Ailton Villanova

6 de junho de 2015

Mas… e ele morreu mesmo?!

      De manhã logo cedo, a Via Expressa registrava um movimento incomum de veículos de polícia, ambulâncias e policiais, que corriam de um lado para o outro. Num determinado trecho, um carro completamente destroçado era examinado por peritos. Entre os ferros retorcidos encontrava-se parte do que restou do motorista. Bombeiros tentavam retirá-la, utilizando-se de equipamentos apropriados. O tráfego estava complicado na área.

      Enquanto o pessoal especializado das polícias civil e militar e bombeiros executava suas tarefas numa atividade conjunta, curiosos se acotovelavam na margem da pista, alguns deles atrapalhando o meticuloso trabalho das forças de segurança.

      Em dado momento, parou próximo a um grupo de curiosos um sujeito montado numa bicicleta. Era o Gorgeonildo Pereira, morador de área próxima onde se verificaou o acidente. Ele ficou alguns minutos calado, observando aquela movimentação toda e depois, exclamou:

      – Chocante! Muito chocante, minha gente!

      Dito isto, virou-se para um dos circunstantes e indagou:

      – E o motorista? Você sabe dele?

      O popular respondeu com a cara bem triste:

      – Bom… pelo que se sabe, a perna direita dele está lá do outro lado da pista; o braço esquerdo ficou a vinte metros atrás e a cabeça saiu rolando e foi parar perto daquele posto de gasolina ali, ó!

      E o Gorgeonildo, impaciente:

      – Sim… mas e o infeliz? Será que ele morreu?

 

Se é para escrever…

      O cidadão chamado João Botelho saiu de Penedo para vir operar a goela em Maceió. Mais precisamente na Santa Casa de Misericórdia. Internou-se e, ao cabo de dois dias, estava enfrentando o bisturi do cirurgião. A operação resultou completa de êxito.

       – O senhor irá passar alguns dias sem falar, está entendendo? – recomendou o médico que chefiou a operação.

       O paciente assentiu e o doutor prosseguiu:

       – Aqui na mesinha ao lado, está um bloquinho e uma caneta, para o caso do senhor necessitar comunicar-se com alguém. Tudo o que o senhor quiser, é só escrever, combinado?

       Seu João balançou a cabeça, confirmando.

       Mal o cirurgião deu as costas, o paciente começou a sentir cólicas e aquela vontade danada de evacuar. Não havia a menor possibilidade de segurar as comportas anais. Desesperado, seu Botelho pegou o bloco e a caneta, entregou-os a esposa, que se achava ao seu lado e apelou:

       – Depressa, Alexandrina, escreva nesse bloco que eu quero fazer cocô!

 

Como ele advinhou?

      Minha avó materna, dona Rosa, sempre dizia que “quem diz o que não deve, ouve o que não quer”. Nunca vi ditado mais certo!

      Pois, então, à cata de votos, conhecido político montado num carrão lustrosa, comandava um cortejo que incursionava pelo Sertão. Entre os puxa-sacos  inseridos na comitiva, havia algumas belas garotas e pelo menos três gaiatos. O mais exibido deles era um tal de David.

      A comitiva tinha como ápice a cidade de Santana do Ipanema, onde o citado político pretendia fazer um discurso em favor de um seu correligionário, candidato a prefeito. No meio da viagem, o figurão parou para cumprimentar algumas pessoas que trabalhavam num roçado. Aí, o gaiato David, pretendendo aparecer perante as meninas da comitiva, achou de sacanear um dos matutos:

      – Dá duro aí, otário! Faz calos nas mãos, capricha direitinho na plantação, que é pra nós da cidade comer numa boa. Rá, rá, rá…

      O matuto não se alterou. Levantou a cabeça, puxou a aba do velho chapéu de palha pra cima, cuspiu a palhinha que tinha no canto da boca e respondeu com um risinho bem cínico:

      – Ué, cuma vosmicê aduvinhô qui eu tô aprantando capim?

 

Não deu certo!

      O casal de namorados Magnólia e Tadeu sempre foi comportadinho. Nada de exageros nos beijos e abraços. Era tudo dentro dos conformes, no dizer do finado Nunes Lima.

      Por sinal, Magnólia, filha do velho Mironildes, era simpatizante do Evangelho de Geová, quase irmã em Cristo, faltando pouco para o batismo.

      Então, estavam os dois, mãozinhas agarradas, sentadinhos no sofá, assistindo a um programa evangélico na tevê quando, de repente, e sem querer, Magnólia soltou um punzinho daqueles bem discretos, mas fedorento pra burro. Para disfarçar, ela segurou o nariz do namorado, apertou bem e, sacudindo-o repetia:

      – Amor lindo! Amor lindo! Lindo, lindo, lindo…

      Tadeu deu o troco na hora. Segurou também o nariz da namorada, apertou e sacudiu do mesmo jeito:

      – Podre, podre, podre, podre…

 

Reforço na farofa

      O velho Joventino Malaquias sempre teve fama de avarento. De modesto bodegueiro no bairro do Pinheiro, ele subiu à condição de promissor comerciante no ramo de lanchonetes, bares e restaurantes, na zona litorânea da cidade. Antes de assentar os cabelos, ele chegou a possuir oito lanchonetes, cinco bares e cinco restaurantes. Seu “Jovem”, conforme era chamado, fazia questão de tudo. Até dos centavos.

      Certa ocasião, ele se achava numa de suas lanchonetes quando entrou lá um freguês com pinta de bacana, que tinha acabado de descer de um carrão zerado. Dirigindo-se à ele, o bacana pediu:

      – Um refrigerante e uma empadinha, por favor!

      Seu Joventino levou para o freguês o refrigerante num copo e a empadinha numa grande bandeja, explicando:

      – Esta bandeja é para aparar os farelos!

      O cliente abriu os olhos surpreso e em seguida elogiou:

      – Excelente! Estou vendo que esta é uma lanchonete que prima pela higiene. Nas outras, a gente come uma empada e os farelos ficam em cima das mesas, dos balcões, caem pelo chão, sujam a roupa da gente… Aqui, pelo que eu estou vendo, o senhor recolhe os farelos com esta bandeja para depois jogá-los no lixo… Muito bem!

       Aí, seu Joventino esclareceu:

       – Não senhor! Não é nada disso que o senhor está pensando. Os farelos voltam para misturar na farofa. Aqui, não se perde nada, meu amigo!