Ailton Villanova

22 de agosto de 2015

Um Caso Por Demais Complicado!

     Para o Agalistênio Pompeu, nem Agatha Christie, nem Sidney Sheldon, nem Robin Cook, nem Frederick Forsyth, nem os demais renomados escritores mundiais do mistério e do terror como Moris West, John Clancy, Danielle Steell e etc., são capazes de superá-lo nas bolações de intrincadas investigações criminais. Hercule Poirot e Sherlock Holmes são pintinhos recém-saídos do ovo, segundo ainda o nosso Pompeu. A personagem que criou para dar existência e emoção às suas bizarras e complicadas histórias, é o detetive Crisálido, espécie de alucinado, dominado por paixões excêntricas, ignóbeis, ignominiosas. Ademais, tremenda duma bicha.

     Detetive Crisálido, na ótica do seu criador, é a única obra do Divino Pai Eterno, que está autorizada a matar com mais requinte de perversidade que o crudelíssimo Dr. Morte, o pior inimigo de James Bond, o agente britânico bonitão, que aprecia destruir corações femininos.

     Na verdade, Aglistênio Pompeu é sujeito cuja personalidade pervertida está sempre em desacordo com as leis da natureza. Tudo isso ele transportou para a sua personagem, o detetive Crisálido. Inclusive, a paixão pelos homens fortes, musculosos e bonitões. E Aglistênio sempre foi um pequeno e ridículo exemplar humano.

     Várias foram as tentativas que ele fez para ingressar na polícia. Todas infrutíferas, dadas as suas limitações intelectuais e físicas. Por conta disso, sobreveio a frustração e, desta, à ira, ao ódio.

     Então, matriculou-se numa escola para a formação de detetives particulares, por correspondência. A duras penas, conseguiu um certificado de conclusão do curso respectivo. Na porta de casa, mandou afixar uma tabuleta com os seguintes dizeres:

     “Dr. Aglistênio Pompeu. Detetive Particular. O Melhor. Resolve-se todos os casos, principalmente os mais difíceis”.

     De repente, Aglistênio passou a nutrir desmedida paixão pela investigação criminal. Daí, para a loucura, foi um pinote.

      Com a carteirinha de detetive particular no bolso, volta e meia estava dando uma de “autoridade”. Onde ocorria um fato criminoso de repercussão lá estava ele xeretando, enchendo o saco do pessoal de polícia. Vez ou outra, estava sendo encaminhado ao xadrez, sob a acusação de “invasão à atribuição policial”.

       Certa noite, mataram um sujeito numa quebrada do Jacintinho, bem pertinho da casa de um amigo do Aglistênio. Não por acaso, ele estava por lá, visitando o tal amigo. Aí, então, ele viu a oportunidade de aparecer perante o distinto público de curiosos, que se aglomerava no local.

        Da multidão, alguém gritou:

        – Chamem a polícia!

        Imediatamente, o Aglistênio deu o ar de sua graça:

        – Não é preciso! Eu estou aqui! Deixa comigo que eu resolvo tudo!

        O mesmo sujeito indagou:

        – O amigo por acaso é polícia? É delegado? É coronel?

        – Sou mais que esse pessoal todo junto. Eu sou detetive!

        Dito isto, deu garra de uma pasta ensebada e ordenou:

        – Se afasta todo mundo, que eu preciso trabalhar!

        O amigo do Aglistênio, um negrinho abicharado do cabelo espichado, chegou junto:

         – Quer uma ajudazinha, meu nego?

         E ele:

         – Quero. Quero. Primeiro, me traga uma foice, uma ou duas facas-peixeira, uma enxada, um martelo, uma espingarda, alguns instrumentos cortantes…

         – Ôxi! E pra quê tudo isso, meu nego?

         – É pra garantir o cenário, entendeu? De repente, esse cara cisma em querer sair correndo e aí… descaracteriza o local do crime.

     – Mas ele num já tá morto, meu nego?

     – Você garante?

     – Eeeeuuuu? Deus me livre!

     Num piscar de olhos, o morto estava mais parecendo uma tábua de pirulitos: todo furado de punhais e de balas. De quebra, retalhado a facadas.

     De repente, um curioso, ao reparar naquele desmantê-lo, trepou no muro e deu o brado:

     –  Acuda, minha gente! O morto está sendo esquartejado pelo baixinho alí, ó! Chamem a polícia!

     A Polícia Militar pintou no local mais depressa do que imediatamente. Ao receber voz de prisão, o Aglistênio ainda tentou reagir. Um tiro bem dado na bunda do valentão, acabou com toda a sua boca dura.