Ailton Villanova

12 de Abril de 2015

Igualzinha a mãe!

 

     Famigerado no interior de Alagoas, não só pela grana que possuía, mas também pelo seu destempero e grossura, “coronel” Diocleciano Ferreira tinha uma única filha, Margarida, que era a coisa mais linda do mundo. Seu corpo era pra matar de inveja qualquer “miss mundo”. Mal completou 18 anos, ela caiu de amores pelo rapagão Duribaldo Monteiro, antigo colega de escola, que retribuiu a paixão. No mesmo dia em que anunciou viria estudar na Capital, ele prometeu à donzela:

     – Pode esperar por mim, meu amor. Eu voltarei pra me casar com você!

     Dito e feito. Anos mais tarde, formado em medicina, Duribaldo retornou à terra natal e encarou o velho coronel:

     – Eu vim pedir a mão de sua filha em casamento, coronel Dió.

     – Quem é você, rapaz? – retrucou o velho fazendeiro.

     – Eu sou o Doribaldo Monteiro, filho da professora Alcidésia.

     – Você já formou?

     – Já sim, senhor.

     – Formou em quê?

     – Em medicina. Sou médico.

     – Hmmmm… Dotô médico, hein? Tá ganhando bem?

     – Muito bem.

     – Tem patrimônio?

     – Tenho algum.

     – Sabe falar quantas línguas?

     – Bem, coronel, eu falo um pouco de inglês e francês, mas não estou entendendo por que essas exigências.

     – Escute aqui, rapazinho… você conhece a minha menina?

     – Claro que conheço! Eu a adoro!

     – Pois, então? Tá pensando o quê? Eu quero o maior casamento do mundo pra essa menina. Ela é o meu orgulho. Derna que a mãe dela morreu, que eu resolvi criá-la como uma rainha. Tenho que ser exigente. Você vê: tem alguma menina na cidade mais bonita que ela?

     – Tem não.

     – Pois, então? Eu tenho que ser exigente mesmo. Ela é a mais bonita de todas, estudou no melhor colégio daqui, fala inglês, francês, esse tal de espanhol, italiano, sabe cozinhar, bordar, tocar piano, cantar e declamar. E além disso, meu menino, se puxar a falecida mãe, num tem trepada igual na redondeza!

 

 

Com certeza, futuro doutor

 

     Muito descontraído, o contador Eurípedes Poliedro assistia, em casa, pela televisão, o seu Palmeira jogar. Enquanto reparava nos lances da partida futebolística, ele bebia goles e mais goles de cerveja. Adicionava a isso, o seguinte barato: pegava o amendoim do tiragosto, para o alto e aparava com a boca. Em dado momento,  sua mulher o chamou da cozinha. Ele virou o rosto para responder e aí aconteceu o acidente: um caroço de amendoim caiu dentro de um dos seus ouvidos. Aí, começou o sufôco, para retirá-lo!

     Eurípedes molhou a camisa de suor tentando tirar o infeliz do ouvido. Até que cansou. Aí, a esposa entrou na jogada. Tentou, tentou e não conseguiu retirar o amendoím.

     – Acho melhor a gente ir pro hospital! – rendeu-se a esposa.

     Nesse momento, sua filha e o namorado saiam do quarto.

     – O papai está indo pra onde, maínha?

     – Ele está indo ao hospital. Um amendoím caiu dentro do ouvido dele! – respondeu a mãe.

     – Será que eu posso ajudar? – ofereceu-se o namorado da filha.

     Eles comcordaram. Então, o rapaz colocou os dois dedos nos buracos da venta do Eurípedes, tapando-os. Em seguida, pediu:

    – Sopre bem forte, seu Eurípedes!

    Eurípedes soprou e o grão saltou do ouvido.  Os namorados foram à rua e a mulher comentou com o marido: co

    – Que rapaz inteligente, esse namorado da nossa filha, não é Euripinho? Que será que ele vai ser quando crescer? Será que vai ser médico?

    – Com certeza . E pelo cheiro dos dedos, ele vai ser ginecologista!

 

 

Tatuagem perigosamente útil

 

     O simpático e inteligente Sindulpho resolveu aderir à onda da tatuagem. Estando de folga num sábado de manhã, ele procurou um tatuador e disse que estava pretendendo fazer a minitatuagem de uma nota de 100 reais na chapeleta.

     O tatuador, profissional bastante responsável, explicou que o local escolhido para a tatuagem era muito sensível e que poderiam ocorrer complicações. Mesmo com a explicação, o Sindulpho insistiu:

     – Mas não abro mão de ter a nota de 100 reais tatuada bem aqui, na cabeça do pau!

     E o tatuador:

     – Eu não deveria fazer isso. Mas se o senhor me der três razões fortes, eu faço a tatuagem.

     Então, o Sindulpho argumentou:

     – Tá bem. Olhe só: a primeira é que minha secretária gosta muito de mexer em dinheiro; a segunda, é porque eu quero que o dinheiro cresça e a terceira é porque minha mulher chupa todo o meu dinheiro para depois colocá-lo na poupança.

 

 

O poder da mente

 

      Depois da décima broxada consecutiva, dona Gerúndia aconselhou o marido:

      – Onofre, tenho uma simpatia infalível para você curar esse seu incômodo…

     – E que simpatia é essa? – indagou o infeliz. 

     – É a seguinte: toda noite antes de se deitar, vá ao banheiro, fique de frente para o espelho e repita vinte vezes: “Não sou impotente… Não sou impotente”. Eu curei uma enxaqueca terrível assim.

     Depois disso, toda noite o Onofre se trancava no banheiro uns dez minutos e fazia os exercícios, segundo os ditames da simpatia. Em poucas semanas estava totalmente curado.

     Meses depois, dona Gerúndia resolveu conferir se o marido ainda fazia os exercícios. Assim que ele se trancou no banheiro, ela se aproximou, encostou o ouvido na porta e escutou ele dizendo:

     – Essa não é a minha mulher… Essa não é a minha mulher…

 

 

Tremendo babaca

 

     Proprietario de uma fazenda no interior de Minas Gerais, o bonitão Irgonálvio Pinto, viajava com destino à referida, pilotando sua possante caminhoneta. De repente, caiu o maior temporal, o mundo escureceu e ele ficou sem enxergar um palmo diante do nariz. O remédio foi encostar o carro embaixo de uma árvore, mas era perigoso ficar ali, sujeito à intempérie, carregada de relâmpagos e trovões. De modo que saiu caminhando por alí, até que encontrou uma casinha e resolveu pedir pousada. O dono da casa era um velho, que morava com a filha mocinha. Depois de examinar o Irgonálvio, o velho falou:

     – Óia, seu moço… A casa é pequena e num tem lugá pr'ocê… Mas cê pode iscolhê: ficá aqui no alpendre ou vai drumí no paiol cum a Biluca.

     Aí, Irgonálvio pensou: “Biluca? Deve ser uma cabrita ou uma vaca”. E respondeu:

 

     Na manhã seguinte, o velho levou o café pro visitante e perguntou:

     – E aí, seu moço? Drumiu bem?

     – Dormí sim, senhor.

     Nisso, apareceu uma mocinha linda, cheirosíssima, muito gostosa, vestindo uma camisola transparente, espreguiçando-se toda. E o velho:

     – Ah, moço… deixa apresentá a minha filha. Cumprimenta o moço, filha.

     – Muito prazer… Sou a Biluca!

     E o Irgonálvio, muito puto:

     – E eu sou o Babaca!