Ailton Villanova

14 de Abril de 2015

Toda educação tem limite

     Ex-seminarista, professor, Montezuma Negromonte era um preto distintíssimo. Até determinado dia, ele jamais havia esboçado o menor gesto de recalcado ou manifestado o instinto preconceituoso. Educado ao extremo, sempre dispensou tratamento igual à todos.

     Numa determinada ocasião, atendendo sugestão de uma plêiade de amigos, ele resolveu lançar-se candidato à deputado estadual. O seu primeiro comício ele programou para ser realizado em pleno Sertão, ali pelas imediações de Delmiro Gouveia.

     Trepado numa carroceria de caminhão, improvisada como palanque eleitoral, ele iniciou a sua oração:

      – Meus conterrâneos… Caros amigos!

      Nesse momento, um gaiato muito do sem-vergonha, gritou do meio da multidão:

      – Cala a boca, crioulo!

      Montezuma não se perturbou. Com dignidade, interrompeu o discurso e, virando-se na direção de quem havia gritado, falou com enorme superioridade:

      – Crioulo?! Disse-o bem. Sou crioulo com orgulho, pois foram os crioulos, com seu braço forte, que deram início à agricultura neste País…

      Montezuma Negromonte pensou que tinha esmagado a galera mas, antes que a frase terminasse, lá veio outro insulto:

      – Cala a boca, negão!

      – Negrão, sim! – bradou ele, mais uma vez em cima da bucha. – Sou um negrão forte, altivo, pois pertenço a uma bela raça. Saiba que é do negro que vem a beleza da música; a doçura da nossa raça!

       – Cala a boca, preto!

       – Preto? Perfeitamente! – rebateu com segurança. – Sou preto e, se não fosse o preto, nós não seríamos campeões do mundo!

       Dito isto, olhou superior para o público admirado com sua presença de espírito. Ele já ía retomar o discurso, quando mais uma vez o gaiato disparou novo insulto, nova gozação:

       – Cala essa boca, tição!

       – Tição?! – aí Montezuma deu uma paradinha. – Tição? Bem… Tição! Ora… Tição é o cu da puta que o pariu!

 

 

O pior exemplo de sêca

 

     Dois bons camaradas, trabalhadores da construção civil, tomavam uns birinaites na orla lagunar. O cenário era a birosca do Nego Dino.

     – Estou bastante preocupado com o pessoal lá em casa… no Ceará. – disse um deles, de repente.

     O outro quis saber o motivo de tanta preocupação:

     – Qualé o problema?

     – O problema é a seca. Lá, tá pior do que aqui em Alagoas.

     – Mas isso não é novidade nenhuma! Todo ano a sêca lá é uma parada!

     – Mas este ano a coisa está muito pior!

     – Como é que você sabe?

     – Meu irmão escreveu.

     – Contou?

     – Contar, não contou, não, porque ele não gosta de me deixar preocupado. Mas o selo da carta veio pregado com alfinete!

 

 

Nadar não pode. Afogar-se, pode!

 

     O pinguço caminhava pela borda do Salgadinho, com destino a Avenida da Paz. Tão biritado estava que tropeçava nas próprias canelas. De repente, numa topada mais violenta, perdeu o equilíbrio e caiu dentro d'água. Nesse momento ía passando uma dupla de guardas municipais, cada um pedalando a sua bicicleta. Um deles parou e berrou pro infeliz que se afogava:

     – Ei! Você tá maluco, rapaz? Você não tá vendo que não pode nadar nessa água poluída?

     E o cara, morre não morre:

     – Glub… glub… Tô nadando não, seu guarda! Glub… Eu tô me afogando!

     – Ah, bom. Então pode!

 

 

Solução muito sábia

 

     No divã do analista Aristolino Modesto, o sujeito muito tímido se abria:

     – Sabe, doutor, meu sonho era ser compreendido por todos!

     E o analista, bem baixinho:

     – Saco!

     – Meu sonho era me comunicar, ser ouvido, entendido…

     E o analista entre dentes:

     – Merda!

     E o chato:

     – Me diga, doutor… como é que eu posso fazer para ser ouvido por todos, ao mesmo tempo?

     E o especialista com o saco no pé:

     – Faz o seguinte, porra: pega um catálogo telefônico, soma todos os números e disca o resultado!

 

 

Testemunha x testemunha

 

     Muito do ousado, o ladrão Afanázio Dozzotros, apesar de ter sido de ter sido preso em flagrante, insistia em negar o delito perante o delegado Benígno Portela (o Peninha), aquelas alturas putíssimo com o safado:

     – Minha equipe pode trazer pelo menos uma dúzia de testemunhas que viram você entrar no banco, de arma em punho, para assaltá-lo !

     E o meliante:

    – Grande coisa, doutor! Eu também posso trazer milhões de pessoas que não viram nada!

 

 

Melhor beber depois!

 

     Antes da cirurgia, o médico Edergundes Carposo, profissional criteriosíssimo e bastante ético, lavou as mãos com muito cuidado e em seguida pediu a uma das suas assistentes:

     – Álcool, por favor.

     A velhota que ía ser operada ouviu o papo e entrou em pânico:

     – Pelamordedeus, doutor! Não dá pro senhor beber depois da operação?

 

 

A mulher do Correínha é demais!

 

     Num barzinho da orla jatiuquense, depois de um bate-bola, três amigos falavam de assuntos particulares. De repente, um deles, estimulado pelo álcool, descambou para um papo mais particular ainda:

     – Porra! Minha mulher é burra pra cacete! Imagine que ela comprou uma bicicleta de 18 marchas e nem sabe dar uma pedalada!

     O segundo animou-se:

     – Pois fique sabendo que a minha mulher é muito mais burra. Ela mandou construir uma piscina lá em casa e sequer sabe nadar!

     O terceiro amigo era o tal de Correínha, que contou a sua:

     – A minha supera a de vocês dois. Burra igual àquela não existe. Vejam só: antes de viajar de férias com umas amigas, ela comprou um monte de camisinhas! Pra quê, se nem pinto ela tem!