Olívia Cerqueira

11 de julho de 2015

Terceiro romance de Daniel Barros, Mar de Pedras pontua a maturidade do autor

Olívia de Cássia – jornalista

 

Acabei a leitura do terceiro romance do alagoano radicado em Brasília Daniel Barros. Uma obra de 53 capítulos e 253 páginas que conduzem o leitor até o final da história, deixando a gente com gosto de quero mais. Mar, clima tropical, sensualidade e uma história que nos prende, levando a alguns questionamentos.

Em Mar de Pedra, Daniel volta a explorar a sensualidade das mulheres da trama e do atraente Henry um fotógrafo sedutor do bem inveterado. Aliás, a fotografia é um elemento forte na obra do autor e eu gosto disso.  

Além de ressaltar as belezas sedutoras do litoral alagoano, Daniel Barros pontua a culinária baseada no peixe, crustáceos e também tem um víeis forte na boemia.  Em todo o livro, do começo ao fim, a gente degusta lembrando uma obra de um Jorge Amado.

Como disse o prefaciador do livro  João Carlos Taveira, Daniel Barros caminha, com Mar de Pedras, a passos largos, para a maturidade literária”. No começo do enredo a sutilidade do envolvimento de Henry com a doce Carolina, menina do interior, filha de pescador, que  apaixona o leitor por sua simplicidade, inteligência, sensualidade e solidariedade. É uma pessoa do bem.

Francesca aparece depois para atrair o coração de Henry e a gente imagina, em alguma parte da obra que o romance não terá o desfecho que se imaginava. Os personagens ligados ao fotógrafo de modelos Henry são pessoas do povo, do bem, que pensam no coletivo e no  social, se contrapondo ao prefeito do lugar, que tal qual muitos da vida real, mora em outra cidade,  é corrupto e se aproveita da  política para praticar deslizes.

O romance faz uma crítica social da política alagoana e brasileira tão bem conhecida por todos nós. O padre Francisco tem ideias revolucionárias e apoia Henry em suas ideias sociais e está sempre filando a boia dos amigos, lembrando um pouco os párocos das comunidades carentes de antigamente. O final do livro nos deixa órfãos do principal personagem, nos  trazendo à realidade da vida, que geralmente não é o que a gente determina e sonha, mas bem mais dura e cruel quando quer ser.