Ailton Villanova

10 de junho de 2015

Pé grande, nada a ver!

      Marislávia, linda flor nascida no “roseiral” do casal Edinózio/Maribalda, tinha um corpinho sensual e a carinha de anjo. Quando ela desfilava sua graça pelas ruas de Arapiraca a rapaziada suspirava. E, quantos pensamentos impróprios estimulava!

      Marislávia, simplesmente, Mari, caminhava na pontinha dos pés e o detalhe atormentava a macheza da rapaziada. Aos 25 anos ela ainda era virgem, zerada, e dona de peitinhos sensacionais e bundinha empinada. Ela só saía  de casa para a escola e, poucas vezes, para igreja… nada mais, além disso. Um dia, numa de suas idas à missa dominical, ela conheceu um certo Delúrbio Frazão, rapagão cheio de músculos. Gamou no sujeito, mas recuava no seu intento de um relacionamento mais chegado, todas as vezes que reparava no sobredito: ele calçava 44, bico largo. É que Mari ouvira dizer que o tamanho do pênis do homem era proporcional ao tamanho do pé. Sentia arrepios só em pensar no “instrumento” do Delúrbio. Mas, a paixão falou mais alto e ela terminou aceitando a proposta de namoro do bonitão.

      Um ano mais tarde Delúrbio continuava insistindo em extirpar a donzelice da amada, mas ela, ó, tirando o maravilhoso corpinho de campo.

      – Como é, meu amor, você não quer me dar uma prova da sua paixão?

      E ela, arredia:

      – Minha palavra não basta, Delurbinho?

      – Tomara que eu não morra de tesão por você! – chantageava o safado.

 

      O cara não perdia a esperança de possuir aquele pitéu. Um dia, Marislávia  procurou uma tia chamada Elúsia e se abriu com ela. No final, confessou:

      – Sabe, tia, eu vou terminar cedendo…

      – E por que você não dá logo pra ele? – estimulou a tia. – Admiro muito o seu recato, mas, hoje em dia, a mulher não se guarda mais para a noite de núpcias!

      E a donzela:

      – É que eu tenho medo que o pinto dele seja muito grande, sabe? Já viu como o pé do Delúrbio é enorme?!

      E tia Elúsia, do alto de sua experiência:

      – Ah, minha santa, mas isso não tem nada a ver! Deixe de ser boba! Repare no jegue. Você já viu o tamanhinho do pezinho do jegue?

      – Já!

      – Pois, então…?

      – “Então” o quê, tia?

      – Olhe direitinho o tamanho do “biláu” dele!

 

Bom conselho

      Bufando, com a língua quase na caixa dos peitos, Juribaldo chegou ao quinto andar do prédio de escritórios e consultórios, deu uma respirada, abriu a porta da primeira sala que encontrou e falou para o sujeito que se achava por trás de um birô:

      – Por favor, doutor, me diga o que eu devo fazer pra me sentir melhor…

      E o indagado:

      – Faça o seguinte: trate de comer menos e de perder 30 quilos, no mínimo. Largue o cigarro e a bebida. Depois, é bom procurar um oftalmologista!

      – E por que eu tenho de procurar um oftalmologista?

      – Pra conseguir ler direito a placa da porta. Sou advogado! O médico fica na sala ao lado!

 

E-xi-gên-cia da bicha

      Tetéu, aquela bichinha camuflada que gosta de dar uma de empresário, foi assaltada e estuprada numa rua escura do bairro do Jaraguá, por quatro fortões drogados. Depois de violentada, ela correu até a delegacia de plantão da Polícia civil e contou o que aconteceu ao delegado respectivo:

      – … E além de levarem tudo o que eu tinha, os tarados usaram e abusaram de mim a noite inteira. Me arrombaram toda, doutor! Tô aqui que nem posso andar direito! Ai, ui!

      E o delegado:

       – Tá bom. Vou mandar prender esses bandidos!

       – Ó-ti-mo, doutor! Olha, eu exijo a reconstituição do crime, viu?

 

Os ovos quebrados

      Em certos velórios no interior de Alagoas, ainda se costuma servir cafezinho com bolachas e bolinhos. Quando seu Leôncio, marido de dona Dalva morreu, ela catou os últimos três ovos eu tinha em casa e começou a preparar uns bolinhos. Enquanto peneirava o polvilho, a viúva deixou os ovos na janela da cozinha. Mal ela deu as costas, passou o gato da casa e derrubou tudo no chão.

      E lá estava a coitada de dona Dalva chorando sobre os ovos quebrados, quando chegou o padre Eusébio para ministrar a missa de corpo presente e começou a consolá-la:

       – Chore não, Dalva. A senhora ainda é moça e logo vai dar um jeito de refazer…

       Entre mil lágrimas, ela cortou a fala do reverendo:

       – Não com três ovos, padre!

 

Um matuto muito esperto!

      O finado José Bianor, o Zé da Pastora, era conhecido em Dois Riachos –  cidade encravada no Sertão de Alagoas -, como “caboco” mais esperto do lugar. Ele possuía uma fazenda os limites de sua cidade com Cacimbinhas que, um dia, começou a dar prejuízo e ele passou a vender os bodes que criava. Os problemas financeiros foram se avolumando e Zé da Pastora não viu outro jeito senão o de negociar sua mula de estimação com o compadre João Libório, por 100 cruzeiros. Porém, no dia seguinte, o animal morreu e o comprador voltou à presença do vendedor, com a reclamação:

      – Eu quero o meu dinheiro de volta!

      E Zé da Pastora:

      – Tenho mais dinheiro não. Gastei tudo!

      – Gastou não! Devolva o meu dinheiro!

      – Então me traga a mula!

      – E o que você vai fazer com uma mula morta?

      – Vou rifá-la!

      – Tá doido, homem? Vai rifar uma mula morta?!

      Sem maior discussão, Libório entregou o cadáver da mula ao compadre e voltou pra casa.

       Semana e meia depois, os dois voltaram a se encontrar na feira de gado de Dois Riachos e Libório então perguntou ao Zé da Pastora:

       – Finalmente, compadre, o que foi feito do animal?

       – Eu não falei que ia rifá-la? Vendi 500 números a 2 cruzeiros, cada, e tive um lucro de 898 cruzeiros!

       – E ninguém reclamou?

       – Só o infeliz que ganhou…

       – E o que você fez?

       – Devolvi os 2 cruzeiros pra ele!