Ailton Villanova

27 de agosto de 2015

O Tarado Azarado

     Sujeito muito do safado, o tal de Antiógenes “Bimbinha” colecionava dezenas de entradas em xadrezes de tudo quanto era delegacia de polícia distritais e especializadas da capital. Sempre por atentado ao pudor, tara ou degenerescência sexual. Mas o filho da mãe estava sempre escapando das malhas da lei, porque, conforme todos sabem, as referidas, neste País de corruptos, ladrões e bandidos sem-vergonhas representam nada mais que fascículos ou feixes de “normas” que só beneficiam as classes marginais.

     E Antiógenes, integrante de uma legião de descarados da pior espécie, sempre protegido pela ausência de castigo legal, ou carência de punibilidade, apreciava agir nos locais onde a presença feminina sempre se destacava.

     Antiógenes Bimbinha adorava um ônibus superlotado. Era sempre visto nos pontos de ônibus nos horários de pico. Quando o coletivo parava, ele subia no referido e saía se esfregando nas mulheres. Tão estúpidas e desavergonhadas eram suas ações, nessas ocasiões, que chegava a atingir o orgasmo seguidas vezes, importando lá quem estivesse ou não observando. Incontáveis foram as ocasiões em que foi atirado fora, pelas janelas dos coletivos. Isso sem falar, conforme já foi dito, linhas acima, quando era encaminhado à carceragem policial.

     A fama desabonadora de Antiógenes Bimbinha correu célere pela cidade, até esbarrar na pessoa do açougueiro Antônio Ribeiro, funcionário da prefeitura da capital, também conhecido como “Trupezupe”. Ainda hoje está vivo, pra não me deixar mentir.

     À época do fato que vai narrado a seguir, Tonhão Trupezupe, bandido recuperado com dezenas de mortes violentas no seu currículo, era noivo de Maria Edite (hoje casado com ela), uma baixinha do corpo curvilíneo, que um dia se deparou com o taradão. Balconista de uma loja de tecidos no comércio de Maceió, ela voltava do trabalho pra casa, de ônibus, quando Antiógenes encostou na sua retaguarda. Encostou, fez pressão, e imediatamente teve uma ereção. Maria Edite reclamou:

     – Se afaste de mim! O senhor está me incomodando!

     E o tarado, cheio de cinismo:

     – Posso não. Não tá vendo que o ônibus está cheio? Se quer andar folgada, compre um carro. Se não puder, compre uma bicicleta!

     Antiógenes disse isso, e arrochou a moça ainda mais. Achou pouco, deu-lhe uma fungada no cangote e soltou um comentário pouco recomendável:

     – Umpf! Porra, que pescoço cheiroso e gostoso! Imagino que o resto deva ser muito mais cheiroso e gostoso! Tô certo ou tô errado, boazuda?

     – O senhor continua me incomodando! Se continuar, eu peço ao motorista para chamar a polícia!

     O tarado riu. Riu, e continuou zombando da fragilidade de Maria Edite, sem imaginar que o azar estava batendo na sua porta. É que, num desabrir, que a gente costuma chamar de “lance de sorte”, ou “armação do destino”, eis que o coletivo parou num ponto e aí subiu um inesperado passageiro que mais parecia um gorila. Advinha quem era?

     Isso. Era, justo, o açougueiro Tonhão Trupezupe, noivo da jovem que estava sendo desrespeitada pelo tarado.

     Ao reparar na inesperada figura do amado, Maria Edite abriu um sorriso largo e gritou:

     – Meu amor, me socorra! Estou sendo estuprada por este tarado aqui, ó!

     Como todo cabra safado é covarde, Antiógenes Bimbinha não podia fugir à regra. Defendeu-se como pôde:

      – É mentira dela! Deixe de brincadeira, moça, ôxi!

      Ao tentar fugir pela janela do coletivo, Bimbinha foi agarrado pelo Trupezupe:

       – Homem nenhum desmoraliza mulher minha! Muito menos um safado como você!

     Dito isto, Trupezupe dirigiu um apelo ao motorista e, ao mesmo tempo, aos passageiros:

     – Me pare este ônibus, por obséquio, meu camarada. Eu também quero pedir que todos os passageiros desçam, um instantinho só, que eu quero fazer um servicinho com este cabra…

     Pedido feito, pedido atendido. Quem lucrou com o “servicinho” de autoria do Trupezupe, foi um cachorrinho faminto, de rua, que no momento passava pelo local. O animal teve um lauto e fresquíssimo almoço: “genitais humanos ao molho sanguinolento”.

 

Quanta Diferença, Deus!

     Tarde escura de inverno, tempo ameaçador, no ponto de ônibus uma freira pedia carona e ninguém dava a menor bola. Até que, uma loura lindíssima, dirigindo uma Ferrari vermelha, chamou-a:

     – Venha, irmã! Suba!

     A religiosa subiu no carrão  e foi logo comentando:

     – Puxa! Que belo carro a senhora tem! Deve ter trabalhado ardentemente para comprá-lo, não é mesmo?

     – Nem tanto, irmã! – respondeu a loura. – Na verdade eu ganhei de um empresário que dormiu comigo por um tempo.

     A freira não disse nada. Olhou para o banco traseiro e viu um casaco de visom.

     – Que casaco lindo! Deve ter custado uma fortuna!

     E a loura:

     – Na verdade, eu ganhei por causa de algumas noites que passei com um jogador de futebol da seleção brasileira…

     A freira não falou mais nada durante o trajeto. Chegou ao convento foi direto para o seu quarto. Alguém bateu na porta, minutos depois.

     – Sou eu! O padre Afonso!

     Num acesso de raiva, a freira atirou uma bacia de água quente contra a porta:

     – Vá embora, seu pão duro! Fora! Cansei das suas balinhas de hortelã e menta!

 

Crime-surpresa

     A mulher entra na loja de armas e pede ao atendente que a ajude a escolher uma boa espingarda.

     – É para o meu marido! – explica.

     – Ele disse de que calibre prefere? – perguntou o funcionário.

     – Está louco? Ele nem sabe que eu vou matá-lo!

 

Quem é mesmo?

     Dois amigos de longas datas, se encontram na rua e resolvem ir a um barzinho, botar os assuntos em dia.

     Enquanto bebiam e traçavam um tira-gosto, papeavam:

     – Não cheguei a transar com minha mulher antes do casamento. E você? – indagou um deles.

     E o outro:

     – Não me lembro… Qual é mesmo o nome dela?