Ailton Villanova

3 de julho de 2015

A VELHINHA NÃO MORREU!

 Velhinha dos seus quase 90 janeiros, dona Estrevolina Aragão vivia montada na grana. Viúva de seu Agapito Aragão, dela ele herdou inúmeros imóveis espalhados pelos bairros do Poço, Reginaldo, Jaraguá e Pajuçara. Nunca pariu um filho, essa a sua maior decepção. E certa vez justificou, num papo com algumas colegas da irmandade Filhas de Maria, da paróquia do Poço, da qual fazia parte.,

      – O defeito era do finado Agá. Mas, ele bem que tentou fazer um filhinho, nem que fosse pra remédio…

      Apesar da avançada idade, dona Estrevolina era uma velhinha saudável. Jamais alguém ouviu falar que ela, ao menos uma vez na vida, havia sofrido, sequer, uma dorzinha de cabeça. Lépida e fagueira, diariamente percorria, a pé, as suas propriedades, acompanhada apenas do cachorrinho intitulado “Vicente Celestino”, cujos latidos, muito fortes e estridentes, assustavam de verdade.

       Entretanto, num determinado começo de manhã, quando se aprontava para sua caminhada habitual, eis sentiu-se mal e estatelou-se no chão. Cachorro inteligente e sabido, Vicente Celestino correu porta a fora e foi latir na calçada da vizinha de frente, pedindo socorro. Dona Parízia, dita vizinha, acompanhou o cão no retorno deste à casa de Estrevolina e quase também morreu do susto que tomou, ao constatar que a amiga aparentava estar morta.

         O alvoroço foi grande no pedaço onde dona Estrevolina residia. Sua suposta morte provocou incontáveis lágrimas e muitos assoados de ventas, porque ela era muito querida. Mesmo assim, chamaram a ambulância do Pronto Socorro e, mal a equipe do atendimento de emergência deu o ar de sua graça no local, o sujeito com pinta de médico que a chefiava, foi enfático:

            – Sem futuro! Ela entrou em óbito faz um tempão! Podem chamar o rabecão do IML, porque o caso, agora, é com o pessoal do Duda Calado!

      Não demorou muito, o rabecão do Instituto Médico Legal acorreu ao chamado. Pegaram o corpo da pranteada (os vizinhos continuavam chorando adoidado), acomodaram na caçapa do veículo e se mandaram para o “Estácio de Lima”. O necropsista encarregado do recebimento de cadáveres, era  José Maria da Silva, o notório Labafero, acostumado com os casos mais escabrosos desta vida. Naquilo que ele abriu a porta do rabecão, caiu para trás, do susto que tomou: de pé, diante dele, a velhinha tida como morta exclamou, indignada:

      – Ôxi! O que é que estou fazendo, trancada dentro desse carro quente e fedorento? Me tire logo daqui!

      A verdade é que dona Estrevolina havia sofrido uma privação de sentidos transitória, tipo de desvanecimento que confunde muito com o estado mortal.

       Esclarecida toda a situação, a velhinha voltou pra casa, que ficava o bairro do Poço, onde rolou uma festa que se estendeu até a madrugada.

       Dona Estrevolina veio a falecer de verdade, 10 anos depois e seu corpo só baixou à sepultura quando dava sinais de putrefação. É que ninguém queria enterrá-la, sem ter a certeza de que estava morta mesmo.

 

 

 A MULHER E O GORILA

      Mulher feia a gente encontra em todo lugar, não é verdade? Mulher feia, mas finíssima, culta, inteligente e generosa é negócio difícil da gente achar. Mulher feia, metida a besta e chata, a gente encontra a três por dois. É o caso, aqui, de certa comunicóloga que é feia pra burro, mas acha que é bonita. E inteligente.

       O marido da peça em referência é um sujeito bom, chamado Gilfredo. O que ele pode fazer para se ver longe da mulher. Ele faz. Por curiosidade, um dia eu lhe perguntei: “Ô cara, se você não é chegado a sua mulher, por que casou com ela, então?” Ele me respondeu: “É que eu tava de pileque!”

       Gilfredo é apreciador do esporte da caça e seu grande sonho era capturar um grande animal na África. Até então só havia conseguido matar uns coelhinhos, umas rolinhas… na Mata do Rolo, local mais distante para onde havia se deslocado.

      Mas, ocorre que, um dia, a sorte lhe sorriu: ganhou na Loto e, aí, ele viu a grande ocasião de tornar o seu sonho em realidade. Ao dar a grande notícia para a mulher, ela deu um pinote:

       – Se você vai para a África, eu também vou!

       Já com uma segunda intenção na cachola, Gilfredo levou a mulher com ele. Uma vez instalados na imensa floresta africana, eis que, boquinha da noite, a madame disse pro marido:

       – Gil, estou com vontade de fazer xixi…

       E ele:

       – Va mijar ali na margem do rio!

       – Ah, Gilzinho, eu tenho medo. E se vem um crocodilo e me ataca?

       – Deixa de frescura, mulher! Nesse rio não tem crocodilo. Vai logo fazer o seu xixi…

       Acontece que o tal rio estava cheio de crocodilos. Cada um mais violento que o outro.

        Na volta da viagem, Gilfredo me contou que um crocodilo havia comido a sua mulher.

 

ESPERTÍSSIMA

      Meirinha é a sobrinha predileta de uma grande amiga do Álvaro Cleto. A menina é espertíssima e, naturalmente, muito ligada na tia, que é uma tremenda namoradeira.

      Meirinha costuma ouvir titia querida falar do mundão de namorados que arruma, cada um mais tarado que o outro. A tiazinha querida é amarradona num degenerado sexual, segundo ela própria conta.

       O último namorado que a tia de Meirinha arrumou, um sujeito atleticão cheio da grana, amarrou-se nela que, diga-se de passagem, é uma tremenda morena de curvas pra lá de sensuais.

       O cara ficou tão apaixonado pela amigona do galego Álvaro Cleto que, sem mais delongas, a pediu em casamento. Ela respondeu, fazendo charminho:

        – Volte daqui a uma semana, que lhe darei a resposta.

        Uma semana mais tarde, o apaixonado parou seu carrão novíssimo na porta da amada, desceu e apertou o botão da cigarra da porta dela. Quem o recebeu foi a sobrinha:

         – Ah, você é o namorado da minha tia?

         E ele, todo entusiasmado:

         – Sou!

         Meirinha foi fundo:

         – Quando eu crescer vou querer ficar igual a ela!

         – Ah, é? Por quê? – perguntou o apaixonado pretendente.

         A garotinha mandou:

         – Porque eu quero ter um mooonnnte de namorados. Cada dia ela arranja dois, três…