Olívia Cerqueira

17 de setembro de 2015

‘O que faço tematicamente é buscar uma memória do meu povo’, diz o artista Pedro Cabral

“O tema para mim talvez seja a contemporaneidade”, diz o artista Pedro Cabral, referindo-se à exposição que prepara e que será inaugurada no dia 8 de outubro, na galeria de arte Fernando Lopes, no Centro de Estudos Superiores de Maceió (o Cesmac), à rua Cônego Machado, s/n, bairro do Farol, parte alta da capital. Reunindo 50 quadros desse arquiteto e professor da Universidade Federal de Alagoas apaixonado pelas cores de Van Gogh e pelos traços de Matisse – e que trabalha com a pintura já há 20 anos, embora esta seja a primeira exposição individual –, a compilação “Razões do Coração”, que vai para a galeria do Cesmac sob a curadoria do pesquisador Ricardo Maia, demonstra a maturidade do artista em quadros de cores fortes, que festejam a cultura popular e a beleza das mulheres, de resto homenageando expressões de artistas e gente simples e iguais em cenas do cotidiano, como andar de bicicleta, que se tornam memoráveis.

 “O que eu faço tematicamente é buscar uma memória do meu povo, do povo nordestino, do lugar onde moro”, explica Cabral, observando que passeia por duas temáticas – ou vertentes. “Uma é politizada – e muitas vezes as pessoas acham que, por ser politizada, eu tenho de mostrar somente miséria, pobreza, denunciar algumas situações. A minha forma politizada seria mostrar que há coisas bonitas no povo, na sociedade, que muitas vezes são esquecidas, como os festejos populares. A outra temática é no sentido de buscar o passado. É contemporânea no sentido que eu vou buscar esse passado, que está aqui pertinho. É uma temática livre.”

Ele acabou dividindo a exposição por “séries”. A primeira é música – “sempre tem um tocador, tem uma banda de garagem, tem de jazz”, observa o artista, apontando para uma das telas que irão para a galeria. “Esta aqui eu intitulei de ‘Quatro Cabras da Peste tocando Jazz num Dia de Carnaval’. Só porque é muito cheio de floreios, daí eu pensei, ‘bom, é Carnaval’. Mas no fundo é jazz. Resolvi fazer essa mistura que é significativa dentro disso que eu acabei de falar: é o jazz, a música, pegando o ‘cabra da peste’, que é uma expressão nordestina. Isso está no título, não está na imagem. A temática varia muito: é um pouco aqui dentro do nosso campo – o circo, as mulheres, os festejos, predominam no meu pensamento temático.”

O título da exposição, “Razões do Coração”, sugerido pelo curador Ricardo Maia, o artista diz que o subdividiu, “com base nesse mote”. “Dividi em razões, em sub-razões… Então as razões são os amores: a primeira sala será o que eu pintei da minha família, minhas mulheres – minha filha e minha mulher; a segunda será dedicada aos poetas – eu gosto da literatura, da poesia. É uma homenagem em que tive como base o convite do [cantor e compositor] Mácleim para ilustrar o CD dele ‘Esses Poetas’. Eu poderia ter feito uns croquis para a capa, no tamanho do CD, mas resolvi pintar em telas, num formato maior. Viraram 13 quadros para cada poeta que ele musicou. A outra sala são os festejos.”

 

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