Ailton Villanova

8 de julho de 2015

O BARBEIRO, O FREGUÊS E O BIGODE!

     Parece até exagero contar, mas o primeiro pileque do Antiógenes Catuaba ele tomou quando tinha 8 meses de idade. Daí pra cá não parou mais de beber, apesar de todos os cuidados que os pais lhes dispensaram.

     Tió, conforme é mais conhecido, já nasceu buliçoso. No dia do batizado, o padre distraiu-se nas rezas e deixou a garrafa com o vinho da missa dando sopa. Aí, Tiózinho, bastante vivinho, agarrou a sobredita e tomou o primeiro gole. Achou bonzinho, tomou o segundo. Quando o reverendo deu fé, a garrafa estava pela metade e o menino revirando os olhos, tão embriagado se achava.

      A vida do infeliz do Antiógenes Catuaba não foi uma vida ruim, porque vivia fazendo o que mais gostava de fazer: embriagar-se. Nos empregos que arrumava, quando demorava muito, uma semana já era demais. Mas, um dia, ele encontrou a grande oportunidade de sua vida: conheceu a linda morena Iracilda Maria, pela qual se apaixonou perdidamente. Como sempre foi um sujeito bem apessoado, Tió também chamou a atenção da garota, apesar de cachaçudo.

      Iracilda prometeu aceitar a proposta de namoro de Tió, caso ele desse um “basta” nas bebidas alcoólicas. O sacrifício foi grande, mas valeu a  pena. Tió parou de beber, arrumou um emprego, ganhou a simpatia de todos, principalmente da família da amada, e, santo dia, levou-a ao altar.

       Apesar da felicidade que estava vivendo ao lado de Iracilda, de vez em quando batia nele uma danada vontade de beber. E ele resistindo. Um dia ele abriu o coração para a mulher e esta sacou uma bela ideia:

        – Você precisa procurar um psicólogo, com urgência!

        Antiógenes foi ao psicólogo e a mulher junto com ele. O profissional lhe prescreveu uns exercícios e o advertiu:

        – Você é um alcoólatra, lembre-se disso! Se quer continuar sóbrio e viver feliz ao lado desta bela mulher, não ponha mais nem uma gota de bebida alcoólica na boca. Nem sentir o cheiro de álcool, você pode!

     – Nem sentir o cheiro de álcool, doutor? E quando eu tiver necessidade de tomar injeção ou tirar sangue?!

     – Vai no cru mesmo, sem álcool!

     Antiógenes voltou pra casa abraçado com a mulher, radicalizando:

     – Nem chupar rolete de cana, eu chupo mais!

     Seis meses depois dessa consulta com o psicólogo, Tió continuava desempregado, vivendo uma vida apertada, financeiramente. Até que, certo dia, por indicação de um amigo, arrumou um emprego de barbeiro, ele que havia aprendido o ofício, quando passou um período estudando no Senac.

       No dia de sua estreia no Salão São Expedito, um sábado, por sinal, eis que surgiu no ambiente um sujeito adiposo, do tamanho de um poste, que conduzia na cara um bigode que media meio metro de cada banda da cara.

       – Bom dia! – trovejou o grandalhão, deixando à mostra o cabo de um revólver preso a cinta. – Quero o melhor barbeiro pra fazer a minha barba e acertar o meu bigode!

       O dono do salão, um evangélico finíssimo, quis prestigiar o recém contratado barbeiro. Aí, temperou a garganta, apontou para o Tió e disse:

       – Se o amigo quer o melhor barbeiro do salão, eu lhe apresento coisa melhor: este rapaz aqui! Ele é melhor do estado, tá bom?

       O grandalhão sorriu, exibindo uma fileira de dentes capeados com ouro, e Antiógenes tremeu na base.

        – Nesse caso, é ele mesmo quem vai arrumar a minha cara! Vamos lá, rapaz!

        O novo barbeiro continuava tremendo mais do que vara verde. Seu estado nervoso piorou quando o grandão ameaçou:

        – Olha, rapaz! Tenha cuidado com a minha cara, viu? Muito mais com o meu bigode, que conservo há mais de 40 anos!

        Antiógenes só teve forças para dizer:

        – S’imcomode não, doutor!

        – Então, chame a tesoura pra frente!

        Nesse momento, outro barbeiro, que acabara de concluir raspagem da barba do freguês lado, achou de borrifar com álcool a cara do referido – fiiit…fiiit…fiiit… Ao acusar o cheiro do produto, Antiógenes entrou imediatamente em estado de profunda embriaguez. Aí, enlouqueceu: deu garra da tesoura e – zip…zip… clip…clip… – destruiu o bigodão do cara, todinho. Ainda em intenso estado etílico, desbastou literalmente a cabeleira do sujeito, deixando-o careca.

       Em decorrência disso, a confusão foi grande, no salão. O freguês sacou o revólver e disparou a carga toda, não atingindo ninguém, porque o cabra era ruim de tiro.

       Quanto ao Antiógenes, ninguém sabe do seu paradeiro. Nem a sua amada esposa Iracilda, que não para de chorar de saudade do infeliz.

 

TARADO ARTISTA

     Dois tarados terríveis invadiram um convento e estavam atacando duas freiras indefesas, quando uma delas começou e orar:

     – Senhor, perdoai-os. Eles não sabem o que fazem!

     A segunda interrompeu imediatamente:

     – Só se for o seu, porque o meu é um artista!

 

AH, AS MULHERES

     Três velhos amigos, antigos colegas de faculdade, contavam glórias sobre a noite anterior:

     – Fiz uma massagem em minha mulher com azeite de oliva finíssimo, depois fizemos amor loucamente e fiz ela gritar loucamente durante cinco minutos seguidos.

    O segundo:

     – Passei óleo afrodisíaco de canela em todo o corpo da minha mulher. Depois fizemos sexo oral. Pô, ela gritou loucamente por 5 minutos seguidos!

     O terceiro tomou um gole e esnobou:

     – Isso não é nada, meus caros. Ontem eu usei manteiga comum. Ela gritou por mais de seis horas seguidas.

     Assustados, os outros dois perguntaram:

     – Mas o que você fez de tão especial para sua mulher gritar por seis horas seguidas?!

     – Limpei a mão na cortina da sala!