Ailton Villanova

10 de Abril de 2015

Todos filhos da puta!

     O coletivo corria na rodovia interestadual e o garoto, sentado numa das poltronas da parte dianteira, não parava de chorar. Seus soluços começaram a incomodar os passageiros. Em dado momento, um deles não se segurou e perguntou:

     – Por que está chorando tanto, meu filho?

     Entre lágrimas e fungadas, o garoto respondeu:

     – É que eu descobrí que minha mãe tem um amante!

     Choque geral. O cara que fizera a indagação pensou um pouco e voltou a falar, a título de consolo:

     – Chorando por um motivo tão tolo, meu garoto? Deixa isso pra lá. Olha, eu sempre soube que a minha mãe tinha um amante e nunca me importei.

     – Claro. – intrometeu-se o passageiro que se achava na poltrona de trás. – Isso é abslutamente normal. Minha mãe também teve uma porrada de amantes.

     Mais outro passageiro entrou na jogada, tentando também consolar o menino:

     – Os amigos aí estão certos. Chorar por tão pouco, meu filho…

     E o garoto, parando de se lamentar:

     – O senhor também…

     – Também. Minha mãe era uma parada! Tinha um amante atrás do outro.

     – O senhor não ligava?

     – Ligar o quê! Mãe é assim mesmo. Olhe pra mim. Não está vendo que eu sou um cara feliz? Mãe ter amante é a coisa mais normal neste mundo.

     Estavam todos ligados nesse papo quando, lá do fundo do coletivo, se levantou um sujeito grandão, que berrou:

     – Peraí, minha gente!

     Todo mundo se ligou no cara e ele completou:

     – Será que nesta merda de ônibus o único que não é filho da puta sou eu?

 

 

Amigo e traidor íntimo

 

     O delegado José Rangel Ataíde Wanderley interrogava um sujeito acusado de ter praticado um homicídio:

      – É verdade que foi senhor quem matou mesmo a sua mulher?

      E o interrogado:

      – Matei sim, senhor.

      – E o que tem a dizer em sua defesa?

      – Bem, doutor, eu tenho a dizer o seguinte… eu voltei pra casa um pouco mais cedo que de costume e aí flagrei a safada da mulher na cama com o meu melhor amigo, o Tonhão. Isto é tudo!

      – Só isso e nada mais?! Nada a dizer sobre esse Tonhão, seu amigo? O que aconteceu com ele, depois do flagra e dos tiros que você deu na mulher?

      – Seguinte, doutor… eu apontei o dedo pra ele e disse: “Gostei de ver a sua traição, Tonhão. A partir de hoje não me chame mais de amigo!”

 

 

Cauteloso pra mais da conta!

 

     Primeira vez que veio à Maceió, o matuto Sidrônio Fedegoso, natural de Ouro Branco, foi atropelado por um trem, nas proximidades do mercado público da Levada. Quase morreu!

     Depois de ter passado mais de três meses internado no HPS, recebeu alta. Só que ficou traumatizado com o ocorrido.

     Anos depois voltou à Capital e foi preso, acusado de ter destruído a vitrine de uma loja de brinquedos, na Rua do Comércio. Na delegacia de polícia, explicava ao delegado porque agira daquele modo:

     – O causo, dotô, é qui quando eu ia passando pela loja, vi lá no fitêro um pelanquinho de trem. Entonce, eu tive qui matá o bicho logo de piquinininho pra ele num fazê cum as pessôa o qui o pai dele fêis cumigo!

 

 

Bebedor muito esperto

 

     Bastante apreciador de bebidas alcoólicas, o Agramenor começou a ter problemas de saúde. Então, teve de recorrer ao médico José Dias da Silva:

     – Sinto náuseas, dores por todo o corpo, boca seca…

     – Você fuma? – perguntou o esculápio.

     – Uns cinquenta cigarros por dia.

     – Aí está o problema! – definiu o doutor. – Pare de fumar imediatamente e voltará a ter uma saúde de ferro . Nem vou lhe passar remédio. Pode ir!

     Já fora do consultório, dona Acrimelda, sua esposa, que a tudo assistira, censurou:

     – Você nunca fumou na vida, Agramenor! Por que a mentira?

     – Se eju dissesse que não fumava ele ia me perguntar se eu bebia… Aí, adeus cervejas, vinhos, uísques, cachaças…

 

 

Português bastante gozador

 

     Dono de padaria, Manuel Farias Prata tinha um caso com a vizinha do lado, que era casada com um caminhoneiro. Toda vez que o cara viajava, o lusitano aproveitava para tirar o pau da miséria.

     Certa noite, ele estava no maior amasso com a mulher do caminhoneiro, quando, de repente, ela escutou o barulho do caminhão estacionando na frente de casa. Apavorada, falou pro Manuel:

      – Meu marido! Ele tá chegando! Depressa, começa a gozar!

     Prontamente, Manuel pulou fora da cama, abriu a janela e gritou:

     – Cooorrrnnnooo! Coorrrnnnooo!

 

 

Perdão pela precipitação!

 

     Abriu-se a porta do elevador no sétimo andar e aí entrou um sujeito biritadíssimo. Era o tal de Alcolênio Etílio. No elevador já se achava um finório casal e, naturalmente, o ascensorista.

     Mal o bebão se posicionou dentro do elevador, ele soltou um pum. Mas foi um pum tão fedorento e estrondoso que abalou as estruturas do elevador. Refeito do choque, o bacana, tirou a mão da venta e reclamou:

     – O senhor não tem vergonha? Fazer isso na frente da minha esposa?!

     E o pinguço:

     – Mil perdões, doutor. Eu não sabia que era a vez dela!

 

 

O médico foi quem mandou!

 

     O Tricolino não é nenhum Jotajó, mas está sempre cometendo as suas burradas. Dia desses chegou ao trabalho, logo cedo da manhã, no maior porre. O chefe dele, doutor Nicanor, deu a bronca:

     – Mas que negócio é esse, Tricolino? O que foi que lhe deu pra chegar ao trabalho nesse estado?

     E ele, de lingua engrolada:

     – A culpa é do médico… Foi ele quem me mandou ficar desse jeito!

     – O médico?! Mas, como assim?

     – Eu fui me receitar, certo? Cheguei lá, ele me examinou, certo? Aí, escreveu uma receita, certo? Peguei a receita, e não entendi a letra do médico, que é ruim pra cacete, certo? Só consegui ler, no meio daqueles garranchos o seguinte: “Beba três vezes ao dia”…