Ailton Villanova

11 de julho de 2015

ERA UMA VEZ UM BECÃO!

      A fama do José Gerinaldo, o Zezão – 2 metros de altura e 150 quilos de  peso -, era a de maloqueiro, arruaceiro, cachaceiro e maconheiro. Não havia uma biboca nas alturas do Jacintinho onde não fosse temido, devido os já citados “predicados” atribuídos à sua pessoa, convém que bem se frise.

     Zezão era doido por futebol e chegou, até, a se submeter à uns treininhos no CSA. Não foi aceito porque batia demais nos atacantes contrários. Devido a que era indivíduo de maus bofes, ele também não foi acatado em nenhuma corporação das forças armadas. Foi expulso de todas.

     Zezão era terrível!

     Mas, um dia, entretanto, foi convidado para ocupar a posição de zagueiro do Flamengo Futebol Clube, timezinho safado, cuja fama era a de “pior” de todos os congêneres inscritos na 10ª. Divisão da Capital.

      Por que o convite? Pelo seguinte: O Flamengo havia sido desafiado pelo Santa Cruz do Tabuleiro do Martins, tido e havido como o “número 1”, ou por outra, o melhor de todos e sua maior atração era o baixinho Abelardo – l metro e meio de tamanho – mais conhecido como Pirrita. Centro-avante, era o cão com a pelota no pé. Vivo fosse, o famosíssimo Garrincha, perto dele seria classificado como “pinto”. Pirrita driblava de todo jeito. Até deitado! Só vendo para acreditar.

       Seu Aloísio Mamede (Lula Parrudo), presidente do Flamengo, não queria que o seu time fosse desmoralizado por um baixinho gomeiro, que, nas suas avaliações, mal aguentava um tabefe de qualquer criancinha. Na véspera do prélio, seu Lula Parrudo chamou o Zezão para uma conversa de pé-de-orelha e disse:

         – Olha, grandalhão, eu quero que você esmague aquele baixinho do cão, tá me entendendo?  

         – Possa dexá cumigo, seu Lula. Vô matá o safadinho só com um peteleco!

         O campo do Mutange, para onde o amistoso foi assinalado, estava entupido de torcedores de ambas as equipes e quem mais se destacava entre os jogadores, era, justo, o Zezão, por causa do seu tamanho. Parecia mais um poste.

           Bom. O jogo começou na hora marcada, às 16, com o trilar do apito do árbitro Godofredo Bocão, sargento reformado da Polícia Militar, que não tirava um “pau-de-fogo” da cintura. O primeiro lance, depois da “saída” autorizada pelo mediador da partida, mereceu os maiores aplausos, inclusive da torcida adversária. O centro-médio Biu Pipoca rolou a pelota para o Pirrita e este disparou pra cima do Zezão. O que se viu, a seguir, foi a maior desmoralização a um jogador de futebol. O baixinho passou com bola e tudo por entre as pernas do zagueirão. Em seguida, fez meia-volta e aplicou seis “banhos-de-cuia” no infeliz. Achou pouco, administrou mais dez dribles, deixando o grandalhão de bunda o chão. Até o final do primeiro tempo, o pequeno atacante se encarregou de menosprezar ainda mais o zagueirão.

            No segundo tempo, o revide do humilhado Zezão foi cruel. Mas tão cruel, que o Pirrita, depois do jogo, houve por bem baixar no Pronto Socorro com cinco costelas quebradas, suspeitas de fraturas nas duas canelas, um braço torto e os dois olhos roxos.  

             Antes da ambulância conduzi-lo ao nosocômio, Pirrita reuniu suas últimas forças e arquitetou uma tréplica no capricho. Voltou ao campo manquitolando, com uma pistola camuflada por baixo da camisa e a pelota na mão. Encarou o Zezão e disse:

             – Agora, você vai ver o que é uma desmoralização, seu cabra safado! Venha pra cima de mim, se for macho! Venha!

             Zezão foi. Não devia ter ido, mas foi. O baixinho levantou a camisa, sacou a arma e disparou. O primeiro tiro alcançou o adversário na ponta da chuteira. Os demais, na caixa dos peitos.

             Enquanto um era conduzido ao hospital, o outro era trasladado para o IML.     

 

 VELHINHOS SALIENTES

     De manhã, cedo. Ainda na cama, dois velhinhos se preparavam para levantar. De repente, a velhinha resolveu sacanear com o marido:

     – Sabe, Godofredo, esta noite eu sonhei com um saco cheio de pintos! Tinha cada um maravilhoso! Uns grossos, compridos, durinhos! Ô coisa boa!

      – E o meu pinto tava dentro desse saco, Elvira?

      – Dentro, não! Tava fora, amarrando o saco!

      Dito isto, a velhinha caiu na gaitada. Seu Nicanor não se abalou. E, calmamente, voltou a falar:

       – Veja você as coincidências, Elvira! Pois eu também sonhei! Sonhei com um saco cheio de xoxotas! Você precisava ver, cada uma mais deliciosa que a outra!

        – E a minha tava no meio, Nicanor?

        – No meio, não! Sua xereca era o saco!

 

 QUE EMPRÉSTIMO, QUE NADA! 

        Quem conhece o Álvaro Cleto sabe muito bem que o galego é um pão duro danado, além de sacana ao extremo. Tempo desses, ele e uns amigos, entre os quais o Denison Petronilo, bolaram uma viagem de recreio ao Recife, mas não foram todos numa só condução. Cada um foi na sua. O Dênison Petronilho preferiu sair por último, só pra não dar carona à ninguém.

        À noite, Cleto se achava espichado na cama do quarto do hotel, quando o telefone tocou. Ele atedeu:

        – Alô!

        Do outro lado da linha, alguém falou:

        – Alô? É o Álvaro? Aqui é o Denison! Pô, cara, tô numa tremenda enrascada! Meu carro quebrou na estrada, chamei o guincho mas o cara disse que só reboca se receber adiantado! Pior é que tô sem um puto e o motorista do guincho só aceita dinheiro! Não dá pra você quebrar esse galho e vir aqui pagar o cara. Estou bem pertinho, aqui na entrada da Boa Viagem…

     Álvaro Cleto interrompeu o Dênison Petronilho:

     – Alô Deninson! Alô! Alô! Eu não estou ouvindo nada! A ligação está péssima!

     Petronilho tenta explicar novamente, várias vezes, mas o galego só fica repetindo:

     – Sem chance, meu irmão! Não consigo entender uma só palavra do que tu estás está falando! A ligação está horrível!

      Nisso, a telefonista do hotel entra na conversa: 

      – Desculpe, senhor! Mas a ligação está perfeita!

      E o Alvaro:

      – Ah, é? Então empresta o dinheiro pra ele, filha da puta!