Ailton Villanova

15 de Abril de 2015

Olha o divórcio aí, Arsênio!

     Que diabo deu na cabeça do Arsênio, para ele chegar cedo em casa? Fora dos seus hábitos, e para surpresa de madame Eribalda, o infeliz ingressou todo lampeiro no lar, aí por volta das 20 horas e, mal acabou de desfazer o nó da gravata e depositar o paletó no cabide, a mulher saltou de lá, toda acêsa:

     – Ahhrrrááá! Chegou cedo, hein? Que milagre foi esse? Por acaso está doente?

    – Estou ótimo! 

    – Ah, é? Pois muito bem. Vai ter que sair comigo! Hoje, eu quero desfilar pela noite…

     – Que invenção é essa Baldinha?

     – Invenção coisa nenhuma! Estou pretendendo ir à uma boate, e não adianta dizer que não me leva! Chega de ficar presa em casal!

     – Acho que você ficou maluca!

     Dona Eribalda não estava maluca coisa nenhuma. Ela estava, sim, muito decidida e ninguém a demoveria da idéia de foguetear pela noite afora. Nem o marido que, a contragosto, acabou cedendo ao seu capricho.

     Pegaram um taxi, porque o Arsênio, cheio de má vontade, alegou estar muito cansado para  dirigir. No meio do caminho, perguntou pra ela:

     – Pra onde diabos você quer ir, porra?

     – Vamos para a Boate Pajuçara! – determinou ela, de venta empinada.

     Arsênio se arrependeu de ter perguntado. Logo a Pajuçara, meu Deus! O taxi parou na porta da boate e antes que ele pudesse fazer qualquer sinal para o porteiro, este correu pra cima dele, de braços abertos:

     – Boa noite, doutor Arsênio! Vamos entrando!

     Arsênio gelou e disfarçou. A mulher caladinha. Lá dentro, o maitre avançou todo solícito:

     – Doutor Arsênio a sua mesa de sempre está à sua espera!

     Constrangido, Arsênio olhava para os lados, um monte de gente lhe cumprimentando na maior intimidade e os garçons, muito gentis, servindo uísque sem perguntar a marca. E a mulher de bico calado, só na dela.

      No fim da noite, Arsênio se retirava com a esposa, quando o porteiro chegou avisando:

      – O seu taxi o aguarda, doutor!

      Ele e a mulher entraram no taxi, e foi aí que ela resolveu abrir o bocão:

      – Gostei de ver, seu canalha! É aí que você faz os seus serões, não é? Sim, senhor! E a imbecil aqui, quietinha em casa, cheia de chifres. Enquanto isso, o senhor, os amigos e não sei mais quem, na  farra, não é, seu cretino? Foi bom eu ver a boba que eu sou! Você não presta mesmo, eu devia saber disso!

      E não havia meio do Arsênio fazer a mulher calar a boca. A proporção que Eribalda ia falando, mais o seu histerismo crescia. Até que o motorista do taxi perdeu a paciência com ela e parou o carro. Em seguida, virou-se pro Arsênio e indagou:

      – Doutor, se o senhor quiser, eu boto essa puta pra fora do carro, na base da porrada!

 

 

A grande surprêsa da sogra!

 

     Dona Estriquinina, sogra do Meliácio, durante anos sofreu de um incômodo chato pra cacete: surdez. Por conta disso, Meliácio tirava a maior chinfra com a coitada que, por sinal, não gostava dele.

     Meliácio passou quase dois meses sem ver a sogra, porque esta andava viajando. Uma noite, ele via o jogo pela televisão na sala de estar, quando a porta se abriu e a sogra entrou toda entusiasmada, e não o cumprimentou. Então, Meliácio resolveu, como sempre, divertir-se às custas da velhota:

     – Voltando da gandaia, hein, velha safada?

     E a sogra, sorridente e feliz: 

     – Não, seu canalha! Estou voltando do médico que me curou a surdez!

 

 

Rio, que terra hospitaleira!

 

     Do Rio de Janeiro, para onde havia viajado, pela primeira vez, com sua estonteante e gostosa esposa Nistatina, o entusiasmado Dióxido telefonava para o primo Eudinácio:

     – Bicho, não te conto! Esse Rio de Janeiro é um lugar espetacular! Que povo maravilhoso!

     – É mesmo, primo?

     – Tô te falando, meu! Em que lugar do mundo  se pode encontrar uma pessoa desconhecida e te convida para jantar num restaurante de luxo, me diga?

     – Acho que em lugar nenhum. Aconteceu com você?

     – Não aconteceu comigo mas aconteceu com a Nistatina. Aqui é assim! Me responda mais: em que lugar no mundo se coloca uma mansão à disposição de quem nunca viu na vida? Em que lugar se vê tanta hospitalidade?

     – Pelamordedeus! Não me diga que isso tudo aconteceu com você, Dióxido!

     – Não aconteceu comigo, mas o foi mesmo que tivesse acontecido…

     – E com quem foi?

     – Lógico que foi com a minha mulher. Com aquela sua simpatia, a Nistatina fez amizade com uns rapazes cheios da grana, que a têm tratado como uma raínha! Posso reclamar do Rio?

 

 

Não é gorjeta, mas é suborno!

 

     Notório pão duro, o comerciante Afiganisteu Vespúcio vivia protestando contra um negócio legal chamado gorjeta.

     – Gorjeta é a coisa mais humilhante do mundo, minha gente. Devia ser proibida por lei!

     Ocorre que, uma noite, ao sair de uma boate, ele foi flagrado pelo amigo Orcélio colocando uma nota de 100 reais na mão do auxiliar da portaria. Aí, o Orcélio pegou firme:

     – Ô cara, você não vive dizendo que é contra gorjetas?

     – Shiii! Você não viu que ele me deu uma tremenda jaqueta da couro?

 

 

A cartomante estava certa!

 

     Aquele cara, o Sindulfo, se ligou no barato das cartas ainda pequeno. Aprendeu a mania com a mãe, a finada dona Hipoclorita. Pra tudo ele consultava uma cartomante. Um dia, apareceu no bairro de Bebedouro, onde morava, uma profissional das cartas que previa o futuro apenas com uma olhadinha no baralho. Sindulfo foi na casa da madame e ela abriu o verbo:

     – Olha, meu filho, as cartas estão mostrando que você está a fim de uma morena lindíssima… Hummmm… xovê… Ah, tem uma senhora que vai ficar sabendo e vai criar o maior caso!

     E o Sindulfo:

     – Tô sacando. É a minha mulher!

 

 

Um rabo já chega!

 

     Mal elemento, e bêbado muito do abusado, o Alcolidro subiu no ônibus, parou no meio do salão e soltou o verbo:

     – Tô a fim de um rabo!

     Foi aquele alvoroço. A passageirada toda, indignada, se levantou pra pegar o inconveniente, e este recuou:

     – Calma aí, turma! Eu só quero um!