Ailton Villanova

2 de setembro de 2015

“Vade Retro”, Satanás!

     Seu Benício Felismino era um evangélico fervoroso. Ainda por cima, defensor ortodoxo da moral e dos bons costumes, tipo chato pra cacete. Das coisas que mais odiava e combatia na vida, o alcoolismo estava em primeiro plano.

     Certa vez, durante simpósio intitulado “ A Constituição é a Bíblia do Direito”, ele deu garra do microfone e discursou:

      – O álcool é a desgraça do mundo e aquele que dele se utiliza, como costume ou hábito, tem que merecer o fogo do inferno!

      Benício Felismino não podia ver um bêbado. Investia contra o infeliz com a ferocidade de um tigre. Ele não era de meter medo a ninguém porque era um velho franzino e baixinho. Não aguentava um sopro. Mas era brabo virado no cão.

      Certa manhã quente de verão, durante uma missão de catequização evangélica, promovida pela igreja que frequentava, ele deu uma pausa no barato para beber um copo d’água, alegando que estava “com a garganta seca”. Aí. Entrou num boteco, sem reparar direito que lugar era aquele. Dirigiu-se ao balcão, cujo indivíduo que lá atendia aparentava estar pra lá de biritado.

     – Meu caro, por favor, me arrume um copo d’água!

     Nesse momento, ele olhou em redor e viu que naquele local só havia pinguço, cada um mais embriagado que o outro. Aí, ficou de orelha em pé. Quando o sujeito do balcão lhe trouxe a água, ele olhou para o copo, fez uma careta e indagou:

     – Você lavou direito esse copo?

     E o do balcão:

     – É claro que lavei, coroa! Qualé o “pobrêma”?

     – E a água estava limpa mesmo?

     – Mas é claro que tava!

     – Pois eu acho que ela estava suja!

     O barman rebateu no mesmo tom:

     – E o que o senhor quer? Que eu lave a água?

     Nesse momento, ingressou no ambiente o pinguço mais famoso do pedaço, o tal de Anísio Pezão, que não apreciou o papo do evangélico:

      – O amigo por acaso está botando defeito na água deste bar?

      E seu Benício:

      – Quem foi que lhe chamou aqui? A conversa é entre minha pessoa e este moço… Não lhe interessa!

      – Interessa, sim, porque o cara do balcão é meu primo. Se o senhor que querendo depreciá-lo, vai ter que depreciar a mim também, falei?

      – Falou, mas não adiantou nada! Outra coisa, só falo com pessoas do meu nível! O senhor está bêbado!

      – Nesse caso, vamos ficar no mesmo nível. Assim podemos dialogar de igual para igual! – propôs Anísio Pezão.

      – Ficar no seu nível?! Só se eu tivesse bêbado! “Vade Retro”, Satanás!

      – Se o senhor não está no meu nível, agora vai ficar!

      Dito isto, Pezão deu garra de uma garrafa de cachaça que estava dando sopa no balcão, destampou-a e, em seguida, despejou todo o seu conteúdo goela a dentro do evangélico.

       Cinco minutos depois, trepado numa mesa do boteco, o velho Benício promovia o maior comício:

       – Amigos, eu hoje vou beber até cair! E convido a todos aqui presentes a fazerem a mesma coisa. Não se preocupem porque toda a despesa vai ficar por conta da minha congregação. Depois, a gente vai encerrar a farra lá na minha igreja. Se o pastor achar ruim, a gente dá um pau nele, bota ele pra fora e toca fogo no templo!

 

Bater o zero?

     Até nos momentos mais críticos, o saudoso radialista Jorge Vilar encontrava um jeito de fazer piada. Afinal, ele também era humorista, e dos melhores.

     Certa madrugada, ele voltou pra casa puxando o maior fogo e entrou no quarto silenciosamente para não acordar a mulher. Porém, na hora em que ia se deitando, ela acordou e deu a bronca:

     – Bonito, não é, seu Jorge? Isso são horas de um homem de responsabilidade chegar em casa?

     E ele:

     – Ué, são apenas 10 horas, meu amor!

     – Como é que eu ouvi o relógio tocar só uma vez?

     – Claro! Ou você que ele batesse o zero também?

 

Esparadrapo denunciativo

     O Edelvito Menezes não era muito chegado a farras. Entretanto, quando encarava uma bebedeira, tomava todas, indiscriminadamente. Numa dessas ocasiões, ele chamou na grande e só voltou pra casa às 3 da manhã. Morrendo de medo da mulher, que era braba virada no cão, ele entrou em casa sem acender as luzes. E, tateando no escuro, dirigiu-se ao quarto de dormir quando, sem querer, tropeçou em alguma coisa e caiu de bunda no chão. Até aí tudo bem, se não tivesse uma garrafinha de uísque no bolso de trás da calça. Além de perder o uísque, ele ficou com a bunda toda cortada. Quando ele viu o sangue escorrendo, se mandou para o banheiro, ficou de traseiro para o espelho e foi colando band-aids onde havia sangue.

      Na manhã seguinte, ele foi acordado, pela mulher, aos safanões:

      – Que porre, hein, Vitinho? Você não tem vergonha não?

      E ele, tentando tirar as remelas dos olhos:

      – Pô, eu só tomei duas cervejas, Ivani! Como é que você diz que eu tava bêbado? Você nem me viu chegar!

      Ivani esclareceu:

      Eu advinhei, quando vi aquele monte de band-aids grudado no espelho!

 

Errou de novo!

     Zé Leão voltou pra casa completamente embriagado e se dirigiu ao quarto. Deitou-se e ficou rolando na cama. Não demorou muito, levantou-se e, supostamente, foi ao toalete. Depois de algum tempo, ele voltou para o quarto, pegou um cobertor e se deitou novamente. A mulher, que dormia tranquila, acordou:

      – O que é que está havendo com você, amor? Está com frio?

      – Muito! – respondeu Zé Leão.

      – Onde você foi?

      – Ao banheiro.

      – Você apagou a luz?

      – Não. Ela apagou sozinha!

      A mulher pulou da cama, nervosa:

      – Não acredito, Zé! Você andou mijando dentro da geladeira de novo!

 

Sem papel

      Biritadíssimo, o cara entrou atabalhoadamente no confessionário de certa igreja católica. Sentou-se lá e ficou calado. Espantado, o padre tossiu discretamente para chamar a atenção e nada.

      Daí a pouco, o padre resolveu bater três vezes na madeira que os separava, para ver se o sujeito começava a falar.

      Finalmente, o bêbado respondeu:

      – Ô meu camarada, não adianta bater, porque aqui também não tem papel!