Olívia Cerqueira

26 de junho de 2015

O que veio depois

Olívia de Cássia – jornalista

 

Em outubro de 1988 foi promulgada a nova Constituição da República Federativa do Brasil. Resultado de muitos debates, seminários, passeatas e discussões relevantes para um período marcado pelo retorno à democracia.

Dizem que a nova Carta Magna trouxe consigo também as lutas dos movimentos de mulheres e suas reivindicações. Dessa forma, conceitos como “sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” foram incorporados ao texto da nova Constituição.

 Não é que a realidade atual reflita totalmente o que manda a lei, mas as mulheres passaram a ter visibilidade no documento, ao serem igualadas aos homens, em direitos e obrigações. Não foi uma luta fácil e ainda falta muito para a gente conseguir a igualdade de gênero.

Itens como a licença-maternidade, licença-paternidade, direito de poder ter intervalos para amamentar o filho, depois do fim da licença-maternidade, entre outras conquistas que revolucionaram a sociedade moderna, foram conseguidas, embora tenha havido muitas críticas à nova Constituição.

“O movimento feminista refletiu, também, no Brasil, na atuação das mulheres que incorporaram a busca pela modificação das práticas masculinas, bem como o respeito às diferenças entre mulheres e homens”, afirma  Tania Fatima Calvi Tait, da Universidade de Maringá.

Segundo Tania, a busca pela igualdade é colocada na ordem do dia e se reflete na luta por igualdade salarial, apoio às mulheres trabalhadoras e a participação da mulher na política, ocasionando discussões de ordem religiosa e familiar ao colocar em cheque o papel tradicional e culturalmente aceito da mulher na sociedade.

Uma discussão que se arrastou durante anos no movimento feminino foi a implantação das casas de passagem, que desde muito antes da aprovação da Constituição de 1988 eram alvo de grandes debates em seminários e encontros femininos.

A gente já discutia a sua criação nos diversos municípios alagoanos, baseado na necessidade da criação desses locais, por conta da violência contra a mulher, que já se alastrava no País. É um tema que ainda hoje vem à discussão, já que muitos municípios criaram as casas de passagem, mas não têm estrutura para receber a demanda.

As mulheres continuam sofrendo preconceitos diversos, mesmo que os tempos tenham mudado, a conjuntura é outra e os valores familiares, alguns foram deturpados. Naquela época Mãe solteira era discriminada pela sociedade, que na maioria das vezes não admitia essa mulher como uma pessoa séria.

A gente estudava sobre socialismo e a luta das mulheres pela sua libertação, para superar todo o preconceito. A partir da década de 1930 do século passado, ela conquista o direito de votar e foi Bertha Lutz a grande responsável por esse feito.

Das grandes violências sofridas pelas mulheres naquela época de faculdade, duas me marcaram bastante: uma foi a história da mulher que foi marcada com ferro de marcar bois, pelo marido insatisfeito com a traição, nos dois lados do rosto, em Alagoas.

A outra foi o caso de uma estudante universitária, do Sudeste do País, que teve o corpo todo queimado com álcool pelo namorado. Afora esses casos os de assassinatos que vêm acontecendo ao longo desses anos todos, ainda por ciúmes e falta de amor. Ainda temos muito o que lutar.