Ailton Villanova

2 de junho de 2015

Que crime, que nada!

Que crime, que nada!     Nicomedes Branchur é um amigão. Unha e carne com o radialista aposentado José Carlos Campos, é pau pra toda obra. Na juventude tentou ser atleta do CRB, sua agremiação do coração. Para ele não importava a modalidade. Importante era vestir uma camisa do alvirrubro pajuçarense. Branchur passou por todos os planteis do Regatas – futebol, volibol, basquete, remo, snipe… Não ficou em nenhum deles. Conformou-se com uma singela carteirinha de sócio.

     Apesar de boêmio, Branchur nunca foi de se embriagar com bebida alcoólica, ou com qualquer outro tipo de droga. Nos anais do saudoso bas-fond do Jaraguá, é citado com destaque e louvor, por conta disso.

     Belo dia, o José Carlos Campos inventou de comemorar seu aniversário e promoveu uma festa arretada na Pajuçara. Convidado, é claro que Branchur se fez presente. Foi nesse dia que embebedou-se pela primeira vez, a ponto de cometer um delito, coisa que jamais imaginou fazer na vida. Manhã seguinte estava se apresentado ao doutor Carlomano de Gusmão Miranda, então delegado titular da 2a.Delegacia Auxiliar de Polícia da Capital, cuja sede ficava na praça Dois Leões, bairro do Jaraguá:

     – Doutor, cometi um crime e vim me entregar!

     E o Carlomano:

     – Que tipo de crime? Furto? Roubo? Assassinato?

     – Assassinato!

     – Você matou quem?

     – Matei a minha sogra. Dei-lhe uma porrada no pé do ouvido, ela saiu rodando, bateu com a cabeça no degrau da cozinha e esticou as canelas…

     – Por que a porrada?

     – Porque ela me chamou de bêbado vagabundo.

     – Acusação séria, meu nego! Você bebe?

     – Nunca bebi, mas caí na besteira de fazer isso, na festa de aniversário de um amigo…

     – Nesse caso, a porrada fez sentido. Aliás, toda sogra tem a mania de acusar injustamente os genros…

     – Pois é, doutor. Dessa vez dona Bisantina passou da conta…

     – O nome dela é Bisantina? E depois que ela morreu, o que foi que você fez? 

     – Peguei o cadáver dela, botei nas costas e enterrei, eu mesmo, num terrenozinho que eu tenho, pegado ao cemitério de Jaraguá.

     – Que coração! Olha, você é um grande humanista! Parabéns! Outro teria levado o cadáver pro IML, pra ser enterrado como indigente!

     – Repare bem, doutor… Enquanto eu enterrava a velha, tive a impressão que ouvi ela gritar: “eu estou viva, eu estou viva!”

     – Disse-o bem. Você “teve a impressão”! Só a impressão! Não leve em conta esse detalhe, rapaz! Sogra gosta muito de fazer um drama, só pra impressionar! Agora, pode ir sossegado!

 

 

Mulher-navio

 

     Dois velhuscos, amigos de longas datas, batiam um papinho no “senadinho” da Rua do Comércio.

     – Adamastor – disse o primeiro -, estou pensando seriamente em me separar.

     – Mas o que é isso, Olegário? Separar por quê?

     – Eu não aguento mais a minha mulher!

     – Paciência, rapaz! Casamento é o porto onde os navios se encontram e seguem navegando juntinhos… Não é lindo? – filosofou o Adamastor.

     E o Olegário:

     – Ah, agora entendi tudo! Veja só o meu azar: encontrei logo um navio de guerra!

 

 

O siri valente

 

     A morena toda gostosa desceu o morro do Jacintinho e dirigiu-se à praia de Cruz das Almas. Estendeu sua toalha na areia, deitou-se para pegar aquele bronze e agarrou no sono. Nisso,veio um pelanco de siri, muito do sacana e – zipt! – entrou na “peça” localizada entre as pernas dela.

     Chegando em casa, a morena começou a sentir uma coceira danada na genitália e resolveu procurar um médico.

     – Você é virgem? – perguntou o esculápio.

     – Claro, né, doutor?

     – Então, passe esta pomada aqui que sara!

     Dois dias depois, a morena voltou ao médico e reclamou que a coceira continuava. Então, ele receitou um creme mais poderoso. Nada. A peça continuou coçando. O doutor prescreveu outro creme adubadíssimo, fabricado no Japão. Dessa vez quem estava apavorado era o facultativo:

     – Olha, minha filha, pra esse seu mal só existe um remédio…

     – E qual é, doutor?,

     – Você vai ter que perder a virgindade urgente!

     – O senhor tem certeza?

     – Absoluta!

     A morena saiu alucinada do consultório, pegou um bêbado que estava dando sopa na calçada e o levou para o motel mais próximo. Sem entender bulhufas do que estava acontecendo, o pinguço reparou naquele mulherão na sua frente e se preparou para mandar brasa. Então, ela advertiu:

     – Vai devagar que eu sou virgem!

     Assim que o bebão deu início a penetração na “parte reservada” da moça, o siri, que continuava lá dentro, agarrou no bilau dele.

     – Aaaaaaiiiii! – berrou o pinguço – tirando o bilau.

     Ao safar-se daquela situação constrangedora, o bêbado viu o siri no chão, com as garras levantadas, em posição de ataque. Aí, ele deu o brado:

     – Qualé, ô clitóris?! Vai encarar?      

 

 

A mulher era dele!

 

      Dentro de um carro estacionado no cantinho mais escuro do coqueiral da orla de Cruz das Almas, um casal se achava no maior dos amassos. Pega daqui, pega dali, já estavam quase indo pros finalmentes, quando apareceu um sujeito e começou a dar pontapés e esmurrar o carro. Era o Correínha.

     O cara que estava no carro, pinoteou fora e partiu pra cima do Correínha:

     – Quê que há, filho da puta? Tá pensando que o carro é seu?

     – O carro, não! Mas a mulher é minha, porra!

 

 

Futuro finado

 

     Num determinado hospital privado, um paciente muito do cretino dava a maior cantada na enfermeira gostosona que cuidava da sua saúde:

     – Tô gamadão em você, minha gata! Por mim, eu não saía mais deste hospital. Aliás, eu nem quero ficar bom…

     – E não vai ficar mesmo, seu pilantra! Aquele médico fortão que acabou de ver você passando a mão na mina bunda é o meu marido!