Ailton Villanova

19 de agosto de 2015

Desastre de avião

     Se o distinto amigo se desse ao trabalho ou a curiosidade de contabilizar em quantos desastres o Davi Pereira (o popular Calango Elétrico), se envolveu, certamente chegaria à definitiva conclusão que a tarefa seria impossível. O Davi não tem um só osso inteiro no corpo. No finado Pronto Socorro da rua Dias Cabral, centro de Maceió, ele já tinha cadeira cativa. Ou melhor, cama cativa, a qual ficava instalada num cantinho estratégico da enfermaria número cinco. Tinha até uma plaquinha com o nome dele. No velho nosocômio, era conhecido de todos e recebia tratamento especial, tipo aquele que só se reserva à pessoa muito íntima. Lá, ele dispunha do seu pijama exclusivo de listrinhas, do seu sabonetezinho, de pratos e talhares. Tinha até um radinho de pilha.

     Lá no HPS houve até quem sugerisse: “Ô rapaz, por que você não fica logo residindo aqui?”

     Mas Davi era apegado demais ao lar. Solteiro, alimentava o sonho de   levar sua eleita ao altar. Enquanto a eleita não surgia, ele ia levando a vida entre um acidente e outro. Mas por que o cara era tão chegado a uma desgraça? Simples: era míope, quase cego. Vaidoso ao extremo, jamais aceitou ir ao oftalmologista, para não ter que usar óculos.

     – Óculos é armada do cão! – repetia, sempre. – Não boto nunca um negócio desse na minha cara!

     Todas as espécies de acidentes o cara sofreu.

     Um dia, Davi Pereira sumiu do mapa, repentinamente. Mas, demorou tanto a reaparecer, que os amigos já estavam pensando no pior. Finalmente, ele foi visto na Rua do Comércio, montado numa cadeira de rodas. O amigo que o viu naquela situação, compadeceu-se:

     – Pô, Davi, o que foi que foi que aconteceu com você, desta vez?!

     E ele, mal podendo falar:

     – Dessa vez o desastre foi de foder, Pereirinha!

     – É, tô vendo! Como é que foi? Atropelamento? Caiu do décimo andar do Edifício Breda? Afinal, qual foi mesmo o desastre?

     – De avião!

     – De avião???!!! Putaquipariu!!! Você caiu de um avião, ou o avião caiu em cima de você?

     – Nem uma coisa e nem outra. Na verdade, eu caí dentro de um buraco…

     – E que bubônica tem o avião com o buraco?

     – Simples. Eu estava caminhando pela calçada, onde havia um buraco enorme, de mais de dez metros de profundidade. Aí, escutei o ronco de um avião, lá nos ares. Naquilo que levantei a cabeça pra olhar o avião passando, caí dentro do buraco!  

 

Um pouco apressado

     Motorista boa praça, José Rodrigues de Lima, o Neném, é chegado a uma farrazinha nos finais de semana. Aboleta o fundilho no boteco do Mané Oínho, em Riacho Doce, e lasca o pau a beber. Só se manda pra casa quando o pote está esborrando.

     No último sábado ele tinha um compromisso e, em assim sendo, a farra teria que ser abreviada. Quando se levantava para ir embora, o Oínho admirou-se:

     – Ôxi, rapaz! E tu já tá indo, é? Nem bebeu direito!

     – É que eu tenho um compromisso, num sabe mano véio? Me dê a conta!

     – Nesse caso, pegue aqui a conta e vá com Deus!

     – Não dá, Mané. Se eu esperar mais um pouco vou chegar atrasado!

 

No mesmo cemitério?

     Na quarta-feira dia 12, Alagoas se despediu de um grande cara: o jornalista e radialista José Jurandyr, o JJ. Bom papo, o saudoso colega também foi político. Quando estava enveredando por esse caminho (o da política), na sua querida Maribondo, ele procurou fazer da sua simpatia o seu carro-chefe. De modo que cumprimentava a todos, sem distinção e sempre com bastante bom humor.

     Belo dia, perigrinava pelas ruas maribondenses quando se encontrou com uma velha amiga e ex-vizinha. Cumprimentou-a efusivamente:

     – Mas que prazer em revê-la, Margarida!

     – Ora, mas o prazer foi meu, Jurandyr!

     Já pensando o voto da futura eleitora, José Jurandyr prosseguiu:

     – E cadê o Manuel, aquele seu marido safado?

     Dona Margarida olhou com espanto para o amigo e respondeu:

     – Ôxi, Jura! Tu tá caducando, é? Faz tempo que o Manuel morreu!

     Zé Jurandyr se mancou e tentou consertar:

     – Mas ele continua no mesmo cemitério, não é mesmo?

 

Terminou mal

     O Adalardo voltou pra casa mais cedo, com uma ideia genial na cachola. Chamou a mulher num canto e lascou lá:

     – Marlene, que tal se fingíssemos que não somos marido e mulher e fizéssemos de conta que somos amantes?

     E a mulher:

     – Ôxi! Que ideia mais maluca, homem?

     Mas o Adalardo insistiu:

     – Olha, amor, garanto que vai ser legal. Um colega meu, lá da repartição, me contou que é excitante. De vez em quando, ele e a mulher fazem isso!

      – Será que dá certo? – a mulher já estava admitindo a ideia.

      – Só a gente tentando, não é amor?

      – Então, vamos tentar!

      Então, Adalardo deu garra da Marlene e os dois se mandaram para um motel. Beberam muito uísque, comemoram adoidado… O mundo era deles.

      E partiram para os “finalmentes”.  Tudo uma beleza. Aí, Marlene, muito doidona de uísque, resolveu incrementar a brincadeira. Abriu a boca a gritou:

     – Oh! Meu marido!

     Adalardo mergulhou de cabeça pela janela. Ao estatelar-se na rua, quebrou a venta, um braço, todos os dentes da frente e quatro costelas.