Ailton Villanova

31 de julho de 2015

O ATLETA BOÊMIO

     Nas peladas bompartenses, o Itamar Lopes Barbosa, hoje em dia residindo – muito bem, por sinal – na Paraíba, sempre tentou fazer alguma coisa de útil com a pelota no pé, mas jamais conseguiu. Infinitas foram as vezes que procurou acertar pelo menos um chute em direção à meta contrária, sem sucesso algum.

     Barbosa era tão péssimo de bola que colega ou amigo nenhum, o queria fazendo parte de seu time, por mais banal que fosse o bate-bola no Grupo Escolar “Cincinato Pinto”, ou nos rachas desimportantes que a molecada promovia na finada “Barreira”, onde existia um campinho de peladas que tinha mais buracos que a lua de São Jorge.

      Como jogador de futebol, Itamar Barbosa, não “prometia”, conforme se diz na gíria pebolística. Era um zero à esquerda. Ele que procurasse outro tipo de diversão, ou de ocupação. Mas, vaidoso ao extremo, o prosaico mancebo insistia, porque as mocinhas do bairro sempre apreciavam curtir um barato com os garotos que tinham fama de bons no bate-bola.

       Único varão de uma prole de quatro filhos do casal Pedro/Nina Barbosa, o Itamar só andava perfumado e penteado às custas da brilhantina Glostora, a sensação das décadas 40 e 50. O sujeito que quisesse manter os pelos da caixa pensante nos trinques, tinha que fazer uso do famoso produto. Quem se lembra da cabeleira do finado Elvis Presley? Pois a cabeleira do Itamar era parecida. Bastava o vento ameaçar assanhá-la, ele já retirava um pente do bolso e, com o instrumento, assentava os fios que ameaçavam sair da posição. O que não faltava no bolso do rapaz era também um espelhinho, que constantemente estava sendo utilizado para conferir se os fios capilares estavam dentro dos conformes.   

          Um dia, Itamar tomou uma firme iniciativa: fundou um time de futebol, porque se achou cansado de ser sempre rejeitado pelas agremiações futebolísticas às quais tentou se filiar, como atleta, conforme já foi dito, em linhas anteriores. O “Mazinho Jr. Futebol Clube” surgiu numa tarde de sábado, no “estádio” de futebol da Vila Operária da Fábrica Alexandria, com uma tica comemoração: muita bebida alcoólica, muita comida e… garotas. Mil garotas. O auge da festa seria (eu disse “seria”) um jogo amistoso entre o Mazinho Jr e o Vasco Esporte Clube, do Tabuleiro do Martins. Todos os espaços disponíveis em redor do campo de jogo estavam tomados, por torcedores dos dois lados. Como a cachaça rolou adoidado antes do prélio, a esmagadora maioria dos torcedores estava embriagada. E dos atletas, também. O mais bêbado era, justo, o Itamar, que pisou no gramado vestido a caráter: camisa vermelha, calção azul com listras amarelas, meiões verdes. Escanchado no pau da venta um óculos escuro. Socado numa banda da cintura havia um pente; na outra banda, um revólver “canela seca”.

      Assim que reparou na figura do Itamar, o árbitro José Euzébio, que era investigador de polícia, exibiu toda a sua autoridade:

      – Êpa! Que transgressão é essa, rapaz?

      E o Itamar, passando o pente na cabeleira:

      – Tá falando comigo, meu chapa?

      – Claro que é com você, seu engraçadinho! Que negócio é esse de entrar em campo com óculos escuros na cara e um revólver na cinta? Tá pensando o quê?

       – Bom, tô pensando que vou lhe expulsar, porque sou o dono da festa e o time do lado de cá é meu! Portanto, quem manda aqui sou eu, morou?

       – Não morei nada! – rebateu o juiz, já segurando no cabo da pistola, que conduzia camuflada debaixo da camisa. – Você é quem vai morar, provisoriamente, no xadrez da “Primeira Delegacia”, por desacato à autoridade. Está preso!

       – Preso? Quantos de você pra me prender?

       Aí, o tiro “vadiou” no recinto. Mais de trinta. Ninguém resultou ferido, porque os litigantes não acertaram nenhum disparo, a não ser na bola, que ficou crivada de balas. Estavam bêbados demais.

 

COMO É QUE PEDE?   

     Repórter esportivo, na sua grande maioria, fala muita besteira. Fala somente, não. Pergunta, também.

     Recordo que, certa feita, eu me achava no aeroporto aguardando avião para viajar à Brasília quando, de repente, presenciei um reboliço danado na estação de passageiros e pensei com meus botões: “Está chegando alguma atração!” Coincidentemente, era o meu Fluminense desembarcando nos Palmares para jogar com o CRB, em cumprimento a tabela válida pelo Brasileirão. Um monte de repórteres e curiosos passaram por mim na maior disparada. Olhei de lado, vi um desses repórteres de gravador em punho, atacando o artilheiro Fred, com uma pérola de indagação:

      – Ô Fred, você que chegou recentemente da França, me responda uma pergunta… Lá na França, quando alguém quer pão francês pede pão francês ou apenas pão?

       O Fred não respondeu.

 

ERA ELE!

      Famoso jogador alagoano foi vendido ao Esporte Clube Bahia e baixou em Salvador empolgadíssimo. Coincidência, na época carnavalesca. Desinibido, logo procurou enturmar-se, o que não foi difícil pra ele. Na sexta-feira anterior ao Carnaval, foi apresentado a uma dançarina de trio elétrico e, algum depois de um papo regado a cerveja gelada e acarajé, os dois terminaram no apartamento da gostosura. Depois de uma noite incrementadíssima na horizontal, o ex-atleta azulino fumava o seu cigarrinho, quando bateu o olho na foto emoldurada de um cara, em cima da penteadeira. Assustou-se.

      –  É seu marido? – perguntou à baiana.

      – Que nada, meu rei.

      – Seu namorado?

      – Também não!

      – Ah, já sei…é seu irmão!

      – Errou de novo.

      E o craque não desistiu:

      – Quem é esse cara, então?

      – Tá com ciuminho, é, meu rei? Esse era eu, antes da operação!

 

VERGONHINHA

      Torcedor cruzmaltino, o Fedúlcio me mandou uma mensagem no FB, depois daquele 2×1, no meu Fluzão, naquele domingo 19:

      “Grande Mestre, comemorar a vitória do Vascão, mas permanecer na faixa do Rebaixamento é como fazer churrasco quando parente é solto da cadeia: a gente compra a carne, a cerveja, comemora, mas… dá uma vergonha danada de falar o motivo da festa”.

 

  NOVO ESPORTE

      Aquele atleta azulino comentava com um amigo, numa mesa do Bar do Duda:

      – Minha mulher sugeriu que eu praticasse um novo esporte, enquanto o CSA está de recesso.

      – Legal! Isso é uma prova de que ela se interessa pela sua saúde. Qual esporte ela sugeriu?

      – Roleta Russa.