Ailton Villanova

22 de julho de 2015

UÉ, CADÊ O MOTORISTA?!

     Primeiramente, ele tentou ser jogador de futebol – isso quando a profissão ainda não estava em alta! Não deu. Aí, partiu para um negócio mais levezinho: locutor de rádio. Foi reprovado mal abriu a boca para ler o texto do teste respectivo. Mas o Adalbérdio Gusmão sempre foi um cabra persistente, apesar de incompetente. De modo que partiu para nova empreitada: auxiliar de mecânico de aeronave. Seu instrutor, o saudoso e competentíssimo Benedito Leopoldino, pai da jornalista Bleine Oliveira, o dispensou em questão de segundos. Por nada não. Apenas porque ele trocou uma pecinha básica do motor do teco-teco de um usineiro brabo virado no cão, que se achava na revisão. Caso Biu Leopoldino, do alto de sua experiência e olho clínico, não tivesse visto o erro a tempo, o desastre aéreo teria sido pra lá de catastrófico.

       Adalbérdio Gusmão não era apenas um sujeito inapto para obrigações trabalhistas. Ele era analfabeto, irresponsável e tomador de cachaça dos mais persistentes. Bebia desbragadamente. Entretanto, para sustentar o persistente vício da ingestão alcoólica, ele tinha que ter um emprego, nem que fosse provisório. Aí, partiu para a última tentativa: motorista de ônibus (profissão do velho Asdrúbal, seu pai) um antigo sonho desde quando era criança, no bairro do Pinheiro.

     Até hoje, milhões de anos depois, ninguém consegue explicar, e muito menos entender, como Adalbédio aprendeu o ofício de guiar um coletivo cheio de passageiros. Nem sua mãe, dona Adalberta:

     – Eu não posso acreditar que o Bedinho passou no exame do Detran! Ou o pessoal de lá é muito burro, ou o aprovou só de brincadeira! Eu, como mãe dele, jamais entrarei num ônibus com ele ao volante.

      Um mês depois de haver recebido a carteira de motorista, olha ele ingressando na Viação “Pincesa do Sertão”, de propriedade do empresário Elpídio Cansanção, velho exigente pra mais da conta. Outro espanto: ele admitiu o Adalbérdio sem testá-lo, conforme sempre fazia com os demais candidatos ao emprego de motorista.

      – Tome aí a chave do ônibus número 18, meu rapaz. É o mais novo e confortável da frota. Vou confiá-lo à você, porque topei com a sua cara. Aliás, cara de homem responsável!

      – Brigadinho, doutor! – respondeu Adalbérdio, emocionado.

      E o velho:

      – Cuide bem dessa peça, como se estivesse cuidando da sua própria vida, ouviu?

      – Ouvi, doutor. Pode deixar. Só não vou botá-lo na cama comigo, porque não dá!  Ele é grande demais!

      Ao dois riram da piada sem graça do Adalbérdio.

      Cheio de cerimônia, ele perguntou ao empresário:

      – Eu posso comemorar este acontecimento, doutor? Pra mim é importante, sabe?

      – Comemore! Comemore à vontade, mas com responsabilidade. Lembre-se que tem 40 passageiros para transportar à Delmiro Gouveia, viu? Quero que eles cheguem lá felizes e satisfeitos. Agora, vá!

      Adalbérdio girou nos calcanhares e foi. Mas os passageiros, coitados, não chegaram felizes e nem satisfeitos à Delmiro Gouveia. Chegaram lá estropiados, esbagaçados, mas vivos, “graças a Deus”. Quanto ao ônibus novinho do velho Elpídio, este, infelizmente não prestou mais para nada. Nem para o ferro velho.

      Conto, agora, o que aconteceu:

       Ao deixar o escritório da empresa, o Adalbédio, montou no coletivo, guiou até a rodoviária e estacionou justo no local onde não devia: na margem de uma ribanceira, onde havia uma enorme placa com os seguintes dizeres: “Perigo! Proibido Estacionar Neste Local”. Além de deter o coletivo no local proibido, ele não teve o cuidado de acionar a trava.

       Feito isso, Adalbérdio, se dirigiu ao boteco mais próximo e pediu ao balconista:

       – Ô meu amigo, me veja aí uma garrafa de cachaça, da melhor que você tiver na casa. Coloque aqui em cima do balcão, enquanto eu vou até ali, dar um aviso aos passageiros do meu ônibus.

      No momento em que o balconista atendia o pedido, o Adalbérdio anunciava para o pessoal da plataforma:

       – Atenção, senhores passageiros! Quem estiver indo para Delmiro Gouveia, pegue aquele ônibus novinho, amarelinho, que está estacionado alí, ó!

       Um dos passageiros, reagiu assustado:

       – Eita! O ônibus está na beirinha do barranco! Que perigo! É bem capaz de cair lá embaixo, quando a gente subir nele!

       E o Adalbérdio

       – Se não caiu até agora, não cai mais! Deixe de besteira e suba no ônibus, que eu chego já. Vou molhar a goela…!

       Bom. Estava o nosso amigo saboreando a sua cachacinha, com tira-gosto de tripa de bode, quando, em dado momento, embocou no ambiente um sujeito com a maior cara de espanto e olhos esbugalhados:

        – De quem é aquele ônibus amarelinho…?

        Adalbérdio cortou a fala do cara, cheio de grosseria:

        – Quê que há, apressadinho? Num tá vendo que estou ocupado? O ônibus é meu, e daí?

        O camarada respondeu:

        – E daí que, quando acabou de subir o último passageiro, o ônibus rolou desgovernado pelo precipício e se esbagaçou lá embaixo!

        Dos passageiros, conforme eu já disse, todos tiveram notícias algumas desesperadoras, outras tranquilizadoras. Nenhuma morte, felizmente. Quanto ao ônibus, não preciso dizer mais nada.

         Finalmente, até hoje, decorridos aos e anos, não se tem notícia alguma do paradeiro do Adalbérdio Gusmão.

 

PEQUENA AMOSTRA

     Em Buenos Aires, na Argentina, inventaram um tal de Concurso Internacional de Pênis, cujo patrocínio era de uma famosa associação de gays da América Latina. As “peças” mais dotadas do continente estavam sendo exibidas, para a assanhadíssima plateia.

      Lá pelas tantas, o apresentador anunciou o penúltimo candidato, o representante da Nigéria, um negrão imenso, que subiu ao palco vestido só de tanguinha. Porte atlético, todo lustroso, o cara puxou o negócio pra fora, todo enrolado que nem uma cobra. Ao desenrolá-lo, os fiscais do concurso, todos bichas, precisaram de uma fita métrica para medi-la direitinho.

       Ensandecida, a galera gritava em coro: “Já ganhou! Já ganhou!”

       O último a subir no palco foi o brasileiro, aliás, alagoano de Maceió (bairro de Ponta da Terra) chamado Zicláudio Santos, o popular Zito. Amarelinho, magrinho, ele não conseguiu inspirar confiança em ninguém. Mas, foi em frente, com aquele riso safado nos beiços. Deu uma paradinha, meteu a mão dentro do calção e tirou uma tartaruga, colocando-a sobe a mesa dos jurados. A plateia não entendeu nada e começou a protestar: “Fora! Tá de gozação, ô brasileiro?” “Sai daí, palhaço!” E a coisa se transformou numa estrondosa vaia.

         Zito se aproximou calmamente do microfone e apelou:

         – Calma, pessoa! Isso aqui é apenas um chato!