Ailton Villanova

23 de Maio de 2015

Ôba! Putada nova!

     Milionário falido, o velho Agamenon Copérnico ainda mantinha sinais de sua antiga riqueza: um belíssimo palacete, onde morava, no local mais afastado do bairro do Tabuleiro. Belo dia, respeitável cidadão da sociedade local o procurou com uma proposta tentadora:

     – Amigo Agá, eu sei que você está passando por sérias dificuldades financeiras e esta sua mansão bem que poderia lhe render um bom dinheiro.

     – Vender minha casinha? Nem pensar! – reagiu o velho, enfebriado.

     – Eu não falei isso, Agá. A idéia é outra. Escute-a, por favor: você bem que poderia me alugar esse palacete tão bonito, tão vazio, apenas às sextas-feiras…

     – Pra quê? 

     – Bom… digamos que é para eu dar umas festinhas pros amigos mais chegados. É coisa muito reservada, muito privada, para pessoas de muita responsabilidade, entende?

     – Bom, se é assim, eu topo!

     Contrato assinado, as sextas-feiras prometiam ser bastante alegres na casa do velho Agá.

      De fato. Todo final de noite da quinta-feira, a turma já começava a pintar no local. Só dava gente bacana, conforme prometera o locatário. O negócio prosperou a tal ponto que o velho Agá voltou a sorrir, coisa que não fazia um bom tempo. Dentro dos portões da mansão, e entre as quatro paredes da fortaleza, a sacanagem reinava adoidado. Até seu Agá participava delas, na qualidade de convidado especial. Os bacanais se repetiam com tanta intensidade que o contrato de aluguel do imóvel teve de ser reajustado. Ao invés de só as sextas-feiras, o sábado também passou a ser usado pelos habituês safadões.

      Acontece que, belo dia, uma ricaça, inocente esposa de um dos frequentadores do local, botou na cabeça a idéia de fazer a festa de aniversário de 50 anos de casamento naquele local. O marido tentou resistir à idéia, mas, devido a insistência da cara-metade, aquiesceu com uma condição: que a festa das bodas de ouro fosse realizada na segunda-feira e justificou o motivo, inventando uma mentira qualquer.

      No dia da festa, embora num começo de semana, os convidados acorreram em massa à mansão de seu Agá. Convidados importantes de todas as plagas nordestinas – Recife, Natal, Fortaleza, Aracaju, etc. -, fizeram fila em frente ao palacete.

     Quando os enormes e suntuosos salões da mansão se abriram, a grafinada começou a entrar. Seu Agamenon, que fazia as vezes de mestre-de-cerimônia, recebia a turma na entrada do casarão. Em dado momento, ele identificou entre os convivas, um velho amigo ricaço, que era chegado a uma safadeza. O dito cujo, muito elegante, ingressava no ambiente de braço dado com a esposa. Seu Agá, olhou pro amigo, deu uma risada, abriu os braços e disparou:

     – Putaquipariu, Aristófanes! Já ví que, com você presente e esse bando de putas cavernosas, a festa hoje vai ser de foder!

 

 

Cantada muito da cagada!

 

     Viúvo, o funcionário público estadual aposentado, Aristides Pereira era um velho muito do safado. Próximo a rua residência, no distrito da Cambona, residia uma viúva rabuda chamada Elizabete Damásio, mais conhecida como dona Liu, pela qual era gamadão. Não tinha uma vez que ele deixasse a dita cuja sem uma cantada. Em troca, o velho sempre ouvia uma resposta grosseira da viúva, mas ele não estava nem aí!

     Bela noite, retornando da missa na igreja dos Martírios com algumas amigas, dona Liu avistou de longe seu Aristides e se preparou para repelir mais uma de suas investidas. E passou por ele pisando firme.

      – Boa noite também se usa, minha santa! –  observou o velho safado.

      Fula da vida, dona Liu se virou pro aposentado e lascou lá:

      – E o cu?

      Aristides respondeu:

      – Cu é pra peidar e pra cagar. Você é pra eu amar!

 

 

Não queria ser igual à mulher?

 

     O negócio daquele viadão era movimento. Como as coisas pra ele andavam paradas, ele entendeu de botar um anúncio no jornal, nos seguintes termos: “Faço tudo, tudinho, o que uma mulher faz. E não cobrou um centavo a mais, por isso”.

     A bicha velha quase desmaiou de emoção quando apareceu na sua porta um galegão de olhos verdes, tipo atlético, que soltou aquele vozeirão:

     – Você garante que faz tudo… mas tudo mesmo?

     – Tu-di-nho, amooorrr!

     – E não cobra nada?

     – Nadica de nada!

     Depois de uma semana, a bicharoca encontrou na rua com uma colega, que perguntou, cheia de curiosidade:

     – E aí, Valdinha, como foi com aquele rapagão fortão e lindão?

     – Ah, ele me levou pra casa, trancou a porta e só me deixou sair de lá depois de cinco dias!

     – Nooossa, que loucuuura, santa! Que delírio, meu amorrr! Me conta o que ele fez com você.

     – Ele me botou uma vassoura na mão, apontou pra um tanque de roupa suja e mandou ficar cozinhando e lavando a louça!

 

 

Sentiu só a borracha queimando!

 

     O Marconaldo já estava ficando doido com a frigidez da esposa, dona Gelatina. Ouvindo um amigo a respeito, concordou com a idéia deste, no sentido de que madame poderia estar com medo de engravidar. De modo que resolveu entrar no que seria o jogo dela: comprou uma caixa de camisinhas e, à noite, chamou a mulher “pros acordos”.

     Lá pelas tantas, hora e meia de vai-e-vem, Marconaldo já estava cansadão de tanto esforço físico e transpirando por todos os poros. Deu uma paradinha, encarou a mulher e perguntou:

     – Você não está sentindo nada, minha filha?

     E ela, meio vacilante:

     – Não… Espere aí… Acho que estou!

     – O quê? – perguntou o Marconaldo, ansioso.

     – Tô sentindo um cheiro de borracha queimada!

 

 

A pressa complicou os dois

 

     Dois caras caras ocupavam camas, lado a lado, na UTI do Hospital Geral.

     Entre gemidos e esforço tremendo, um deles falou pro outro:

     – Puxa, meu irmão, quê que aconteceu com você?

     – Caí do alto de um edifício… – respondeu o indagado, mal podendo respirar. – E qual foi o seu caso?

     – Meu caso? Infarto do miocárido! Eu imaginei preparar uma arapuca pra minha mulher. Disse que ia viajar e voltei à noite para flagrá-la com o amante. Acontece que a coitadinha estava só. Aí, muito puto, descarreguei minha raiva e frustração no freezar do quarto… Peguei ele e joguei pela janela! Nessa hora tive o infarto!

      O outro enfermo reagiu mais puto ainda:

     – Ô cara! Você é mesmo um filho da puta muito precipitado! Se tivesse olhado dentro do freezer, nenhum de nós dois estaria aqui, nesta situação!

 

 

Trafegando no limite da velocidade

 

     Estando tranquilo no seu posto de observação, o policial rodoviário encontrou, em dado momento, um motivo para ficar preocupado: é que ele avistou, adiante, um carrinho trafegando em baixíssima velocidade. Como vinha em sua direção, resolveu pará-lo. Para sua surpresa, dentro do carrinho viajavam cinco velhinhas. Então, ele falou para a que dirigia:

     – Vovó, a senhora sabia que andar devagar demais também pode provocar acidente?

    E a velhusca:

    – Mas, seu guarda, eu estava no limite de velocidade… Olhe alí a placa.

    – Aquela é a placa  que indica o número da estrada, BR 040. Vaou deixar a senhora ir se prometer ter mais atenção. Antes, posso lhe perguntar se as demais estão bem? Parecem tão asustadas!

    – Elas já vão melhorar, me filho. Acabamos de sair da BR 262.