Ailton Villanova

12 de julho de 2015

O DELEGADO-PASTOR

     O caríssimo José Jorge Schaeffer é um cidadão singular. Pastor evangélico, até uns 10 anos passados ele só entrava na igreja carregando na cinta um revólver .38, “canela seca”. A amarrotada Bíblia, ele transportava debaixo do sovaco. Paralelamente, Schaeffer, exercia a função de delegado de carreira da Polícia Civil de Alagoas e, de quebra, ainda arrumava um tempinho para dirigir o taxi de sua propriedade, pelas ruas da capital. Era um cara temido, principalmente pela malandragem, em razão dos ortodoxos métodos de que se valia, para apurar responsabilidades em violações das leis e noutras espécies de delitos praticados pela marginalidade.

      Jorge Schaeffer hoje em dia é um homem aposentado de todas as atividades que exerceu, mas não larga a Bíblia, a não ser quando está dormindo ou tomando banho – esta última, tarefa que empreende com a frequência de seis vezes ao dia, porque transpira abundantemente. Ele pesa mais de 100 quilos e goza de boa saúde.

       No púlpito, perante os irmãos em Cristo, o seu discurso reproduzia o profundo significado da obra de Deus. O cara era um arraso nos sermãos. Por outro lado, na função policial, era durão, intransigente. Bandido com ele era no cacete.

         Belo dia, prestes a aposentar-se, ele resolveu juntar as suas três atividades numa só, para fechar com chave de ouro a sua vida funcional ativa.     

         Final de noite, Schaeffer transitava pelo subúrbio ao volante do seu taxi, quando um suposto passageiro, postado numa calçada, estendeu o braço pedindo que parasse. Ele parou, o cara subiu e, não demorou muito, este revelou sua intenção, exibindo uma arma:

          – Vá em frente, gordão! Isto aqui é um assalto!

          Apesar do corpanzil, o pastor-delegado-taxista exibiu uma rapidez incrível, capaz de causar inveja até ao Super-Homem:  como num passe de mágica, apoderou-se do revólver do bandido, encostou na venta dele e rebateu:

           – Está preso, meliante safado!

           O assaltante ficou atônito e Schaeffer aproveitou o momento:

           – Bom, a partir de agora, você terá meia hora para decorar esta Bíblia, todinha! – e passou-lhe o livro sagrado. – Caso não consiga, vai levar a maior surra da sua vida. Depois, se ainda estiver vivo, será remetido à detenção.

           O ladrão deu entrada no presídio todo quebrado de pau, depois de ter recebido os devidos remendos no Hospital de Pronto Socorro.

 

E  O PORCO VIROU COELHO!

     Por ingerência de um influente senador, amigão de Inácio Lula, representantes brasileiros (havia um alagoano entre eles) conseguiram ser classificados como finalistas num concurso de melhor polícia do mundo. Concorrentes: indicados dos Estados Unidos e da Inglaterra.

     Última prova. Embrenhados na floresta canadense, os organizadores da competição soltaram um coelho no meio do matagal. A polícia que capturasse o animal em menor tempo seria considerada vencedora.

     A polícia americana, representada pela SWAT, acionou todo o seu aparato ultramoderno – helicópteros, carros blindados, sensores, radares e drones. Em 40 segundos eles capturaram o coelhinho e o levaram à comissão julgadora. Os ingleses se valeram mais do seu poder intelectual. Com lupas, raciocínio dedutivo, conclusões elementares e muito cachimbo, encontraram a presa em apenas 30 segundos.

      Aí, chegou a vez dos brasileiros. Munidos apenas de cassetetes, eles retornaram em 10 segundos. Os PMs entregaram aos juízes do concurso um porquinho todo arrebentado, coberto de sangue, que não parava de gritar:

       – Tá bom! Tá bom! Eu confesso! Eu sou o coelho! Eu sou o coelho!  

DANÇANDO FORÇADO

     Um certo Alcebíades perdeu um braço num acidente. Inconformado, resolveu se matar, jogando-se debaixo de um carro. Quando estava prestes a consumar o ato, avistou um cara sem os dois braços na calçada, caminhando e dançando. Alcebíades então foi a ele:

      – Pô, meu! Eu quase ia me matando por não ter um braço e você, sem os dois, taí todo contente, dançando…!

      – Que dançando, o quê! Eu tô é com uma coceira filha da mãe no cu!

 

 

ALTA DEMAIS!

     Ceguinho Jacó, gente finíssima, tem um problema sério com ele: é complexado e não gosta de dar bandeira a respeito de sua deficiência. De modo que, nem usa óculos escuros e não anda com guia.

      Certo dia, resolveu dar um pulinho no Mercado da Produção, para comprar uma capa de celular. Desceu do taxi e saiu driblando as pessoas. Ao passar por uma barraca de comestíveis, tinha um bacalhau pendurado, de exposição. Ele cheirou e exclamou:

        – Eita mulher alta da bubônica!!!