Ailton Villanova

24 de junho de 2015

AH, SIM, TÁ EXPLICADO!

     Pense numa lourinha espetacular. Pensou? Pois essa é a Deuzimar, mulher do Ornélio Pontual, um ex-jogador de futebol que se aposentou precocemente do bate-bola para ficar ó de botuca, as 24 horas do dia, na companheira. Mas o infeliz não consegue marcá-la “em cima”, que nem béque alemão, por mais que se esforce. Deuzimar é boa de drible. Nem o nosso mais badalado atleta, o garotão Neymar, consegue superá-la nas jogadas mirabolantes perante os coitados dos adversários. Só que Deuzimar não tem adversários. Só tem “a favor”, o caro leitor está me compreendendo?

       Apaixonadão pela esposa, Ornélio Pontual só vê terra onde ela assenta os solados dos lindos pezinhos.

       Certo dia, Pontual entrou em casa, de volta da rua, com uma “notícia sensacional” segundo ele próprio classificou.

        – Amor! – disse ele à caríssima consorte, cheio de satisfação – Arrumei um emprego! Não é sensacional?

        E ela, na ponta dos pés:

        – Bote sensacional nisso, meu adorado! Mas… que tipo de emprego você arrumou, assim tão de repente?

        – E pra que é que a gente tem amigos, não é? Pois um deles me ofereceu uma vaga de viajante comercial na firma dele…!

        Deuzimar vibrou:

        – Viajante comercial???!!! Mas que ótimo!

        – Você acha ótimo? Eu não acho!

        – Não venha me dizer que vai desistir do emprego, seu Nelinho!

        – O chato é que terei de passar semanas fora de casa… e você ficará sozinha!

        – E qual é o problema, Nelinho? Qual é o bicho que vai me comer, me diga?

        – E eu sei lá! Você linda e gostosa desse jeito… os caras não tiram os olhos de você… só faltam lhe comer…!

        – Vamos mudar de assunto? Quando é que você começa o emprego, meu amor?

        – Amanhã, eu acho.

        – E por que não começa logo hoje? Vou arrumar a sua mala!

        Dia seguinte, eis que o Ornélio já estava com os pés o oco do mundo, cumprindo nova missão que era a de oferecer aos donos de farmácias do interior, as novidades lançadas no mercado específico pela indústria farmacêutica.

         Mas, morto de amor e de saudade, Ornélio não suportou ficar afastado da linda e gostosa esposa. De modo que, três dias depois, largou o emprego e fez viagem de voltar ao lar, vibrando com a surpresa que faria à mulher querida.

         De madrugada, pé ante pé, entrou em casa disposto a matar a mulher de amor. Entretanto, quem quase morreu – não de amor, mas de susto – foi ele.

         E o que foi que o corno, digo, o marido viu?

         Deuzimar, linda, exuberante, exibindo sua nudez para o atleta Arnaldão, que também, sem acanhamento algum, mostrava, de cima abaixo, toda a sua musculatura para a mulher. Os dois, se achavam no toalete, porque haviam acabado de se exercitar loucamente no leito conjugal, e se banhavam…

         O marido exclamou, escandalizado:

         – Mas o que é isso, Deuzinha?! O que você está fazendo, despida desse jeito, agarrada com esse desconhecido, no nosso quarto? Me responda, mulher!

         E ela, o mais cinicamente possível:

         – Tenha calma, Nelinho! Não admito que você pense mal de mim. Este aqui é o Arnaldão, consertador de instalações hidráulicas. Chamei-o aqui para consertar o nosso chuveiro que pifou, assim que entrei no banheiro para tomar banho…

            – Tá bom, tá certo. Mas… ele precisava ele ficar nu, desse jeito?

            E Deuzimar:

            – Mas essa é muito boa, Nelinho! Você queria que o rapaz se molhasse todinho pra consertar a porcaria de um chuveiro?

            O marido abaixou a cabeça e disse, conformado:

            – Ah, sim, tá explicado!

 

 

CHIFRE QUÁDRUPLO

 

     O Enauro Potiguaribe é o tipo cara que se ajusta perfeitamente àquele velho ditado que diz: “macaco só repara para o rabo dos outros”.  A vida do indigitado é fofocar a respeito da vida dos amigos, sem se importar com nada que lhe diz respeito. Garantem alguns desses seus amigos que Enauro tem uma mulher pra lá de gostosa. Nomezinho dela é Liliane. Aqueles que tiveram “a satisfação e o prazer” de conhece-la mais intimamente, dizem que na horizontal ela é uma parada dura.

      Dias atrás flagraram o Enauro num bate-boca com Liliane, na porta da repartição onde ela trabalha. Bronqueadíssimo, ele dizia:

      – … e não venha me dizer que aquele cara que estava saindo do motel, com você, é seu primo!

      E ela:

      – Qual deles? O moreno de barba, ou o galego fortão?

 

 

APRENDEU CASANDO

 

     O popular Metiolênio Pacheco vivia mais na rua do que em casa. Passava as noites na gandaia. O cabra era degeneradíssimo.

     Um dia, entretanto, eis que o destino lhe atirou nos braços a morena Margarida Osória, curtidíssima paulistana. Tão gamado Metiolênio ficou pela Magáu que terminou baixando com ela nos pés do padre Agrício.

      Depois de vários meses desaparecido do mapa, bela tarde de março foi parado na Rua do Comércio pelo velho companheiro de farras Zé Cícero Umbelino, que não conseguiu esconder o seu espanto:  

       – Caramba, meu irmão, o casamento realmente lhe fez bem, hein? Antigamente, você vivia mal vestido, a roupa sempre amarrotada… Pôxa! Agora você tá impecável! A sua mulher deve ser mesmo uma criatura fantástica!

       E ele:

       – Pois é, rapaz! A Magáu é realmente uma mulher fantástica. Ela me ensinou a fazer tudo no lar. Inclusive, a passar roupa, depois de lavá-la…

 

 

“CAUSA MORTIS”

 

     A patota de biriteiros de sempre, marcava o ponto do dia no Bar do Duda, em Mangabeiras, quando baixou no pedaço o Tonho Xavier, mais conhecido como Linguiça, que anunciou:

     – Galera, o Duarte bateu as botas!

     – Ôxi, rapaz, e ele tava doente?! – espantou-se Zequinha Juvêncio, que já estava pra lá de cachaçudo.

     – Que eu saiba,não!

     – E o médico falou qual foi a causa da morte?

     – Não! A morte do Duarte foi rápida e barata! Ele nem precisou de médico pra morrer!