Olívia Cerqueira

6 de junho de 2015

Será o que tiver que ser…

Olívia de Cássia – jornalista

A gente já não conversa há bastante tempo, parece que só me animo a ter um diálogo contigo quando estou angustiada. Mas hoje, Diário, foi por vontade mesmo de conversar um pouco e pela demora de o sono chegar. É um vício escrever e quando isso não acontece me sinto incomodada.

Acordei de manhã muito tarde e até me assustei: o resultado foi chegar atrasada no trabalho, coisa que não gosto de fazer e fico apressada quando isso acontece, porque pode dar motivo para que se pense que foi irresponsabilidade minha. Não foi.

O fato é que estou dormindo mais confortável, mais relaxada e o corpo se solta mais. E posso te dizer, meu Diário, que estou vivendo um bom momento na vida. Já não tenho o medo que eu tinha. E como eu já te disse em outras oportunidades, o medo é uma prisão que tira nossa capacidade de nos revelar e de produzir.

Não tenho mais aquele medo que me conduzia para sentimentos de subordinação, angustiantes e deprimentes. Hoje sou outra pessoa, Diário, e se tivesse sido assim em outros tempos, eu não teria sofrido tanto e passado por pedaços tão complicados na vida. Mas sei que tudo isso faz parte do aprendizado e do crescimento pessoal.

Agora posso dizer que cresci, interiormente, e que vejo a vida de uma forma mais suave. É preciso ter leveza, para que nossos fardos se tornem mais leves. Agora sei que a gente tem que ter foco, força de vontade e encarar as intempéries da vida com menos seriedade, com mais afeto, sorrisos e gargalhadas, que nos tornam seres mais iluminados.

Tenho aprendido muito ao longo de todo esse caminhar, ao longo do tempo de mulher sozinha. Sozinha, mas não angustiada e frustrada, procurando trabalhar com amor, com dedicação e vendo bons resultados.

Eu ainda acredito na vida, acredito que apesar da minha idade ainda posso dar muito de mim. Os problemas de saúde já não me afligem e nem atormentam e será o que tiver que ser.