Ailton Villanova

19 de setembro de 2015

Um Vascaíno Em Apuros

     Aqueles cruéis 6×0 que o Internacional de Porto Alegre aplicou no Vasco da Gama, na quarta-feira, dia 2, pelo Brasileirão, ainda hoje repercute no Brasil inteiro. Muito mais que os 7 golzinhos que a competente Alemanha desferiu no inábil e calamitoso selecionado nacional.

     Mas a proverbial surra imposta pelo time gaúcho no Vasco doeu muito mais no lombo do português Alfradique Bicalho, que uma ferroada de escorpião na parte mais sensível do corpo de um cristão (preciso dizer qual?). É que o gajo, tão prepotente quanto o presidente da agremiação cruzmaltina já entrou no estádio, para assistir ao jogo, provocando torcedores do time rubro gaúcho:

     – Eu hoje só vou estar a começaire a contar depois dos cinco. Também não vou quereire mais de dez gols, para não humilhaire demais o coitadinho do Internacional. Não saí de Lisboa para veire mô time perdeire pra uma equipa de gajos tão fraquinha…

     E Bicalho saiu desfilando pela arquibancada, rebolando a pança, insultando e ofendendo:

     – Mô Vasco vai fazeire muito pior que a equipa da Alumanha fez com o Brasil!…

     Ao passar por um grupo de torcedores do time vermelho, Bicalho foi desafiado:

     – Ô português burro, você topa uma aposta?

     Com muito mais petulância ainda, o galego respondeu:

     – Já está topado, ora pois!

     – Aposta quanto? – interrogou o torcedor desafiante.

     – Quanto quiseres, ó pá!

     Outro torcedor interferiu na questão:

     – Esse português estupido está merecendo uma boa surra. Desde que entrou no estádio ele vem provocando!

     E o vascaíno mais insolente ainda:

     – Quantos de vocês para me surrar? Se se meterem a bestas comigo, apanha o seu time em campo e vocês aqui, na arquibancada.

     – Tive uma ideia!  – anunciou um outro torcedor.

     – Pode falaire. Desde que não seja para pedir que o meu Vascão não faça mais de cinco gols… rá, rá, rá…

     – A ideia é a seguinte… – continuou o torcedor. – Cada gol que qualquer um dos times fizer, um de nós aqui da turminha, ou leva ou dá uma porrada… tá combinado? Em síntese, apanha o torcedor do time que levar gol.

     Bicalho, o português, pinoteou todo contente:

     – Combinadíssimo. Acho que, dispois do jogo estarei a saíre daqui com o braço inchando de tanto bateire!…

     – Fechada a aposta!

    O Bicalho não devia ter concordado com essa loucura. Mas, fazer o quê?

    Dali a instantes, a bola começou a rolar no gramado. Uma roda de interessados se ligou mais nos apostadores do que propriamente no bate bola, já prevendo o massacre que o português poderia sofrer. Sabe como é brasileiro: adora ver a miséria alheia.

      Não demorou muito, o Internacional abriu o marcador. E o primeiro apostador a desferir a porrada inaugural no Bicalho foi o negrão conhecido como Zé do Trator (segundo a polícia). O Português subiu de  costas, sem querer, cinco lances de arquibancada. Em seguida, desceu embolando até se estender na passarela ao lado do gramado.

       O segundo gol do Inter no Vasco acusou uma patada descomunal do lutador do tae-kwuon-do conhecido como Paulão Betoneira, no pau da venta portuga, quebrando-a em vários pedaços.

       Depois, vieram outras e mais outras bordoadas deixando o infeliz desfalecido. O Bicalho só não morreu graças à intervenção de uma alma misericordiosa que gritou do último andar de uma das arquibancadas, para os atletas do Inter:

      – Tá bom, tá bom, rapazes! Parem de fazer tantos gols! Tenham piedade desses frágeis, humildes e indefesos irmãos!…

      Os atletas do Inter foram compreensivos e bondosos.

 

O português incompreendido

     Depois de esperar um tempão, finalmente o português Manuel Prata  conseguiu viajar ao Brasil, de navio, hospedando-se na casa de dois amigos brasileiros, mais precisamente alagoanos. No maior atraso, logo na primeira noite resolveu dar uma chegada na zona. Horas mais tarde, voltou todo sujo e machucado. Seus anfitriões se assustaram:

     – O que foi que aconteceu, Manuel?

     – Absolutamente nada! Apanhei e não sei porquê! Apenas, ao chegar na zona, presenciei a uma rapariga a daire à luz em plena calçada. O fato naturalmente fez juntar muitos curiosos em volta. Então, chegaram dois policiais, atraídos pela aglomeração e perguntaram justamente para mim: O que foi que houve?” A minha resposta foi precisa: “Foi a puta que pariu!”

 

 Uma Anedota de Brasileiro e Argentino  

     Um brasileiro e um argentino estão passeando num parque. De repente, um deles encontra uma lâmpada mágica da qual sai um gênio. Como são dois, os amigos, o gênio então decidiu conceder um desejo a cada um. O argentino pediu:

     – Gênio, você poderia construir em volta de meu lindo país, a Argentina, muros altíssimos, de modo que os brasileiros não venham nos encher o saco?

     – Desejo concedido! – respondeu o gênio.

     Depois de ouvir o pedido do argentino, o brasileiro perguntou ao gênio:

     – Ô meu, os  muros que você construiu são sólidos?

     – Nada pode derrubá-los! – respondeu o gênio.

     – E são altos? – insistiu o brasileiro.

     – Os muros ultrapassam o mais alto edifício de Buenos Aires – explicou o gênio.

     – Ótimo! – exclamou o brasileiro. – Então, enche tudo de água!

 

Outra Anedota: O Detetive aproveitador 

     Uma balzaquiana feiosa herdou uma fortuna imensa, mas o advogado que cuidava do testamento não conseguia localiza-la de jeito nenhum. Já estava de canelas doendo de tanto caminhar para acha-la. Puto da vida, ele resolveu procurar um detetive conhecido como Benedito Aranha, que lhe prometeu:

     – Não se preocupe que eu vou encontrá-la.

     Uma semana mais tarde, o advogado recebeu um telefonema:

     – Eu a localizei!

     – Puxa! E onde é que ela está? – perguntou o advogado.

     – Bem aqui ao meu lado. Acabamos de nos casar.  

 

Acelera! Acelera!

     Bons amigos, os portugueses Manuel e Joaquim conseguiram emprego de pedreiro num edifício em construção na orla marítima. Encontravam-se, então, no último andar, o de número 20, dando um acabamento caprichado na fachada. Manuel distraiu-se, pisou em falso, perdeu o equilíbrio e despencou lá de cima. Reparando na cena, o amigo Joaquim gritou, desesperado:

     – Ai, Jesus! Acelera, ó Manél, que vem um tijolo logo atrás!