Ailton Villanova

20 de Maio de 2015

Foi fundo e não deu!

     “Caboco” distinto e decente, sem vício nenhum, Jeorbedias Galisteu viveu tranquilão até completar 40 anos de idade. Depois daí, começou a ouvir uma vozinha renitente, cochichando no seu ouvido. Um dia, saiu de sua casa, no interior, e deslocou-se até a capital para tratar de assuntos de seu particular interesse. Quando passava pela rua do Comércio, escutou a tal da voz dizer: “Entra aí nessa loja e compra o bilhete que estiver pendurado à direita da porta. Vai, que dá!”

     Jeorbedias olhou para um lado e para o outro, não viu ninguém, confiou na voz, entrou na loja e comprou o tal bilhete. Era um bilhete da Loteria Federal. Horas mais tarde, voltou lá e viu que tinha ganho o primeiro prêmio.

     Feliz da vida, saiu da loja com um checão de muitas cifras no bolso. Depositou uma parte no banco, correu até a concessionária de veículos mais próxima e comprou o carro mais caro e bacana que lá existia. Entrou no bichão e saiu disparado. Eis que lá na frente, num cruzamento, o sinal mudou de cor bruscamente. Abriu-se o sinal amarelo e quando ele ia pisando no freio, escutou a voz novamente:

     – Vai, que dá!

     Jeorbedias foi. Na hora exata que o semáforo fechou, ele passou a 140km por hora, sem o menor perigo.

      Jeorbedias Galisteu já devia estar a uns 200 quilômetros por hora, quase na saída da cidade, quando se deparou com uma curva fechadíssima. E a voz:

      – Não reduz, não. Vai que dá!

      Confiante, o cara afundou o pé no acelerador e entrou na curva, cantando pneus.

      Ei-lo na estrada, fagueiro, voando baixo, sem sentir os pneus no asfalto. Ele reparou que no final da reta apareceu um fusquinha a 50km por hora. E ele a mais de duzentos.

      Jeorbedias reduziu a marcha e resolveu esperar o momento exato para ultrapassar o tartaruguinha. E ouviu a voz:

       – Ultrapassa, rapaz! Ultrapassa, que dá!

       – Mas tem uma curva alí na frente! – respondeu ele, duvidando.

       – Eu estou dizendo que dá! – insistiu a voz.

       Ele nem discutiu mais. Ligou o pisca-pisca, enfiou o pé na tábua do acelerador, pegou a faixa da esquerda e mandou ver.

       – Vai que dá! Vai que dá! – incentivava a voz eufórica; ele já a 280 por hora.

       Nesse exato momento, surgiu em direção contraria uma carreta de duzentas toneladas, e Jeorbedias só teve tempo de ouvir a voz dizer:

       – Chiii! Não vai dar, não!

 

 

Puxou a cordinha, a bomba explodiu!

 

     Hiroshima, 1945. A cidade inteiramente arrasada, tudo fumegando, as tropas de salvamento correndo para todos os lados, socorrendo feridos e recolhendo mortos. Cavucam daqui, cavucam dalí, e eis que uma das turmas de salvamento levanta uma viga pesada e remove a porta de um banheiro.

      Lá dentro do cômodo, sentadinho no vaso, um japonezinho nu, encolhidinho, com duas mãos na cabeça, os olhinhos mais fechados ainda.

      –  O que é que você está fazendo aí? – perguntou um dos salva-vidas.

      – Nada, non. – respondeu o japinha. – Eu non fiz nada, non. Sentei no vaso, non? Fiz serviço, non? Quando acabei, puxei a cordinha da descarga, e voou tudo pelos ares!

 

 

 O resultado das más companhias

 

     Militares de uma guarnição da Radio Patrulha flagraram um colega de farda, biritadíssimo, dando a maior alteração na zona do meretrício. Detiveram o infrator e o levaram à presença do Sargento de Dia, no QG da corporação. Este deu a bronca:

     – Irresponsável! Como é que você dá uma bandeira dessa, rapaz?

     E o milico, mal se pondo de pé:

     – É o seguinte, chefia… eu ganhei um litro de conhaque numa rifa. Aí, convidei dois amigos pra gente sair por aí com o litro…

     O sargentão que também era chegado a um pileque, deu o berro:

     – E daí?

     – Daí que nenhum dos dois bebia, sargento. Só eu!

     Ao que o graduado completou:

     – É isso que eu digo. Nunca se deve andar com más companhias. Tá vendo o resultado?

 

 

Consertando: só metade é burra!

 

     O ex-parlamentar e ex-governador cearense Ciro Gomes é um político extremamente inteligente e famoso pela sua destemperança verbal. É dono, também, de uma presença de espírito incomum. Certa feita, fazia uma de suas conferências no interior de São Paulo, para uma platéia de boçais. A certa altura, reagiu de modo grosseiro à interferência intempestiva de uma pessoa do auditório, que quis aparecer para a pela galera:

     – Tenho que admitir que metade desta platéia é composta de gente burra!

     Ah, pra quê! Foi aquele auê! A turma protestou com veemência, inclusive o prefeito. Aí, Ciro Gomes teve a oportunidade de mais uma vez exercitar a sua presença de espírito: levantou os braços, pediu calma, fez-se o devido silêncio e então ele disse:

     – Está bem. Desculpem-me. Eu retifico: metade dessa platéia é composta de gente inteligente!

     Ciro Gomes foi aplaudido estrepitosamente durante uns quinze minutos, principalmente pelos burros.

 

 

Tudo certo e sem trôco

 

     Osmarzinho, menino treloso, compareceu à paróquia a chamado do padre Eraldo:

     – Olha, meu filho… sua mãe anda se queixando que você não para de soltar palavrões. Pois bem, a partir de hoje, cada palavrão que você pronunciar, vai ter que dar um real para a igreja. E, se no final do mês não vier acertar as contas comigo, eu lhe excomungarei. Você, então, irá para o inferno!

      Um mês depois, Osmarzinho apareceu na paróquia com um caderninho onde os palavrões estavam anotados, e o entregou ao reverendo, que somou e cobrou:

     – Aqui tem 99 palavrões!

     O menino entregou pro padre uma nota de 100 reais. Este, então, retrucou:

     – Eu não tenho um real para lhe dar de trôco. No próximo mês a gente desconta.

      E o menino:

      – Precisa descontar não, padre. O senhor vai pra puta que o pariu e está tudo certo!

 

 

Imaginação criativa da ouvinte

 

     Uma madame ligou para determinada emissora de rádio a fim de responder a uma pergunta do locutor, que não era outro senão o José Bartolomeu, o grande Babá.

     – Oi, dona Baunília! Quanto anos a senhora tem?

     – Eu tenho 60, Bartolomeu.

     – Que maravilha! Uma cabrocha sessentona! Pronta para responder?

     – Prontíssima!

     – Então, lá vai, dona Baunília: Há um país que tem duas sílabas no nome e uma delas é uma coisa muito boa de se comer. A senhora sabe que país é esse?

     – Sei sim. É Cuba.

     Bartolomeu ficou mudo por alguns segundos e arrematou:

     –  Dona Baunília, a senhora vai levar o prêmio pela criatividade,  mas aqui na minha ficha está escrito Japão.

 

 

As mulheres do velhinho

 

    Seu Abrôncio Pacheco, vetusto dos seus quase 90 anos, inventou de casar com uma mocinha de pouco mais de vinte. Fogoso a vida inteira, dessa vez ele andava meio inseguro. Achava que já não era mais o mesmo. Então, procurou um amigo que era médico e desabafou:

     – Sabe, Eustáquio, ando com medo que as coisas não saiam como espero. O que você acha que devo fazer?

      O médico, então, resolveu tirar uma onda com o velhinho:b

      – Acho que o jeito é o senhor arrumar alguém pra morar com vocês e servir de amante.

      Meses depois, o vetusto tornou a encontrar o amigo médico e revelou, todo contente:

      – Você não sabe da maior, Eustáquio… A minha mulher está grávida!

      – Então, o senhor seguiu o meu conselho sobre o amante, hein?

      E o ancião:

      – Pois é… arrumei uma amante e o pior é que ela também está grávida!