Ailton Villanova

3 de junho de 2015

Um xarope bem a propósito

      Ele nasceu numa casinha modesta de uma espécie de condomínio chamado “Cagar-é-luxo”, inserido num cantinho simpático da confluência Cambona/Bom Parto. Cursou o primário no Grupo Escolar Cincinato Pinto, localizado na rua General Hermes, um pouco mais pra lá da igreja de Nossa Senhora do Bom Parto, na direção do bairro do Mutange. Seu destino ficou sacramentado quando seu pai lhe assentou o nome de Alcólio José. O padre não quis batizá-lo com esse nome e então ele ficou “pagão” até os dias atuais.

      O reverendo, hoje falecido, sabia das coisas:

      – Não batizo a criança com esse nome terrível! É mau agouro! Alcólio é sinônimo da mais terrível das bebidas, a cachaça!

       Mas o pai, seu Etílio, se manteve firme no propósito de não substituir o nome do filho por outro.

       – Alcólio é um nome lindo! Tirei de um livro antigo. O nome do meu filho vai ser esse, e pronto!

       O sacerdote estava com a razão. Quando completou 12 anos, Alcólio tomou o seu primeiro porre. Foi na conclusão do curso primário, época em que o Natal estava batendo à porta dos cristãos. Daí pra cá, o cara não parou mais de beber.

        Inteligente, Alcólio concluiu o curso colegial, entrou para a Faculdade de Direito e ao cabo de 5 anos graduou-se com louvor. Pouco tempo depois de haver colado grau, passou no concurso de habilitação para a OAB e foi exercer a profissão de causídico no interior, por livre opção.

       Mas só atuava biritado, sob o seguinte argumento:

       – Eu sou que nem pavio de candeeiro: só funciono direito quando estou “queimado”.

       Sua fama de mata-borrão começou a circular pelo Agreste, de cabo a rabo. Até que bateu nos ouvidos do juiz Oitívio Pantaleão, que era mais duro do que beira de sino.

      – No dia em que esse advogadozinho entrar no meu tribunal embriagado, eu mando botá-lo no xadrez. – prometeu o magistrado.

       Logo, Alcólio ficou sabendo da promessa do juiz e no dia em que teve de enfrentá-lo, no Tribunal do Juri, já chegou prevenido: levava no bolso do paletó uma garrafinha marrom, cujo rótulo indicava que era uma espécie de remédio.

        O júri fervendo e o juiz de olho no advogado que, de vez em quando, tirava uma colher de sopa do bolso, despejava nela um pouco do líquido da garrafa, despachava goela a dentro e estalava a língua. Em seguida, deitava falação.

      A certa altura, bastante intrigado, o magistrado perguntou ao advogado:

      – O que vossa excelência tem nesse vidro, cujo líquido bebe com tanta frequência e fervor?

      Alcólio respondeu já um tanto “calibrado”:

      – Isto é remédio, excelência. É um xarope para equilibrar a voz. É muito bom! Quem me indicou foi meu saudoso pai. Quer experimentar uma colherada?

      Ele achou que o juiz não ia aceitar a proposta. Mas o juiz aceitou. Ele tomou a primeira colherada, achou a bebida gostosa e repetiu a dose. Repetiu mais uma vez, duas vezes, três vezes, até que esvaziou a garrafa. Aí, ordenou ao advogado:

       – Manda buscar outra, doutor!

       Veio outra, mais outra e outras mais… E o julgamento varou a madrugada com todo mundo na maior farra. Inclusive o réu, que por sinal foi absolvido.

 

Matador indulgente

      Durante uma farra de final de semana, o Alcolínio resolveu se abrir com o colega Joel Aruba:

      – Vou te falar um barato, meu chapa… uma vez quase matei a minha sogra!

      – Pô, meu, que trágico! Ainda bem que tu num matou!

      – Pois é, me deu uma dó danada… Aí, eu enterrei ela viva mesmo!

 

Aprendendo de ouvido

      O português Joaquim mostrava uma orelha cheia de bolhas e feridas a um amigo, num barzinho praieiro. Aí, chegou um terceiro que, reparando naquilo, quis saber saber do que se tratava:

      – Ô portuga, quê que houve com a tua orelha? Foi um acidente?

      – Foi não. É que estou a aprender a tocar violão de ouvido!

 

A capital de Sergipe

      Na sala de aula a professota Cecy Dília arguia o alunado:

      – Patrícia, qual a capital de Sergipe?

      Depois de pensar um pouco a menina respondeu:

      – Não sei, professora!

      E dona Cecy:

      – Eu vou lhe dar uma dica: uma parte do nome é uma coisa que a gente come.

      A garota pensou mais um pouquinho e…

      – Já sei! Aracaju!

      Ao lado da garota, Cacá, o pentelho, comentou:

      – Eu pensei que fosse Cuiabá, professora!

 

E quem diria o quê?

      Um certo Estrogonóvio foi ao médico com a intenção de submeter-se a um checape. Exames feitos, o esculápio voltou à presença do cara com os resultados do laboratório:

     – Você está em boa forma para 40 anos!

     E o Estregonóvio:

     – Eu disse que tenho 40 anos?

     – E quantos anos você tem? – perguntou o médico.

     – Fiz 53, na semana passada.

     – Puxa! Quantos anos tinha o seu pai quando morreu?

     – Eu disse que o meu pai morreu?

     – Desculpe. Quantos anos tem o seu pai?

     – Oitenta e quatro!

     – Oitenta e quatro? Que bom! E quantos tinha o seu avô quando morreu?

     – E eu disse que ele morreu?

     – Desculpa de novo. E quantos anos ele tem?

     – Cento e três. E tá muito bem de saúde!

     – Fico feliz em saber. E seu bisavô? Morreu de quê?

     – Eu disse que ele morreu? Meu bisavô tem 128 anos e vai casar semana que vem.

     – Agora já é demais! – explodiu o médico. – Por que um homem de 128 anos ia querer casar?

     – Eu disse que ele queria casar? Ele tem que casar!