Ailton Villanova

26 de agosto de 2015

Ficou sem a cara, literalmente!

     O Abimael, popularmente conhecido como Bibi, não era um bom sujeito. Acima de tudo, era um chato de galocha, principalmente quando estava biritado. Nessa condição, era crítico até dizer basta. Nada para ele estava certo, mesmo que exata ou correta fosse a coisa – qualquer coisa. Infalível mesmo, só sua pessoa, mais ninguém ou nada nesta vida, segundo avaliação exclusiva de sua lavra.

     Como todo boçal tem um ponto fixo para suas depreciações, a criatura mais visada pelo Bibi, era, justo, dona Estrevolina, sua digna consorte, que, convém que se frise, jamais teve uma opinião acatada pelo marido. O  tratamento que ele dispensava à dona Estrevolina era abusivo, exorbitantemente descomedido. Assim que entrava em casa, o cumprimento era o seguinte:

     – Fala mulher da porra!

     Mas é claro que dona Estrevolina não respondia. Incontáveis foram as vezes que ela o expulsou de casa, devido a essa falta de consideração e respeito.

     Bibi não trabalhava, porque não parava em emprego nenhum. Vivia às custas da esposa, merendeira escolar no município de Maceió, cujo salário todos sabem, é uma lástima.

      O casal jamais teve filhos, o que era “uma bênção divina”, conforme sempre repetia dona Estrevolina.

       Um dia, já se saco cheio do infeliz do Bibi, dona Estrevolina lhe fez uma promessa, em meio a uma rotineira discussão.

       – Olha, Bibi, da próxima vez que você me faltar com o respeito eu lhe mato, está me ouvindo?

       Ele, com a cara mais cínica do mundo:

       – Me matar?! Rá, rá! Só se for com o cu! Não fala merda, mulher!

     Abimael subestimou a capacidade de reação da mulher. Dia seguinte, voltou da rua mais biritado e, portanto, mais agressivo do que nunca:

     – Comequié, mulher da bubônica, a porcaria da comida tá pronta?

     – Tá não! – respondeu Estrevolina, de má vontade.

     – Como não tá? Que peste você andou fazendo? Você não sabe que eu gosto de comer na hora certa?

     A reação prometida por dona Estrevolina começou neste ponto:

     – Se você está querendo comida, a tempo e a hora, faça você mesmo. Aliás, faz anos que você não bota comida nesta casa…

     – Pra quê, se tem você pra fazer isso pra mim? Deixe de conversa mole e apronte logo essa comida, porque eu tenho o que fazer. Vamos, vamos, mulher filha da puta!

     – A partir de agora, estou em greve! – anunciou a dona-de-casa.

     – Greve? Greve o cacete!

     Greve, sim senhor! Aliás, greve definitiva. Não cozinho mais nesta casa, enquanto você estiver morando aqui!

      – Pois você vai cozinhar, sim. E agora!

      Dito isto, Bibi partiu pra cima da mulher, que nem uma locomotiva sem freios. Mas esbarrou numa resistência que jamais imaginou teria de enfrentar: um caldeirão de água fervente, bem no meio da cara – tchuáááá…

       Bibi viveu mais alguns anos, alimentando a esperança de receber um transplante de cara.

 

 Padre avantajado

     No quintal daquele convento duas noviças conversavam enquanto a madre superiora cochilava, sentada num banco de madeira. Uma freirinha contava para a outra, animadamente, o resultado do seu trabalho na colheita de legumes e hortaliças:

     – … e ontem eu colhi cada legume enorme! Precisava ver o tamanho da cenoura!…

     E mostrou para a outra o tamanho, com aquele gesto típico, espalmando as duas mãos. Nisso, a madre acordou a viu a noviça demonstrando a proporção avantajada da cenoura, e perguntou:

     – Hã? Padre quem?…  

 

Desgraça bem maior

     Major Zequinha Araújo resolveu, um dia, visitar a comadre viúva Bertulina Azevêdo. Então, estavam os dois debruçados na cerca do pasto, onde um touro bonitão estava prestes a cobrir uma vaca, que tinha acabado de passar toda rebolativa por ele. Major Zequinha e comadre Bertulina assistiam aquela bucólica e erótica cena quando, em dado momento, a mulher, empolgadíssima, se debruçou demais da conta na cerca, desequilibrou-se e caiu de pernas abertas, a saia levantada, bem de frente pro compadre. Major Zequinha ficou olhando fixo para aquele panorama, a baba escorrendo pelo canto da boca. Encabulada, comadre Bertulina se levantou rapidamente, e comentou:

     – Você já viu desgraça maior que a minha, compadre?

     E ele:

     – Olha, comadre, a desgraça da vaca é bem maior, viu?

 

Capataz resfriado

     Lindíssima, corpo espetacular, Jaqueline, filha do fazendeiro Eunápio Cardoso ficou toda excitada quando bateu o olho no novo capataz da propriedade do pai. O cara era um sujeito fortão, bonitão, queimadão do sol. Com a desculpa de fazer uma vistoria nas terras do velho, Jaqueline convidou o capataz para acompanhá-la.

     Ao passarem por um cavalo e por uma égua que transavam, a moça aproveitou para se insinuar:

     – Como é que o cavalo sabe que a égua quer fazer amor?

     – É pelo cheiro! – respondeu o capataz.

     Mais para a frente, os dois passaram por uma vaca que estava sendo coberta por um touro. Ela insistiu:

     – E o touro, como percebe que a vaca está a fim?

     – Também pelo cheiro!

     E o barato se repete por todo o passeio. A bicharada fazendo a festa, a moça dando a maior bandeira. E o cara nem aí!

     Horas mais tarde, ao voltarem, o pai perguntou:

     – E então, minha filha, como foi o passeio?

     – Foi legal, pai. Mas é melhor o senhor dar uma licença ao novo capataz. Com certeza ele está resfriado!