Ailton Villanova

20 de setembro de 2015

Papagaio perigoso

     Numa pior, endividado até as raízes dos cabelos, o servidor público estadual Louribaldo Belo desceu o morro do Farol, com armas e bagagens e foi se estabelecer residencialmente no Vergel do Lago, um pouquinho mais pra lá da popularíssima Brejal e quase na beira da Lagoa Mundaú.

     No começo da primeira semana desde o dia da mudança, um seu antigo vizinho e amigo mais chegado, chamado Genebaldo Teixeira, que, por sorte, não é funcionário público, foi visita-lo no novo lar. Procura daqui, procura dali, nada de achar a residência do Louribaldo. Aí, resolveu apelar para um morador do local. Parou junto de um velhote e indagou:

     – O cidadão por acaso conhece um rapaz chamado Louribaldo, que  se mudou pra cá há uma semana, mais ou menos?

     E o velhusco:

     – Ah, cunheço. Num é um qui gosta de usá uma camisa desbotada do CSA?

     – Esse mesmo! – confirmou Genebaldo.

     – Bom. Ele mora no finá da curva da rua. É a úrtima casa, pegada c’uma vendinha, quié a penúrtima, tá cumpriendendo?

      – Compreendendo até demais. Obrigado.

      – Óia, quando fô passando, côidado com o papagaio qui tem na porta da venda, viu?

     Que medo faria um inocente papagaio? Genebaldo não deu a menor importância para a recomendação do velho e foi em frente. Fazendo vistas grossas, ele foi passando pela porta da tal vendinha, em cuja janela se achava trepado o tal papagaio. Com aquela vozinha invocada, o louro perguntou:

     – Ei, pra onde vai?

      – Por que quer saber, papagaio curioso? Vá se lascar!

      Aí, o bicho deu o troco. Abriu o bico e sapecou:

      – Rex! Pega, Rex!

      De dentro da vendinha saltou um cachorro que não tinha mais tamanho. Era um rottweiller, que segurou firme nas canelas do Genebaldo, deixando-as em petições de miséria, uma delas com fratura exposta.

 

Opinião abalizada

     O médico José Dias da Silva estava acabando de prescrever uma dieta para um paciente de peso: o gordinho Miguel Pierri, diretor de importante indústria gráfica de Maceió, que o observava com a maior cara de desânimo:

      – Dieta de novo, doutor?

      – Sim. – respondeu Zé Dias. – Você está muito gordo, rapaz! Precisa perder peso. De modo que tem de seguir a dieta direitinho.

      E o Miguel:

      – Essa agora foi de lascar! Fique chateado não, doutor, mas eu gostaria de ouvir uma segunda opinião.

      Doutor Zé Dias não se fez de rogado:

      – Está certo. Vou chamar minha secretária.

      O médico chamou a referida, ela entrou na sala e ele pediu:

       – Dona Márcia, por favor, repita aqui para o nosso amigo Miguel o que você me disse quando ele entrou no consultório.

      Ela repetiu (“Chegou o filhote de hipopótamo!”) e no dia seguinte Miguel Pierri estava pegando firme numa dieta radicalíssima. Como essa providência não resultou satisfatória, o jeito foi apelar para a cirurgia de redução do estômago em metade e meia. Continua gordinho.

 

Estão pensando o quê?    

     O cidadão Bráulio Pedrosa, 86 anos, aposentado da militância política sem nunca ter exercido um cargo eletivo, sempre gostou de dar pitaco em tudo. Foi comunista, udenista, pedessista e peemedebista. Ultimamente, foi petista. Manifestando-se decepcionado com a outrora respeitabilíssima agremiação, resolveu largar o movimento político-partidário para se dedicar, apenas, à atividade de telespectador.

     Dia desses, lá estava ele diante do receptor de TV, assistindo ao Jornal Nacional quando, em dado momento do noticioso, entrou no ar o segmento esportivo com o famoso apresentador Léo Batista.

     – Gosto muito da competência desse rapaz! – comentou para o neto Marcelo, que estava ao lado.

      Na telinha televisiva Léo Batista passou a mostrar os gols da rodada, para, em seguida, comentar a respeito da contratação milionária do Ronaldinho Gaúcho. O velho não gostou e reclamou:

      – Pra quê o Fluminense gastar tanto dinheiro com rapaz que não joga mais nada?! Isso é um absurdo! Como um jogadorzinho de futebol pode ganhar milhões pra não fazer merda nenhuma?!

      Aí, o neto rebateu:

      – O senhor está sendo injusto, vovô!

      – Injusto coisa nenhuma, menino! Esses jogadores estão pensando que são o quê? Prefeitos? Governadores? Deputados? Senadores?…

 

Uma piadinha, de leve…

     Dois urubus entram num restaurante. Um deles pede:

     – Eu quero um prato de bosta com bastante alho!

     E o outro:

     – Eu quero com pouco alho!

     E o garçom:

     – Por que com pouco alho?

     – Porque eu vou namorar e não quero ficar com o hálito muito forte.