Ailton Villanova

4 de setembro de 2015

Nudista de circunstância

     José Aruba Jr., o Zezinho Aruba, ou ainda Arubinha, não pode nem sentir cheiro de álcool, quanto mais ingeri-lo sob o disfarce de vinho, cerveja ou qualquer outra bebida que contenha o produto. Cachaça, nem falar. Sob o efeito do álcool, ele faz besteira.

     O último médico a quem consultou, o dr. Epistácio Mediastino, foi curto e grosso com ele:

      – Olha, rapaz! Se você insistir em continuar ingerindo bebida alcoólica, vai terminar mal, muito mal!

      – “Mal” como, doutor? Não tô entendendo!

      – Você vai terminar morrendo, é isso! Eu não sei por que você bebe tanto, se não apresenta qualquer indício de sofrer de alcoolismo!

      – Ora, doutor, eu bebo porque é líquido! Se não fosse líquido, eu comia!

      – Isso é um absurdo! Comporte-se! Tenha força de vontade!

      Mal saiu do consultório, Arubinha entrou num bar, o primeiro que encontrou no caminho. Primeira pessoa com quem topou, emborcando todas, foi o primo Izaías. Aí, a dupla encheu a cara. Lá pelas tantas, Arubinha pôs-se de pé com algum sacrifício e anunciou:

     – Pra mim chega! Preciso ir pra casa! A madame deve estar preocupada com a minha ausência…

     – Eu levo você, primo!

     Conta paga, eles rumaram em direção ao estacionamento. Mal os dois entraram no carro, o primo Izaías danou-se a gritar:

      – Socorro! Fui roubado! Depenaram o meu carro!

      E Arubinha:

      – Roubaram tudo, mesmo! Roubaram o som, o painel e até o volante!

     – Socorro! Polícia! Cadê a polícia, que não aparece?!

     Um guarda noturno que passava pelo local, viu o escândalo e foi falar com eles:

     – Ei, vocês dois! Por que não param de gritar e sentam no banco da frente?

     Entraram no carro, Izaías deu partida e se mandaram. No meio do caminho, Arubinha comentou:

     – É hoje que eu vou ter que brincar de exorcista com a mulher!

     – Brincar de exorcista?! Como é que é esse negócio?

     – Muito simples! Ela se faz de padre, fala um sermão e eu vomito!

     Finalmente, Izaías parou o carro na porta do primo. Arubinha desceu, entrou em casa, caiu na cama e agarrou no sono. Dia seguinte, curtindo a maior ressaca – olho meio aberto, meio fechado -, ele avisou à mulher:

     – Vou à praia!

     Madame protestou:

     – Quer dizer que você não para mais em casa, não é? Mal se acordou e já vai sair de novo!

     – Eu não falei que vou à praia? Vou, vou e pronto!

     – No mínimo vai voltar bêbado!

     – Você não sabe que eu não posso beber, mulher? Vou só dar um mergulho… 

     – Pelo menos vista uma roupa, seu imoral!

     Eu não falei no começo, que basta o Arubinha sentir o cheiro de álcool, para fazer besteira? Pois bem, por um lapso de minha parte não esclareci que ele se transforma num caso sério de polícia quando entende de bebê-lo.

       E, muito à vontade, Arubinha desceu do taxi na praia. Mal pisou na areia, encostou nele uma viatura da Polícia Militar. O comandante da guarnição deu a bronca:

     – Ei, rapaz! Que esculhambação é essa? Tá pensando que isso aqui é zona?

     Arubinha não gostou de ser repreendido pelo milico:

     – Qualé, seu “menganha”! Estou aqui numa boa, pra tomar o meu banhozinho de mar, e não estou vendo nenhuma zona por aqui…

     – Cale a boca! Isso aqui é uma praia de gente decente. Você está preso por atentado ao pudor!

     – Como é a história? Tá querendo zonar com a minha cara, soldado? Cuidado, que eu posso dar parte de você ao seu comandante, tá me ouvindo?

      E o PM, já empunhando o cassetete:

      – Está preso!

      – Mas preso por quê, me diga?

      – Num já falei? Atentado ao pudor. Vista-se e vamos embora! Ou você acha que vou leva-lo pro xadrez nu, desse jeito?

      Foi nessa hora que o Arubinha notou que estava completamente despido. Quando saiu de casa para ir à praia, esqueceu de vestir a roupa.

 

 

Um problema de confiança

     Desde o primeiro dia de casamento, Marinaldo pedia à mulher para fazer sexo anal, mas ela nunca aceitava.

     – Não, não é não! Cu foi feito pra defecar, não para isso! – ela repetia, quando ele insistia.

     Certo dia, quando ele chegou mais cedo do serviço, encontrou-a num sexo anal incrementadíssimo com seu melhor amigo, o Godofredo.

     Não acreditando naquilo que presenciou, Marinaldo saiu sem que eles percebessem e foi encher a cara no bar da esquina. Lá, encontrou um bêbado desconhecido, com quem desabafou. Contou todo o seu drama. O bêbado escutou pacientemente e, quando o corno, digo, o marido traído terminou de falar, ele respondeu:

     – É, companheiro, a vida é assim! Olha só meu caso, por exemplo: outro dia, eu estava viajando de ônibus e de repente fiquei com vontade de fazer um cocô esperto. Aí, fui ao toalete, fiz uma força danada para despejar o “barro” e só consegui peidar. Quando voltei pro meu lugar me deu aquela vontade de peidar, aí fiz força para soltar um “ventinho”, de leve, e… me caguei!

     Pô, meu! – protestou o corno – Eu desabafo com você, espero um bom conselho e você me vem com esse papo de defecar e peidar?!

     E o bêbado:

     – Eu só estou tentando lhe mostrar como é a vida, rapaz. A gente não pode confiar nem no cu que tem! Imagina no dos outros!

 

A mulher e a flor

     O Amarildo chegou em casa de madrugada, completamente bêbado, e começou a bater na porta, mas dona Estrogênia, sua mulher, nada de querer abrir.

     E ele:

     – Abre a porta, Geninha! Deixa eu entrar! Eu trouxe uma flor para a mulher mais bela do mundo!

     Sensibilizada com este detalhe romântico, Estrogênia, resolveu abrir a porta. Amarildo entrou e se jogou em cima do sofá.

     – E a flor? – perguntou a mulher.

     – E a mulher mais bela do mundo? – ele respondeu.