Flávio Gomes

13 de Maio de 2015

Fiofó de arrasto

     Bem pertinho da propriedade do fazendeiro e delegado de polícia aposentado Paulo Brás, no município de Major Izidoro, existia uma grande depressão no terreno que nas épocas invernosas se transformava num açude.

     Um certo dia, caiu lá dentro um trabalhador rural chamado José Rosário e se não fosse a providencial intervenção do negrão José Otílio, o Tilião, o infeliz teria virado finado.

     Acostumado a andar na região bem à vontade, dado o fato de que conhecia muito bem o caminho das pedras, Zé do Rosário trastejou e caiu dentro do açude. Como não sabia nadar, ele ficou engolindo água e gritando por socorro. Um monte de gente mergulhou na água represada e num instantinho o coitado foi arrastado para fora. Como não sabiam o que fazer com ele, os salvadores ficaram olhando um para a cara do outro. Nesse momento chegou o crioulão Tilião, montado num cavalo, e gritou para a patota:

      – Deixa ele comigo que eu sou bom nessa tal de respiração boca a boca. Aprendí com os bombeiros, lá em Arapiraca!

      Dito isto, Tilião saltou do cavalo e debruçou-se sobre o afogado. Em seguida, botou a sua boca na boca do infeliz e shhhuuuuiiipt… deu um chupão enorme, ecoante, e, bluft, cuspiu um litro de água pro lado. Outro chupão ainda maior – shhhuuuiiiiipt e vupt! Água que não acabava mais! Foi quando pintou no recinto um baixinho amarelinho, carinha xoxinha, cabelinho lisinho caindo na testa, que tocou no ombro do negão e falou:

       – Ô moço, iscutaqui! Acho mais milhó vosmicê tirá o cu desse dizinfiliz de dentro da iágua, sinão vai secá o açude!

 

 

Muitas testemunhas mas…

 

     Arrolado como testemunha de um crime de estupro, o pedreiro José Severino, mais conhecido como Biu, encontrava-se diante do delegado de polícia que apurava o fato.

     – Por favor, conte tudo o que o senhor sabe. – pediu a autoridade.

     E a testemunha:

     – Bem, doutor, eu vi tudo por acaso. Sou um homem sério!

     – Acredito. Como foi o fato?

     – Eu estava no alto da escada, assentando os meus tijolinhos, quando vi o cara chegar ao apartamento da vizinha e tocar a campanhia. Achei normal.

     – E depois?

     – Depois, ví a mocinha abrir a porta e o cara invadir o apartamento e agarrá-la!

     – Continue!

     – Depois, eu vi quando ele retirou a saia dela.

     – Sim. E depois?

     – Depois eu vi ele tirar o resto da roupa da mocinha.

     – Sei, sei… E então…

     – Então, ela ficou peladinha e o cara deu um pulo em cima dela…

     – Aí?

     – Aí não vi mais nada!

     – Mas era dia!

     – É que a escada não aguentou, doutor!

     – Ôxi! Não aguentou por quê?

     – Porque tinha mais de vinte companheiros lá em cima,

 comigo!

 

 

Cornos iguais

 

     Correínha via televisão na sala de estar quando, de repente, sua adorada mulher Margô passou por ele toda cheirosa e rebolativa. Naquilo que ela botou a mão na maçaneta da porta da rua, para sair, ele falou:

     – Já vai né? Pensa que eu não sei pra onde você vai? Sei, sim.  Ah, você pensa, também, que não sei que está me traindo com o seu chefe? Mas eu não me importo, por causa da grana que ele gasta com você!

      A mulher virou-se e respondeu com desdém:

      – Vocês homens são todos iguais! O seu amigo Nereu me disse a mesma coisa!

 

 

Uma refém indesejada

 

     Um magote de bandidos invadiu o casarão do empresário Euripidiano Matoso, que fica num dos locais mais ermos e distantes da Capital, o loteamento Maciel.

     O ataque se deu de madrugada. Em casa encontrava-se apenas dona Audísia, sogra do empresário, e as empregadas domésticas Coriolana e Quitéria. Euripidiano e a esposa haviam saído para uma festa.

     Quando o casal voltou de manhã, encontrou a residência toda revirada e as duas criadas no maior chororô.

     – O que foi que houve? – perguntou o patrão.

     As domésticas contaram todo o drama que viveram e acrescentaram que haviam levado a velhota Audísia como refém.

     Hora e meia, mais ou menos, o telefone tocou na casa assaltada e o Euripidiano atendeu. Do outro lado da linha um sujeito falou:

     – Olhaquí, meu! Aqui é um dos sequestradores da velhota daí! Quem é que tá falando? É o dono da casa?

     – É, sim.

     – A gente quer saber onde é que pode deixar a sua sogra…

     – E quanto ao resgate?

     O meliante apressou-se:

     – Precisa não. A gente só quer saber onde é que pode deixar a sua sogra… Alô?… Alô?… Alô?…

 

 

Camisinha dá sono no pinto!

 

     O negrão Roblênulo Cloraldo arrumou um emprego de vigia noturno numa construção civil. Mas, para ter sua documentação legalizada perante a empresa, tinha que submeter-se ao exame médico.

     Sabe como é médico clínico. Pergunta tudo da vida do cara. E esse doutor não poderia ser diferente. Mal botou o olho no negrão, foi logo interrogando:

     – O senhor transa com tudo quanto é de mulher? Qualquer uma?

     – Bem, doutor… quando as nega 'tão a fim de dar, né?… eu chego junto e mando brasa! É fatal!

     – Cuidado com a Aids, rapaz! Essa doença mata!

     – Tô por dentro, doutor.

     – Escute aqui… De agora em diante, o senhor só vai ter relações sexuais usando camisinha. É pro seu bem!

     – Falou, doutor.

     Uma semana depois, o negrão Roblênulo estava de volta ao médico:

     – Eu vim aqui, doutor, pra lhe dizer que transar de camisinha num tá com nada!

     – Mas por quê?

     – O caso é o seguinte: quando eu coloco ela na “peça”, a “peça” pensa que é touca e só quer saber de dormir!

 

 

Pior do que imaginou!

 

     O movimento de pessoas e veículos automotores na frente e ao lado da igreja de São Pedro, na Ponta Verde, era grande. Trânsito engarrafado, aquela confusão!

      No meio daquela movimentação toda vai passando o biriteiro conhecido como “Catreváge”, que parou espantado e ficou balançando que nem pêndulo de relógio de parede. A uma madame finória que estava por perto, ele perguntou:

     – Que tumulto danado é esse aí na igreja, dona? Será que é briga?

     E a madame, entronchando a cara:

     – Qual é a briga, meu senhor? Tá bêbado? Isso aí é um casamento!

     O bebão cuspiu de lado e exclamou:

     – Putaquipariu! É pior do que eu pensava!

 

 

Melhor outro animal!

 

     Dona Eurípeda é uma senhora muito distinta. Verdadeira dama. O marido Auriolânio é um tremendo boêmio. Bem dizer mora na rua. Só baixa em casa pra dormir.

     Dia desses, cansada de viver sempre só, dona Eurípeda tomou uma iniciativa: ligou para um pet-shop e pediu ao gerente Severino Tavares:

     – Moço, eu gostaria de adquirir um animal para me fazer companhia. Um animal bastante caseiro. O que o senhor me sugere?

     E o Tavares:

     – Vejamos… A senhora tem filhos ou marido?

     – Só marido. Mas ele não serve. Prefiro outro animal