Ailton Villanova

17 de julho de 2015

MULHER INFERNAL

     Quando o Alienaldo Bartolomeu conheceu a Valdivínia, ela era uma jovem tímida, que mal articulava palavras. Também não olhava direito para as pessoas, devido a esse exagerado acanhamento, a essa insegurança. Mas, pelo amor da garota, que não era de se jogar fora, o Alienaldo faria qualquer coisa. E fez: pediu-a em casamento.

     Os primeiros meses de vida em comum com a amada, foram complicados para o Alienaldo, porque diálogo não existia e, até o principal, o rala-e-rola horizontalino, aí é que era difícil mesmo. Aliás, impossível.

      Persistente, Alienaldo procurou aconselhar-se com um amigo mais experimentado no trato com o mulherio. Esse amigo, o malandríssimo Etiógenes Pinto, escutou o seu drama e imediatamente sacou a solução:

      – Dê pra ela uma boa dose de uísque…

      – Quêisso, rapaz?! Embriagar a minha mulher? Nem morto!

      – Éssa é a solução mais imediata que tenho pro seu caso. Garanto que ela, “cheia de pau”, irá facilitar o seu domínio. A não ser…

      – “A não ser”, o quê?

      – Que você entre para a religião evangélica e sapeque uma porrada de orações no juízo dela…! Você não vê aqueles caras na TV, curando os maus espíritos?

      – E minha mulher por acaso é “mau espírito”?

      – Se não é, deve estar possuída por um! – sugeriu o amigo, com uma segunda intenção no juízo. – Só reparando “in loco”.

      Alienaldo voltou pra casa pensando seriamente no assunto. Dia seguinte, estava ingressando na Igreja Evangélica do Amor Divino, de propriedade do pastor Galileu Canálio.

      À noite, ao retornar ao lar, cheio das melhores intenções, encontrou a mulher em trajes íntimos, espichada no sofá, vendo televisão. Na mesinha de centro, uma garrafa de uísque meio consumida, um pratinho de salgadinhos tira-gosto e dois copos vazios da bebida. Alienaldo assustou-se:

      – Mas o que é que está acontecendo nesta casa, Valdivínia?! Você semi-nua, e… e… bêbada desse jeito!!!

      – Quem tá bêbada é a mãe! – respondeu a mulher, com voz pastosa. – Tô tomando o meu uisquinho… posso?

      – Não pode! Logo agora, que me tornei um servo de Deus para salvar nosso casamento, você acha de querer se prostituir…!!!

      – Prostituir, vírgula! Quem está querendo salvar nosso casamento sou eu! Euzinha, morou?

      – Desse jeito, mulher?! Eu não “morei nada”. Quem foi que lhe botou essa ideia maluca na cabeça?

      – O seu amigo!

      – Que amigo?

      – O tal de Etiógenes. Ele veio aqui, me deu umas dicas, tomamos boas doses de uísque, fizemos algumas experiências e “etc e tal”. Adorei!

      Alienaldo sempre foi um sujeito pacato, mas ao escutar tudo aquilo da amada, virou fera. Jogou a Bíblia de lado, deu garra do televisor e o quebrou na cabeça da mulher. Em seguida, tocou fogo na casa.

 

SOLUÇÃO PARA A CRISE  

      Só doutora Dilma e a turma fanática petista é que negam que estamos vivendo uma crise econômica filha da mãe. Até o Correínha, que é um tremendo puxa-saco do governo, baixou a canga à evidência, e não por causa do peso dos chifres. Dando uma de economista, ele entrou em casa bronqueando com a Margarida:

      – Seguinte: a coisa está preta! Vamos ter que fazer uns cortes nas despesas!

      – Eu gostaria de ajudar… mas o que posso fazer?

      – Você? Você pode aprender a cozinhar, por exemplo! Aí, a gente dispensa a cozinheira!

      – Muito bem! E você, meu amor! Você pode aprender a trepar! Aí, a gente dispensa o jardineiro!

 

 

A MESMA HORA

     O Filadelfo chegou em casa de porre, no meio da madrugada. Dona Astéria, a esposa, estava acordada, esperando:

      – Seu cachorro, pilantra! Sabe que horas são? Quatro da manhã! Não tem vergonha não, seu canalha?

      – Vergonha, eu? Ué, por quê? Eu não tenho culpa de nada! Se eu tivesse ficado aqui em casa a hora seria a mesminha!

 

 

UÉ, ROUBARAM A CUECA!

      Boêmio inveterado, mulherengo incorrigível, o Adaglailson Ribeiro todos os dias tem de inventar uma desculpa para dar à dona Ismênia, sua esposa, uma santa em figura de gente. Adilson é o tipo do cara quer passa um final de semana inteiro esquecido do lar, farreando com as negas. O cabra é degenerado mesmo.

     Dia desses, justo o do aniversário de dona Ismênia, incrivelmente o safado voltou pra casa mais cedo: meia noite. Mas não por causa disso. Apenas porque um dos colegas de farra havia morrido de infarto, no meio de uma orgia. Os convidados que a nataliciante havia reunido num encontro familiar, já ido todos embora. Dona Ismênia estava esperando por ele, de braços cruzados.

      – Bonito, não é? Tá lembrado que dia é hoje Adaglailson?

      E ele, tropeçando nas palavras:

      – Se o espirito não me engana, é quarta-feira. Qualé o babado? – respondeu, tirando a camisa.

       – O babado é que hoje é o dia do meu aniversário. Lembrou agora?

       – Putaquipariu! Esqueci, meu amor! O culpado foi aquele serão danado que eu estava fazendo no mercadinho!

       E foi tirando a calça para entrar o banheiro. Dona Ismênia espantou-se com um detalhe:

       – Ô Adaglailson, cadê a cueca?!

       O safado gelou, mas não perdeu o rebolado:

       – Eita diabo! E não é que me roubaram a cueca! O ladrão foi tão rápido que nem senti! 

 

PAPO NA RODOVIÁRIA

 

Dois sujeitos papeavam enquanto aguardavam ônibus:

– Arapiraca é terra de macho! Só tem macho!

– Bem, lá em Penedo tem macho e tem fêmea. E a gente não se queixa, não!