Ailton Villanova

9 de julho de 2015

CHOROU O DEFUNTO ERRADO!

     O grande amor da vida da balzaca Indonésia Botelho foi o Odulpho Goitacaz, um paulista já maduro, que caiu em terras alagoanas por conta do seu trabalho, que era o de auditor federal, lotado na representação local do Ministério da Fazenda. Solteirão e católico praticante, aproximou-se de Indonésia porque viu nela a mulher dos seus sonhos. Frequentadora assídua da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ela também sentiu uma “queda” pelo coroa. Aos 51 anos de idade, Indonésia permanecia virgem zerada e só conhecia o beijo através do cinema, ou das novelas televisivas.

     – Acho esse negócio de beijar na boca muito nojento! – confidenciou, certa vez, à colega de congregação Filhas de Maria, a também carola Antuérpia Assumpção, igualmente intacta sexualmente.

     De sua parte, Odulpho, também celibatário, andava subindo pelas paredes, na maior secura por uma mulher. Exigente, prometera a si próprio que só se casaria com uma donzela, uma mulher jamais tocada por um homem. Aí, descobriu que Indonésia era essa mulher.

      Dos papos entremeados de orações, versículos e capítulos bíblicos, a dupla evoluiu para diálogos um pouco mais animados. Daí, entrosaram um namoro respeitoso, puro de alma e de corpo. Apaixonaram-se. Acontece, que Satanás entrou na jogada e entendeu de apimentar a casta relação do casal: sem mais delongas, sapecou uma tentação filha da mãe pra cima do Odulpho, deixando-o doidão. Foi na festinha de São João da paróquia. Inexplicavelmente, Odulpho apossou-se de uma garrafa de vinho de jurubeba que o sacristão João Batista esquecera na mesa repleta de bolos e guaranás, e bebeu todo o seu conteúdo. Baratinado e estimulado pelo álcool, ocorreu-lhe ideia de dar uma de tarado: pegou a namorada pelo braço, arrastou-a para o oitão da igreja e mandou o ferro nela, estuprando-a.

        Depois desse vergonhoso e condenável episódio, Odulpho eclipsou-se, sumiu como por encanto. Ocorre que, para Indonésia o lúbrico ato praticado pelo namorado, foi a glória. E ficou querendo mais. Mas, cadê o amor de sua vida?

     Desesperada, ela foi à luta, na busca do homem que a fizera sentir-se mulher de verdade. De modo que procurou a repartição pública onde Odulpho provavelmente ainda trabalhava, como último recurso à sua localização. Do funcionário que a recepcionou, escutou a péssima notícia:

      – Madame, receio não ter uma boa notícia para lhe dar, a respeito do nosso caríssimo colega…

      Indonésia gelou e mal conseguiu equilibrar-se em cima das canelas:

      – Teria ele se casado… ou morrido, senhor…?

      – As duas coisas, minha senhora…

      – Como assim?

      – Bom, ele casou e em seguida morreu! A emoção o levou ao infarto e, daí, à morte. Lamentável…

      – E ele morreu quando?

      – Ontem. Por sinal, o seu sepultamento deverá ocorrer daqui a pouco. Seu corpo sairá do velório para o cemitério.

      De posse do endereço do velório, Indonésia se mandou para o local. Pulou do taxi já dentro do ambiente onde um corpo sendo velado. Ao reparar na patética cena daquele que seria seu amado, espichado num caixão adornado de flores e uma mulher derramando mil lágrimas ao lado, Indonésia teve um ataque de insanidade:

        – Saia de perto do meu Odulpho, sua mocréia! Odulpho, meu amor, olhe eu aqui! Estou morrendo de saudade de você…

        E a mulher que chorava ao lado:

        – Esse homem não é Odulpho coisa nenhuma! Esse é o meu finado marido Givaldo. Saia daqui, sua doida!

        E Indonésia:

        – É o Odulpho, sim! Foi ele quem me deflorou no oitão da igreja! Que homem maravilhoso! Oduuulphinhooo! Vem, amor!

        – Já disse que esse daí não o tal de Odulpho, dona…! Repare direitinho…

        Indonésia reparou. O “de cujus” não era o Odulpho. 

     Acontece que face a premência para encontrar o finado, ela se precipitou e anotou errado, o endereço do velório. Quando, finalmente conseguiu encontrar velório e o cemitério certos, o Odulpho já tinha sido enterrado. A polícia teve de retira-la, à força, deste último, porque ela queria, a todo custo, desenterrar o falecido.

 

EMOÇÃO É COISA SÉRIA!

     Semanalmente, dona Aflaudízia, velhinha muito simpática, cumpria o mesmo ritual: saía de casa, ia até a casa lotérica da esquina, conferia a aposta do marido e voltava frustrada. Mas, um dia, ela vibrou. Seu Diomedes, o marido, havia ganhado sozinho na supersena acumulada. Preocupada com a saúde do velho Dió, 90 anos, hipertenso, diabético e cardíaco, dona Flau ligou para o médico da família e o encarregou de dar a notícia ao felizardo de uma forma bem amena.

     Numa consulta de rotina, depois dos habituais exames, o doutor perguntou ao velhinho, sem dar muita ênfase às palavras:

     – Suponhamos, seu Dió, que o senhor ganhasse sozinho 50 milhões na supersena… o que o senhor faria?

      E seu Diomedes:

      – Ah, doutor Barreto, o senhor tem sido como um filho pra mim! A primeira coisa que eu faria era dar a metade pro senhor!

      O médico caiu durinho no chão, com um ataque fulminante do coração.        

 

 

 O IRMÃO DO AGAJOEL

      Bons amigos, os pinguços Zezinho da Socorro e Messias Paraguassu se toparam numa quebrada da Ponta Grossa, depois de um tempão sem ver um a cara do outro. Aí, foi aquela alegria.

      – Pô, meu, quanto tempo, hein? Que fim tu levou, hein? – perguntou o Da Socorro.

     E o Messias:

     – Tava viajando. Gastei mais de seis meses procurando emprego no interior da Bahia…!

      – E achou?

      – Que nada! É por isso que voltei!

      – E o teu irmão, o Bigode?

      – Tá sabendo não? Ele agora tá na Faculdade de Medicina!

      – Putaquipariu, mano! Como o cara melhorou!!!

      – Nem tanto…

      – Como “nem tanto”? Ele agora tá na boa! Estudando medicina…!

      – Não, cara, ele não está estudando medicina. Os alunos é que estão