Ailton Villanova

27 de julho de 2015

Sabugo Penteador

     Antigo operário da finada fábrica de tecidos de Passagem, nascido e criado na belíssima e histórica cidade de Penedo, o distinto cidadão intitulado Mirandolino Romualdo passou a ser torcedor do mais laureado time de futebol de sua amada terra, assim que se entendeu por gente. Isso, lá pelos idos de 1950. Desde então, o Penedense Futebol Clube, para ele “é primeiro sem segundo” entre os melhores do mundo.

     E costumava sonhar:

     – Um dia, hei de ver o meu alvi-verde desmoralizando o tal de Flamengo, do Rio de Janeiro, e aquele outro timinho chato, o Corinthians de São Paulo. Deus me concederá essa graça!

     No fundo, o Mirandolino era um cara ingênuo. Ele, que sempre foi alegre, festivo, não demorou muito tempo para enveredar pelo caminho da tristeza e da frustração. E não podia ser diferente: fora demitido do emprego, juntamente com um grupo de tecelões da fábrica, “por medida de economia”, alegaram seus patrões. Todavia, depois de pelejar muito, conseguiu arrumar um emprego de “calunga” de caminhão na firma do velho Otacílio Romeiro, seu Ota, cuja sede ficava no centro de Neópolis.

       Mas Mirandolino era um sujeito lutador. Ao cabo de seis meses exercendo a função de “calunga”, olha ele desfilando pelos sertões e agrestes de Alagoas, Sergipe e Bahia ao volante de um caminhão Ford, trucado, carregado de mercadorias para abastecer dezenas de lojas e armazéns das citadas regiões!

        E sempre pensando no seu Penedense Futebol Clube.

        Certa ocasião, quando almoçava num restaurante de beira de estrada em Cacimbinhas, rádio ligado no programa esportivo de uma emissora da capital, ele escutou quando o locutor da referida, anunciou, na maior euforia:

         – E agora, caros ouvintes, uma notícia em primeira mão! O Penedense de tantas glórias e tradições, voltará a disputar o campeonato alagoano de futebol! Essa é a notícia do momento!

         Mirandolino quase sofreu um infarto, por conta da surpresa e da alegria. Engasgou-se com a comida, recuperou-se em seguida, temperou a goela, pôs-se de pé em cima da mesa e discursou:

         – Companheiros! Viva o Penedense! Bebida e comida de graça pra todo mundo! Eu pago tudo!

         No meio da noite, ainda havia neguinho comendo e bebendo por conta do caminhoneiro, cuja cachola rodava mais do que carrossel, tão embriagado se encontrava.

          Encerrada a farra, todos se mandaram, Mirandolino montou no caminhão com a vista mais complicada do que letra de médico e o estômago, barafustado, produzindo roncos escandalosos. Daí a pouco, a mistura das bebidas com as comidas de todos os tipos e espécies nas tripas do infeliz, ameaçava produzir uma explosão intestinal de grandes proporções.

           O ilustre penedense parou adiante, noutro bar, abandonou a boleia da carreta, disparou até o balção e indagou, desesperado, ao cara que lá atendia:

            – Meu amigo, pelo amor de Deus, aqui tem toalete?

            E o cara, cheio de ironia:

            – Toalete? Rá, rá! Tem uma privadinha, lá atrás!

            Suando mais do que tampa de chaleira e segurando a barriga, para não se “borrar” antes do tempo, Mirandolino entrou no sórdido espaço destinado a mijadas e cagadas, arriou as calças e mandou ver um cocozão explosivamente quente e fedorento – prorrróóó…cabruuummm…

             Momentos depois, aliviado, procurou papel para se limpar, não encontrou. E agora? Aí, deixou o pudor, a vergonha, de lado e gritou para o sujeito do balcão:

             – Ei, meu amigo! O sanitário aqui tá sem papel…

             E o cara:

      – É, eu sei.

      – E agora, como é que eu faço pra limpar o cu?

      – Repare se aí tem um sabugo de milho pendurado num cordão que tá amarrado na porta…     

      – Já vi!

      – Pronto. Você se limpa com esse sabugo, porque aqui a gente não usa papel higiênico, que é muito caro!

      – Ôxi, rapaz! Quem já viu limpar cu com sabugo de milho? Que ideia é essa?

      – É uma ótima ideia, porque enquanto limpa, ele vai penteando os cabelinhos do cu!

 

MAS QUE HÓSPEDE SACANA!

     O camareiro de certo hotel estava sossegadamente espiando pelo buraco da fechadura de um dos quartos quando foi surpreendido pelo gerente Hélio de Souza:

      – Ô rapaz! Que abuso é esse? Tá pensando que está na sua casa?

      O coitado levou um tremendo de um susto…

       – D-desculpe, seu Hélio! É que… é que… dá uma olhada o senhor mesmo. Vê só o que o cara está fazendo lá dentro com a garota!

       O Hélio ainda ensaiou mais uma bronca. Mas, tomado pela curiosidade, acabou espiando também. Em seguida, exclamou indignado:

       – Mas que filho da puta! Esse é o mesmo safado que ontem fez um escândalo da peste só porque achou um fio de cabelo na sopa!…

 

UMA CONVERSA SÉRIA

     De noite, na volta do trabalho, o Magnaldo dava uma bronca na mulher:

     – Pô, assim não dá Teresinha! Hoje de manhã, fui a camisa, para ir trabalhar, e o que é que eu descobri? Descobri que ela está sem dois botões! Abri a gaveta do armário e não achei um par de meias limpas, sequer, pra calçar! Aí, eu voltei do trampo e… cadê o jantar? Não está pronto! Putaquipariu, eu nunca vi tanto desleixo!

      – Ah, é? – retrucou Teresinha. – Pois fique sabendo que eu me mato de trabalhar o dia inteiro! É de manhã, de tarde, de noite só cuidando dos nossos filhos, da roupa, da casa, e ainda fazendo meus bicos para ajudar nas despesas, porque essa miséria que você ganha… já viu, né? E você ainda reclama! Eu não tenho tempo nem pra limpar a bunda!

      E o Magnaldo:

       – Aliás… essa é outra conversa que eu queria ter com você!

 

ACIDENTE FISIOLÓGICO

      O cara vinha andando pela rua de um jeito todo esquisito: manquitolado, com as pernas coladas, puxando uma delas. Da calçada, dois sujeitos observam. Em dado momento, um deles opinou:

       – Coitado do desse infeliz… Deve ter sido vítima da pólio! Paralisia infantil, é fogo!

       O outro discordou:

       – Acho que não. Aposto que ele deve ter sofrido um acidente de carro e tem uma perna mecânica!

       A conversa chegou aos ouvidos do suposto aleijado. Ele deu uma paradinha e disse para os dois:

       – Vocês estão redondamente enganados! Aliás, nós três nos enganamos!

       – Nós três?! – exclamaram os dois.

       – É isso aí! – explicou o “aleijado”. – Eu pensei que era um peido e foi uma cagada!