Olívia Cerqueira

22 de Abril de 2015

A esperança

Tem dias que a gente acorda com aquela sensação estranha, o aperto no peito, como se o mundo tivesse pesando em seus ombros. E a gente tem que respirar fundo, contar até dez, fazer o exercício de treinamento com o cérebro, para a paciência e a persistência; não desistir e seguir em frente.

Eu tenho isso de vez em quando: uma sensibilidade que ainda não entendi, quando algo está para acontecer ou já aconteceu. Não, eu não me sinto uma estrangeira em meu território, mas é uma situação que não sei explicar.

 

Uma vontade incontida de chorar e chorar bastante, de deixar fluir todo esse sentimento que me aperta o peito e que me traz algumas reflexões que me levam às lágrimas, ao ver uma simples mensagem na tela do computador; uma mensagem de amor, seja ela de que forma for.

E vem aquela sensação imensa de querer conhecer o mundo que eu não conheci, de dizer que: eu existo, que sinto, que quero; um instante de renovação interior, de necessidade de me desfazer de muita coisa que já não tem serventia, de me despojar de sentimentos que não sejam do bem, para depois me recompor e me refazer.

Incomoda algumas cenas de agressividade: eu não quero ser testemunha de nenhuma delas, seja ela contra crianças, animais e pessoas. Cecília Meireles disse que “liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que a explique e ninguém que a entenda”.

Talvez seja essa liberdade que existe dentro de mim, esse sentimento que sempre nutri, de ser livre, que esteja reclamando de algo que ainda não fiz e que preciso fazer. E como foi pouco o que fiz em relação ao que sonhei!

Não preciso de uma análise mais aprofundada para saber que sempre fui idealista, sonhadora. Sonhava com viagens, em conhecer o mundo, pessoas, culturas diferentes, concluir meu curso de línguas e fazer outros e nada disso eu fiz.

E talvez seja aquela luzinha que existe dentro da gente que está dando sinais de que não tenho muito tempo e que não vou ter capacidade para realizar tudo o que sonhei.

E como diz Mirela Meira Ribeiro em sua tese de mestrado, “mesmo as palavras, aquelas que se apertam na garganta, que dilaceram o estômago, que contaminam o fígado”, às vezes ficam impedidas de sair, porque a gente não sabe como dizê-las, ou se precisa dizê-las para alguém, que pode não entender a tua necessidade de expressão, o teu caminhar.

E vem a certeza de que muitas vezes, e quase sempre, é melhor o silêncio, a reflexão e o desabafo interior, cá com nossos botões, procurar distrair aquela intuição com muito trabalho, muita leitura, música, não procurar descarregar frustrações nas outras pessoas e saber que amanhã é um outro dia e você poderá ser melhor do que o agora, de que a esperança ainda existe em seu coração.