Ailton Villanova

29 de agosto de 2015

Valdemar, o fotógrafo incompetente

     O sonho do Valdemar Queiroz era ser repórter fotográfico, preferencialmente de um jornal de prestígio. Na época, nós tínhamos, em Maceió, os matutinos Jornal de Alagoas, Gazeta de Alagoas, Diário de Alagoas (em fim de carreira) e o Correio de Maceió, o caçula dos quatro. A Tribuna de Alagoas viria mais tarde. Mas o Queiroz meteu na cachola a ideia que para ele a melhor opção seria a Gazeta. De modo que, no final de uma tarde de quarta-feira, ele desceu o morro da Pitanguinha, onde morava, e foi estacionar sua pessoa no prédio número 515 da Rua do Comércio, sede da Gazeta.

     Com uma máquina “Rolleiflex” pendurada no pescoço (máquina esta que havia comprado de segunda-mão, e em módicas prestações, ao fotógrafo José Ronaldo de Araújo Alécio), ele ficou aguardando a chegada do jornalista Renan Rosas, editor de esportes da Gazeta. Mal o Renan pintou no pedaço, Valdemar chegou junto:

     – O senhor é o doutor Renan Rosas?

     – Apenas Renan. – respondeu o jornalista, simpático e descontraído como sempre.

     – Muito prazer… eu sou o Valdemar Queiroz, fotógrafo.

     – O prazer é meu, Valdemar. Mas, o que o amigo deseja deste seu criado?

     – Bom… eu estou querendo ser repórter fotográfico aqui da Gazeta…

     – E você veio, justo, me procurar! Olha, o secretário de redação (hoje editor-geral) é o jornalista Dêvis de Mello. Ele é quem decide!

     – Mas me mandaram procurar o senhor…

     – Quem foi que mandou?

     – Foi o seu Zé Ronaldo, o Zezé… conhece?

     – Conheço. Ele trabalha aqui, conosco. Mas, olhe, eu só me envolvo mesmo é com a área esportiva…

     – Pois é justamente isso o que eu quero! Sou vidrado no futebol.

     Renan coçou o queixo, encarou o sujeito e finalmente propôs:

     – Topa fazer um teste hoje à noite?

     – Topo. Quais os times que vão jogar?

     – CRB e Ferroviário, no campo da Pajuçara…

     – Vixe! Logo o meu time! Vou pra lá agora!

     – Tenha calma. Está cedo. O jogo só começa às 21 horas. Agora é que estamos às 18 horas. Vamos comigo à redação que eu quero lhe passar as coordenadas…

     – Então vamos!

     Renan Rosas pegou o Valdemar pelo braço e subiu com ele ao mezanino, local onde funcionava a redação do jornal. Lá, com a paciência que sempre o caracterizou, o editor de esportes passou pro cara todas as instruções possíveis e imagináveis. Em seguida, relaxou, crente que não restava dúvida alguma acerca do êxito da missão confiada ao futuro repórter. Nessa noite, o profissional anteriormente escalado para a missão, o José Pereira, ganhou uma folga inesperada.

     O prélio envolvendo Ferroviário e CRB foi movimentadíssimo. A pelota não parou um segundo, além daqueles que corresponderam às cobranças de laterais, faltas e os córneres. No final, o Ferroviário venceu pelo apertado placar de 1×0, gol marcado pelo atleta Botinha, num chute sensacional da pequena área.

      Enquanto isso, na redação da Gazeta, o editor de esportes aguardava as fotos do jogo, principalmente aquela do lance do gol. O texto já estava pronto. Renan Rosas, excelente redator, o havia finalizado com base na primorosa narração do Arnoldo Chagas, pela Rádio Gazeta.

      Matéria diagramada pelo mestre Zacarias Santana, só estava faltando mesmo o lance do gol. O espaço para a foto estava aberto em três colunas por vinte centímetros de altura.

       Foi nessa noite que Renan Rosas experimentou a sua primeira ameava de infarto. É que a foto do gol, o lance mais importante do jogo, não foi feita. O Valdemar perdeu o flagrante.

      Vamos à esse detalhe:

      Quando o fotógrafo voltou para a redação, crente que havia se saído bem na sua primeira missão como repórter, Renan estava num pé e noutro:

       – Boas fotos, Valdemar? Caprichou no lance do gol?

       Valdemar baixou a cabeça, coçou o cucuruto e respondeu:

        – Caprichei não, seu Renan. Não deu!

        – Como não deu? Você não fez a foto do gol?

        – Fiz não senhor…

        – Por quê? O que diabo você estava fazendo que não fotografou o gol?

        – Eu estava atrás da trave, com a máquina pronta para fotografar, não sabe? Mas, acontece, que quando o Botinha aprumou o pé pra dar o chute, dentro da pequena área, eu me abaixei! Naquilo que me abaixei, a bola passou zunindo no meu ouvido – zuuummmmm… Nem o goleiro viu quando ela furou a rede!      

 

Vergonha do Pai        

     Professora Rose Lessa, torcedora do CRB, resolveu sabatinar o alunado da primeira série, na véspera do Dia dos Pais:

     – Liliane, meu amor, o que faz o seu pai?

     – Meu pai é dentista, professora! – respondeu a garotinha.

     – Ronan, e o seu pai, meu querido?

     – Médico, professora!

     – Fred, e o seu?

     – Corrupto, professora!

     – Nooosssaaa! – gritou a classe.

     Na hora do intervalo, Cacá, melhor amigo do Fred, chegou para ele e perguntou indignado:

      – Mas você não falou que o seu pai era juiz de futebol?

      – Falei, sim… mas é que tenho vergonha de dizer isso na frente de todo mundo!

 

Não aprendeu nada!

     E aquele jogador do CSA voltou pra casa um pouco mais tarde que de costume, morto de cansado. A mulher chegou junto:

     – Oi, amor! Como foi o treino hoje?

     – Foi bem! – respondeu ele, todo contente.

     E a mulher:

     – Ah, que bom! Aprendeu tudo direitinho, conforme o técnico mandou?

     – Acho que não, porque amanhã vou ter que ir treinar de novo!