Ailton Villanova

5 de agosto de 2015

O EXU PÉ-DE-PANO

     Mal bateu o olho na mulher do negrinho Josibaldo Clarindo, o malandro Monsueto Carposo teve uma ereção. Pudera. Provocativa dentro de um vestido curtíssimo e transparente, Maridê, a sobredita – sensualíssima, com suas pernas e bunda sensacionais -, só podia despertar pensamentos libidinosos num taradão da marca do Monsueto. Ele teve de se segurar em cima do solado dos pés, para não cometer o crime de estupro ali mesmo, em plena praça pública.

      – Monsueto, esta é a minha adorada esposa… Maridê, não é linda? – apresentara Josibaldo, cheio de orgulho.

      – É, é, é! Lindíssima, Josibaldo! Lindíssima! – respondera o malandro, deixando a baba escorrer pelo canto da boca.

      A apresentação ocorrera na notória Praça da Faculdade, no Prado, por ocasião de um show popular, anunciado como promoção da prefeitura da capital. Monsueto comparecera ao evento mais para curtir o mulherio, do que propriamente deleitar-se com as atrações artísticas que já haviam começado a desfilar no palco armado no centro do logradouro, sob os aplausos da distinta plateia.

       Naquela ocasião, a gostosura, piscando os olhos e sem deixar de olhar para o Monsueto, respondera com voz melíflua:

       – Muuuiiito praaazerrr…

       E ele, ainda mais excitado:

       – O prazer é todo meu. Aliás, tudo com prazer é muito bom, bom demais. É ou não é?

       – Se é, meu querido…! – concordou a mulher, acrescentando um tom convidativo na voz.

       Perigosíssima, Maridê deu um jeito de trocar mais palavras, a sós, com Monsueto. Virou-se para o marido e pediu:

      – Amor da minha vida, por favor, vá até ali, àquela barraca, e me compre um refrigerante. Enquanto isso, eu fico aqui, conversando com o seu amigo…

      – Tá, meu amor. Volto já. – e se dirigindo ao Monsueto. – Olha, rapaz, tome conta direitinho da minha mulher, ouviu?

       – Vá sossegado!

       No que o marido deu as costas, a mulher atacou o taradão:

       – Me amarrei em você, meu lindo! Como é que a gente faz pra se encontrar amanhã?

       – Amanhã? E onde é que pode ser?

       – Na minha casa!

       – Na sua casa?!

       – Tem perigo não! Você não sabe que o meu marido é vigilante noturno? A gente vai ter a noite e a madrugada inteirinhas pra “se” amar…

         – É uma boa!

        Mas, a noite programada começou atrapalhada: quando o casal de adúlteros se ajeitava, no leito conjugal, para os primeiros “finalmentes”, o marido surgiu no cenário de arma em punho:

        – Êêêpa! Quê que está havendo aqui?! Monsueto, o que você está fazendo, nu desse jeito, na minha cama, com minha mulher totalmente despida?

        Malandro que é malandro e não dá vacilo. Na hora, Monsueto sacou uma das suas. Imitando um “caboco véio”, respondeu com sotaque analfabético:

        – Hê, hê, mê fio! Num se aperrêie! Aqui não é Monsueto. É Pai Monsu, cavalo de Exu!

        E o marido, todo atrapalhado:

        – Não estou entendendo nada! Do que se trata?

        Monsueto sentiu firmeza na encenação e foi fundo:

        – Pai Monsu tá aqui a mando de Exu Cavalêro! Ele tá preocupado cum a sua mulé, porque tem um isprito máu querendo incostá nela… hê, hê, hê… Tô aqui pra mode protegê-la ela, disincostando o isprito máu e jogando ele nas profundeza dos inferno.

      – Valei-me… – suspirou o corno.

      E o safado:

      – Agora, quem tá intrapaiando é suncê! Faça o siguinte: vorte pru seu trabáio e fique lá. Só venha pra casa de menhã, quando tivé tudo arrisorvido. Agora, vá, com a proteção de Exu Cavalêro. Vá!

      Josibaldo foi, feliz da vida, inclusive bendizendo o anônimo que lhe havia telefonado, advertindo sobre um pé-de-pano ocupando o seu lugar, no leito conjugal.  

 

SABIDO DEMAIS

     Durante uma farra esperta, na orla marítima, Correínha andou sabendo de umas “novidades” e voltou pra casa brabo, virado no cão. Puxou a mulher pelo braço e deu a bronca:

     – Você, hein? Estou sabendo de tudo! T-u-d-o, está me ouvindo!?

     A resposta dela saiu em tom jocoso:

     – Ah, é, sabidão? Sabe tudo mesmo?

     – Sei, sua safada!

     – Então, me responda qual é a capital do Tocantins!

 

FOME NÃO É DIETA!

     O deputado boa praça Inácio de Loyola caminhava apressado pela Rua do Comércio quando esbarrou num eleitor, o Jesuíno Pereira, a quem não via fazia um tempão. No que olhou direitinho pro cara, o parlamentar deu um pulo para trás e exclamou:

      – Você é o Jesus, lá de Piranhas?

      – Sou, deputado.

     – Mas o que é isso, rapaz?! Você está magro demais! Meu Deus do Céu! Quase não o reconheci! Que regime da peste é esse que você está fazendo? Macrobiótica?

      – Não senhor, deputado. É fome mesmo! O senhor está esquecendo que sou funcionário público estadual?

 

BEBIDA DA BOA

     Fisicamente, o Gerson Damião é parecido com o ex-craque argentino Diego Maradona. De bola, não entende nada, mas, de birita, é campeão mundial. Toma todas.

     Domingo desses, Gerson “Maradona”, conforme é chamado pela galera, saiu de casa, no Jacintinho, pela manhã e se mandou para a orla da Jatiuca, onde iniciou uma biritagem esperta. Bebeu tudo a que tinha direito. No final da tarde, estava vendo o mundo emborcado. Mas não estava se dando por satisfeito.

      Aí, resolveu mudar de área. Pegou um taxi e foi para Mangabeiras. Desceu no Bar do Duda, entrou lá e encostou no balcão, indeciso, sem saber o que pedir. De repente, o sujeito que estava ao seu lado, caiu de costas, duro que nem bacalhau e espumando pela boca. Ao reparar na cena, Maradona se decidiu e chamou o garçom Deraldo:

      – Ô meu… por favor, bota pra mim a mesma coisa que botaram para o amigo aqui beber. Essa, sim. Essa é da boa!  

      E o garçom:

      – Vai querer se suicidar também?

      – Claro que não! Que onda é essa? Eu apenas pedi a mesma bebida que você botou para o nosso amigo…

      – Pois é. Ele bebeu veneno! Só fiz apenas lhe passar o refrigerante. O veneno foi ele mesmo quem botou na bebida, por sua própria conta!