

     E o Beroaldo, que se achava imbatível no barato conquistatório, se destacava nesse ambiente não só porque expelia adoidado cheiro de perfume caro, mas também pela elegância no vestir. As mocinhas mais enxeridas, se jogavam pra cima dele cheias de provocação. Berô se dava ao luxo de escolher a dedo as suas namoradas. O cara enganava mesmo, pela boa aparência. As cocotinhas o confundiam com algum herdeiro milionário.

     Num determinado domingo à noite, Berô resolveu mudar de cenário, para testar o seu sucesso junto ao mulherio. De modo que estacionou sua pessoa na Praça Deodoro, à época apelidada de “quem-me-quer” e se pôs a observar o desfile das garotas, cada uma mais bela que a outra. É claro que ele não passava despercebido, porque cheirava mais do que almoxarifado de perfumaria.

       A noite descambava para o seu final quando, inesperadamente, Beroaldo sentiu invadir suas narinas um perfume que superava o seu, e uma voz melíflua sussurrar no seu ouvido:

       – Ôôô bonitãããooo…

       Berô se virou e deu de cara com uma loura espetacular. O coração disparou, a vista anuviou e a boca secou. Aquela visão o deixou mudo por alguns instantes e quando o “galã” recuperou a fala, gaguejou:

       – Ô… ô… ôooiii minha deusa!

      A loura chegou mais para junto dele, esfregando-se sem o menor acanhamento e pudor:

      – Por que você está tão solitário, bonitão? Está faltando alguém na sua vida?

      Estimulado pela “abertura” da loura, Berô foi ousado:

      – Estive solitário até agora. Entretanto, diante da linda visão que estou tendo, acredito que não falta mais nada na minha vida… estou certo, ou estou errado?

      – Cer-tís-si-mo, meu amooorrrr… Também acho que encontrei a minha alma gêmea…  

      Ao escutar isso, o “galã” perdeu a compostura e atacou a criatura com um beijo incrementado em sua boca, desses de estalar a língua no céu da respectiva.

      A boneca gemeu:

      – Aaaaaiiii, meu garanhão! Desse jeito você me mata! É isso o que você quer, é? Então me mate seu crueeelll…

      Berô estava louco de desejo:

      – Escute, criatura… se eu não a possuir agora, acredito que vou morrer do coração…

      – Me possua! Me possua, vá! Eu quero você mês lasque toda, meu garanhão!

      – Vamos procurar um escurinho… vamos!

      – Não seria melhor o seu carro?

      – Meu carro está na oficina, com um problema no carburador! – mentiu Berô, ele que nem uma bicicleta possuia.

      E a boneca:

      – Então, vamos para aquele beco que fica por trás da Portuguesa. Ali é escurinho e gostoso.

      Berô concordou:

      – Só se for agora!

      O casal disparou da Praça Deodoro para o beco escuro, localizado na parte posterior do Clube Português, a finada Portuguesa, onde lá já se encontrava um monte de casais praticando as mais diversas sem-vergonhezas.

      Berô e a loura conseguiram uma vaguinha entre as duplas de namorados que mandavam ver, naquele emprensado, e se abufelaram. Nesse momento, Berô sentiu uma protuberância entre as pernas da loura. Aí, passou a mão, para tirar a dúvida e viu a coisa crescer e ficar dura que nem um pedaço de pau. Berô deu um pulo para trás e exclamou:

      – Êpa! Que negócio duro é esse, mulher?

      – É… é… o meu pênis, querido!

      – Pênis???!!! E você é homem?

      – Não, fui! Hoje, sou uma mona que neste momento está gamadona em você, meu amorrrr!…

      – Sai pra lá, bicha safada! Me fazendo passar por imbecil! Se manda daqui!

      Aí, o boiola engrossou, dando uma de brabo pra cima do Beroaldo:

      – Olhe aqui, seu macho covarde… depois de ter abusado da minha pessoa agora você quer fugir de mim? Mas não vai mesmo!

      E Beroaldo:

      – Não gosto de viado, fique sabendo. Dê o fora!

      – Não vai me comer não?

      – De jeito nenhum!

      – Pois, então, eu é que vou lhe enrabar. É a lei da selva, meu querido! Vá logo virando a bunda.

      A cena que se seguiu foi hilária, além de inusitada: Beroaldo correndo disparado na via pública, de calças na mão, e a bicha atrás dele, aos berros: “Você não pode fugir de mim, meu amooorrr… Nem no inferno!”

 

Puta, no duro!

     Aquela madame gostosona e rebolativa, procurou conhecido esculápio e se abriu com ele:

     – Doutor, de manhã quando eu me levanto, sinto uma coisa no meu corpo, uma espécie de calor… Aí, abro a janela, chamo o primeiro homem que vejo, levo pra cama e faço amor com ele até me sentir melhor. Ao meio-dia, a mesma coisa: abro a janela, chamo um homem, boto na minha cama e fazemos amor. À tarde, a coisa se repete e à noite pior ainda: acontece umas oito vezes. O que é que eu tenho, doutor?

      E o médico, muito compenetrado:

      – Bem… o seu caso é muito simples… A senhora sofre de ninfomania!

      – Ninfo… o quê?

      – A senhora é uma ninfomaníaca!

      – Doutor, por favor, escreva isso aí pra mim, porque lá no bairro onde eu moro o pessoal me chama é de puta, mesmo!

 

Doente por nada direito

      Na Justiça do Trabalho, um empregador está sendo inquirido:

      – O senhor alegou que despediu a moça por motivo de doença?

      – Isso mesmo.

      – Mas ela nunca faltou ao trabalho!

      – Isso também é verdade – admitiu o patrão. – Eu é que estava ficando doente ao vê-la não fazer nada direito.

 

Relativamente…

     Durante a audiência de instrução, o juiz informa ao réu:

     – A corte pode trazer pelo menos uma dúzia de testemunhas que viram o senhor entrar no banco e assaltá-lo!

     E o réu, cheio de ousadia:

     – Isso é relativo, excelência! Eu também posso trazer bilhões de pessoas que não viram nada!