Ailton Villanova

11 de setembro de 2015

Um lavador muito folgado!

     O molecote fazia “ponto” na Praça Deodoro, quando o maceioense motorizado usufruía do direito de estacionar o seu carrinho naquele logradouro. O molecote a que me refiro atendia pelo nome de Valdemar. Vivia de biscates na Deodoro, mas sua atividade mais frequente e através da qual reconhecido, era a de lavador de carros. Valdemar era folgado ao extremo, mas honesto. Conhecia os seus “fregueses” pelos seus respectivos nomes, principalmente os vereadores com assento na Câmara Municipal de Maceió, dos quais se considerava “amigo”. Outros que não eram portadores do privilégio que os “representantes do povo” no parlamento citadino, o molecote Valdemar escolhia a dedo para chamar também de amigo. Ele tratava a todos com respeito e exigia reciprocidade.

     Bela tarde, um sujeito engravatado, óculos escuros escanchados no pau da venta, que jamais havia sido visto naquela área, estacionou seu carro, um Chevrolet Opala zerado, numa vaga ao lado do Teatro Deodoro, na ocasião em que Valdemar acabava de aplicar um “lustro” caprichado no veículo de um freguês. O boçal desceu do carro, encarou o molecote e disse cheio de empáfia:

     – Ô negrinho, é você que toma conta dos carros aqui?

     E Valdemar, exibindo mil dentes alvos e perfeitos:

     – Sou eu, sim senhor…

     – Então, toma conta do meu Opala! E… olha, passe uma aguazinha nele, dê um brilho e… se prestar, eu lhe pago! Quero água limpa, cristalina. Veja que esse é um carro de luxo e muito caro!

     Logo de cara, Valdemar não simpatizara com o sujeito. Depois que viu a arrogância dele, piorou.

     – Pode deixar…

     – … Doutor Melo. Ignácius Melo! – completou o sujeito. – E olhe o meu carrão direitinho, porque dentro dele tem coisas de muito valor, está ouvindo?

     – Estou, doutor Ig… Ig.. Doutor Melo.

     – Está bem. Vou ali na Câmara de Vereadores, e quando voltar quero ver o meu carro pronto.

     Dito isto, o imbecil fez meia-volta e partiu em direção a casa legislativa. O cabra não havia se afastado nem cinco metros, quando um celular – que à época era a grande sensação – começou a tocar dentro do carro. Valdemar teve vontade de correr atrás do cara para avisa-lo, mas considerou não valia a pena. E o celular tocando insistentemente. O garoto, então, aventurou abrir a porta do veículo. Puxou a maçaneta, a porta estava destrancada. Aí, ele pegou o aparelho e apertou num botão que piscava. Encostou-o no ouvido e escutou uma voz feminina dizer:

     – Ignácius, seu ingrato, por que você não está querendo atender?

     Valdemar, que sempre foi um garoto esperto, engrossou a voz e respondeu:

     – Eu estou ocupado. Não me encha o saco!

     E desligou o aparelho, que voltou a tocar novamente.

     – O que é que você quer, mulher da porra? – Valdemar caprichou na imitação.

     E a mulher, decepcionada:

     – Eu não acredito no que estou ouvindo, Ignácius! É você mesmo?

     – Sou eu, sim. Tá acreditando não?

     – Sua voz tá meio diferente!!!

     – É que estou um pouco gripado…

     Nesse momento, uma freguesa que tinha acabado de estacionar o seu carro ao lado, chegou mais pra perto do Valdemar e disse:

     – Olha, meu querido, estou deixando o meu carro aí, viu? Fique de olho nele…

    A voz feminina foi ouvida pela mulher que estava na linha com o Valdemar. Aí, ela escandalizou:

    – Quem é a rapariga que está aí com você, Ignácius? Responda, seu calhorda!

    – É a minha noiva, uma americana. Muito gostosa, por sinal… Você já era! Quá, quá, quá…

    – Ria! Pode rir, seu pilantra. Devolva o meu carro, todas as roupas que lhe dei, os sapatos, o celular, o emprego… Agora mesmo, vou ligar pro banco mandando trancar a sua conta, está me ouvindo?

    – Tô! Quá, quá, quá… 

    – Hoje mesmo vou arrumar um macho, porque corna eu só fui até hoje!

    – Oquêi, bêibe! Bai, bai!

    No final da tarde, quando o sujeito voltou para pegar o carro, criou o maior caso com o Valdemar, alegando que a lavagem não tinha sido bem feita. E não pagou ao garoto pelo serviço.

     Dia seguinte, despojado da elegância da tarde anterior, voltou à Praça Deodoro, a pé, procurando informações a respeito do possível gaiato que havia causado o seu infortúnio.

 

A orelha do Joaquim

      O português Joaquim Prata perdeu a orelha num acidente automobilístico. Socorrido às pressas, foi levado ao Hospital de Pronto Socorro. Assim que bateu lá, a equipe plantonista o encaminhou ao centro cirúrgico, junto com a orelha decepada.

     Ainda consciente, Joaquim viu a orelha, que estava sendo preparada para ser reimplantada e começou a se debater:

     – Não! Não! Não! Não quero que coloquem essa orelha em mim! Ela não é minha!

     – Surpreso, o cirurgião-chefe argumentou:

     – Mas seu Joaquim, esta só pode ser a sua orelha! Ela foi encontrada no local do acidente!

     – Não é minha! Eu sei que não é minha!

     – E como o senhor sabe?

     – Está a faltaire a caneta!  

 

Acidentada e desmemoriada

     Uma mulher sofreu um acidente e foi levada às pressas para o mesmo hospital que reimplantou a orelha do português Joaquim Prata. O cirurgião, também o mesmo, começou a examiná-la e a enfermeira anotando tudo o que ele mandava…

     – Anote aí, dona Ivanilda: luxação no braço esquerdo, fratura no pé direito, escoriações leves no rosto, deslocamento da clavícula direita…

     Nisso, a mulher acordou e o médico perguntou:

     – Quantos anos a senhora tem?

     – Vinte e sete!

     – Anote aí também, dona Ivanilda: perda de memória!

 

Êpa! Sem bebida!

     Naquele mesmo nosocômio, o cirurgião lava as mãos, antes da operação e pede a assistente:

     – Álcool, por favor.

     O paciente ouve e entra em pânico:

      – Peraí, doutor! Não dá para o senhor beber depois da cirurgia?

 

Ah, esses médicos!…

     No hospital, a enfermeira boazuda volta do horário do almoço. Uma colega a puxa para um canto:

     – Lucimara, seu uniforme está todo amarrotado e o seu peito está todinho de fora!…

     – Mas que droga! Será que estes médicos não guardam nada do que usam!