Ailton Villanova

7 de junho de 2015

Candidato bem burrinho!

      Mané Besteirinha foi assentado no cartório de registro civil e batizado na igreja católica sob o nome de Manuel Felismino Leitão. Em que pese ter frequentado a escola, nunca aprender a escrever direito e quando abria a boca para dizer alguma coisa, só saía besteira. Daí, o apelido.

      Pois bem, com tanta gente burra e analfabeta legislando neste Brasil, Mané Besteirinha achou-se também no direito de postular um cargo parlamentar. Em assim sendo, anunciou aos quatro cantos de Maceió que era candidato as vereador. Luiz Rufino, o Peneira, seu amigo mais chegado, não lhe deu aval:

      – Olha Besteirinha, não concordo com essa história de você ser candidato a vereador…

      – Disconcorda?

      – Você vai passar vergonha, bicho!

      – Passar vergonha por quê?

      – Ora, você fala errado demais! Em cada dez palavras que pronuncia, no mínimo você comete onze erros!

      – Isso também é inzagêro! Quem sabe você tá com inveja? Vou sê canindato, sim!

     – Bem, se você quer assim, acho bom providenciar uma gramática da língua portuguesa.

     – E pra quê?

     – Para melhorar a sua imagem, cara! Afinal, você vai ter que falar no rádio, na televisão, nos comícios… Eu aposto que vai cometer no mínimo, uns quinhentos erros!

      – Tá apostado!

      Não foi ele quem quis? Oficializada a candidatura do Besteirinha, a aposta foi fechada na presença de testemunhas. Mil reais.

      O primeiro comício do Mané Besteirinha ocorreu numa quebrada da periferia. Ele subiu ao palanque com Luiz Peneira ao lado e desandou a falar baboseiras. Quase no finalzinho do discurso o amigo cochichou no seu ouvido:

      – Só falta uma! Até agora você falou 499 palavras erradas!

      O candidato abriu um parêntese na oratória, virou-se pro Peneira e disse:

      – Cuma?

      Luiz Peneira vibrou. Deu um pinote no meio do palanque e gritou:

      – Quinhentas! Ganhei! Ganhei!

      A galera aplaudiu, mesmo sem saber porquê!

 

“O assassino matou a vítima”

      Depois de ter examinado um determinado local de crime, um conhecido e “inteligentíssimo” perito foi abordado pelo então repórter de TV Cristiano Matheus, hoje prefeito de Marechal Deodoro:

     – E aí, doutor, é possível se chegar a uma conclusão com o que foi colhido na cena do crime?

     O inteligentão estufou o peito e mandou:

      – Já desvendei tudo! Foi fácil!

      – Foi mesmo? E qual a conclusão? – insistiu Cristiano Matheus.

      – A vítima foi morta pelo seu assassino! – respondeu o perito, bem sério.

 

Pinguço de sorte

      Eles beberam tudo quanto tinham direito. Zé Eulino e Tonho Rubão, concordaram que era chegada a hora de dar por encerrada a biritagem.

      – Tenho que parar por aqui, meu irmão! – disse Zé Eulino. – Eu vou caminhar mais de um quilômetro pra ir pra cama. E você?

     – Eu tenho mais sorte. – respondeu Rubão – A minha  cama fica muito mais perto!

 

Iiih, nem ver!

      Antigo repórter de radio, Wellington Oliveira, baixinho bom de papo, tem uma porção de histórias para contar. Principalmente da área policial, embora não seja especializado no setor.

      Quando se achava na ativa, Wellington Oliveira, certo dia, de microfone em punho, papagueava na Rua do Comércio, entrevistando transeuntes, a respeito da exploração sexual que, na época, estava tomando conta do cinema nacional. Aí, pintou na sua frente uma madame bastante idosa, de olhinhos vivinhos e muito risonha:

      – O que a senhora acha dessa onda de sexo no cinema?

      E a velhinha:

      – Desculpe, meu filho, mas não acho nada. Sempre que eu vou ao cinema, procuro sentar na primeira fila só pra não ver a sacanagem que rola solta nas poltronas de trás!

 

Onde comeu o cachorro?

      Joel Jesuíno Pinto, o Jesus, é biriteiro e pilhéria! Dificilmente é encontrado sóbrio.

      – Eu sou que nem pavio de candeeiro… só trabalho queimado! –   costuma repetir.

      Outro dia ele foi visto de saída do boteco do Barbosão, na Brejal, no maior pileque. Tentava aprumar-se na Cirilo de Castro mas, a certa altura, não aguentou mais o reboliço no estômago e escorou-se num porte. No que escorou, abriu o bocão e botou pra fora tudo o que havia bebido e comido. Foi aquele chuááá!

      Acontece que na hora em que estava esvaziando o estômago, Jesus não reparou num vira-latas que fazia seu pipizinho ao pé do poste, e deu o maior “banho” no coitadinho. Aliviado, Jesus olhou em redor e exclamou:

      – Putaquipariu! Onde diabo em comi esse animal?

 

Um veneno bom demais!

      É autêntico, sim, um caso que me foi contado pelo Sebastião Nery, maior contista e jornalista brasileiro, ocorrido na década de 40 em Arapiraca.

      Generino Barbosa, comerciante endinheirado, era um homem grosso. Tão grosso quanto parede de igreja antiga. Também conhecido como Seu Genepa, apreciava a política partidária, embora jamais tivesse exercido mandato eletivo algum. Suas gafes e destemperos eram de domínio público, não só na região de Arapiraca, como em todo o Agreste e Sertão alagoanos.

      Certa feita ele estava atendendo ao balcão de seu estabelecimento comercial quando entrou lá o amigo Pedro de Didé, com uma infausta  notícia na ponta da língua:

      – Sabe quem acabô de batê as bota, Genepa?

      – Só pode ser quem estava vivo. Quá, quá, quááá… Mas quem foi? Diga lá!

      Didé respirou fundo e mandou?

      – Foi o véio Ontonho Liobino!

      – Danou-se! E ele tava doente? Parecia tão disposto! Que gota serena deu no dizinfiliz?

      – Sei não. Só sei que ele tá de canela esticada derna d’oje de madrugadinha…

      Generino fechou a mercearia e se mandou para o velório do finado Antônio Leobino Frazão, antigo fazendeiro cuja propriedade havia sido mandada à leilão pela Justiça. Ao ingressar no ambiente fúnebre, Generino procurou a viúva e apresentou as condolências:

       – Meus “pêsos” dona Quininha!

       – Brigadinha, seu Genepa! – respondeu a viúva, toda chorosa.

       – Num hai de quê. Mas, que mal lhe pergunte, dona Quininha, do que foi mesmo que o Leobino morreu? Terá sido do coração?

       E a viúva, cafungando:

       – Foi suicídio, seu Genepa!

       – Valei-me meu Padim Ciço! Suicídio?! E como foi?

       – Veneno!

       – E qual foi o veneno que ele tomou? Não me diga que foi aquele tal de Formicida Tatu!

       – Foi não. Foi veneno de matar rato… um tal de “estriquinino”!

       E Generino, dando uma de expert no assunto:

       – Ah, esse também é bom! Muito bom mesmo, viu? É tiro e queda!