Ailton Villanova

9 de setembro de 2015

O “Roubo” da Bateria

     Sujeito bom e vivedor, o Plácido Porciúncula, mantinha uma rígida rotina diária – casa/trabalho/trabalho/casa – de segunda a sábado, que era quebrada somente no domingo. Aí, Pepê (apelido pelo qual apreciava ser chamado), que nunca foi de ferro, curtia uma praia, tomava a sua cervejinha e, no princípio da noite retornava ao lar, às vezes biritado, mas sempre respeitando o silêncio imposto pela regra do bom-viver. Pepê, que sempre foi um cara disciplinado, teve, um dia, que corromper seu modo pacato e decente de viver, por causa de um vizinho aloprado, que havia se mudado para o apartamento contíguo ao seu.

     Tal vizinho, nominado Alcalídio, e que se dizia músico, achava que por conta disso podia atropelar o sossego alheio, principalmente à noite, quando todos precisavam repousar, depois de um dia estafante de trabalho. Quem mais sofria com a inconveniência do indivíduo era o Pepê.

     Alcalídio não trabalhava. Só se ocupava em azucrinar a paciência dos vizinhos, atacando um conjunto de instrumentos de percussão – a proverbial bateria – indispensáveis às bandas musicais. Era um baticum terrível, de manhã, de tarde e de noite. Pepê estava a ponto de endoidecer. Antes que isso acontecesse, bateu na porta do incômodo vizinho:

     – Boa noite, cidadão. Eu sou o morador do apartamento aqui do lado e gostaria de lhe pedir um favor, ser for possível…

     E o vizinho, com um cara de meter medo:

     – Qual é a bronca, meu? Não venha me pedir para eu parar com os  meus ensaios de bateria!…

     E o Pepê:

     – Não, meu amigo. Longe de mim essa ideia. Eu apenas gostaria de lhe sugerir ensaiar na sua bateria, num tom um pouco mais baixo… tá bom assim? Eu lhe agradeceria bastante.

     – Pois fique sabendo que o tom é esse, e quem for podre que se quebre! Achou ruim? Se achou, tome uma providência.

     A seguir, bateu a porta da na cara do Pepê.

     Dia seguinte, Pepê tomou a providência: invadiu o apartamento do vizinho e furtou a bateria, levando-a para um matagal. Lá, completou o serviço, ateando-lhe fogo.

      À noite, ao retornar ao lar, feliz e satisfeito da vida, encontrou na sua porta uma dupla de agentes civis, com um documento firmado pelo delegado intimando-o comparecer à distrital, imediatamente. Pepê não contou conversa: se mandou pra lá, na hora. A primeira cara que viu, na distrital, foi a do vizinho. A segunda, foi a do delegado, que foi curto e grosso:

     – Ô rapaz, foi você quem roubou a bateria do amigo aqui?

     – Foi, doutor. – respondeu Pepê, com a maior sinceridade.

     – Por quê? Você sabe tocar bateria?

     – Sei não, senhor. E nem ele sabe. Foi por isso que resolvi dar fim àquele tormento.

     – E onde você botou a bateria do rapaz? Vá busca-la!

     – Não posso, doutor…

     – Por que não pode?

     – Porque toquei fogo nela!

     – Mas que ousadia é essa? Tocar fogo na bateria do rapaz! Vai pagar!

     – Não posso, doutor. Não tenho dinheiro. Diz a lei que quem não tem dinheiro, não é obrigado a pagar nada, não é isso?

     O delegado olhou para o vizinho-baterista-queixoso e disse:

     – Infelizmente, não posso fazer nada. Esqueça que um dia teve uma bateria. Vocês estão dispensados. E não me voltem mais aqui, com essa história de bateria!

 

A Mania da Mulher

     No barzinho de sempre, os amigos Nicolau e Possidônio bebiam a sua cervejinha com tira-gosto de tripa de bode assada. Em dado momento, o Nicolau resolveu desabafar:

     – A minha mulher anda com uma mania esquisita, rapaz! Ela passa a noite inteira debruçada na janela do quarto!

     – Ôxi! E o que é que ela fica fazendo esse tempo todo?

     – Esperando eu chegar!   

 

Ganhou a Aposta!

     Um tal de Bidionaques, tomador de biritas inveterado, estava com pouca grana – apenas 50 reais – para pagar a farra que pretendia fazer. Mesmo assim, entrou no bar do Zezêu, bebeu algumas garrafas de cachaça e na hora de pagar, saltou com esta:

     – Amigo Zezêu, topa uma apostinha comigo?

     – Que tipo de aposta? – quis saber o Zezêu.

     – Aposto 50 reais que eu mijo nesse copo, sem deixar cair uma gota no chão. Topa?

     Com a oportunidade de ganhar dinheiro fácil em cima do pinguço, o Zezêu aceitou a aposta. Chapadaço, Bidionaques pegou o copo e, caindo pra lá e pra cá, mijou no bar inteirinho não acertando uma gota sequer no copo. O dono do bar começou a rir do bêbado, pegou a nota de 50 reais e colocou na carteira. Bidionaques foi quem passou a rir. O dono do bar ficou sem entender:

     – Do que é que você está rindo, rapaz? Você perdeu e ainda fica feliz desse jeito! Não tô entendendo!

     Aí, Bidionaques esclareceu:

     – Tá vendo aqueles caras naquela mesa lá no canto? Eu apostei 100 com cada um deles que eu mijaria no seu bar todinho e você ainda ia dar risada!

 

Sabonete Eletrônico

     Sujeito bom, o Emiliano não é acostumado a grandes farras. Entretanto, no dia do aniversário do amigão Eratóstenes, ele resolveu tomar todas. Depois da farra, se mandou pra casa de taxi, porque dirigindo seu próprio carro, estava sem condições. O automóvel ficou para ser apanhado dia seguinte.

     Mas entrou em casa, Emiliano se dirigiu ao banheiro, mal se sustentando em cima das canelas. Não demorou muito, ele gritou para a esposa:

     – Nildinha, sabonete fala e canta música?

     A mulher achou graça na pergunta:

     – Tá bêbado, é, meu amor? Sabonete nem fala e nem toca música. Qual é a piada?

     E ele:

     – Iiiihhh, Nildinha, então eu acho que estou tomando banho com o seu radinho de pilha!

 

 Segura esse!

     O Bar de onde acabara de sair o pinguço Tonho Bidião, ficava pegado com o edifício “Santos Dumont”. Sem quê e nem pra quê, o Bidião achou de entrar no edifício e pegar o elevador. Mal entrou, soltou um pum violentíssimo. A madame toda emperequetada que estava ao seu lado, reclamou:

     – Bêbado mal educado e fedorento! Onde já se viu peidar num lugar fechado com este!

     E o bêbado:

     – Foi sem querer, dona. Garanto que a senhora não consegue segurar um peido.

     – É claro que seguro! – respondeu a madame.

     – Então, segure este outro aqui, ó…

     Prrroooiiiuurrrmmm

     O bêbado se melou todo e a mulher caiu desmaiada.