Ailton Villanova

8 de Abril de 2015

Preferiu a morte do filho!

      Muito antes de se instalar no Tabuleiro do Martins, o Aero Clube de Maceió funcionava no bairro do Pinheiro, mais precisamente no distrito da Borracheira, que faz fronteira com o Mutange. Bem próximo, morava o judeu Isaac, que exercia a função de mascate e era bastante conhecido em toda a parte alta da cidade como um cidadão avarento. Mais famosa, era a calça cáqui que ele não tirava do corpo e cujos fundilhos tinham mais de quinhentos remendos.

     Isaac baixara por estas plagas lá pelos idos de 1945, época em que seus compatriotas e professadores da mesma doutrina que defendia eram dizimados, aos montes, pelo psicopata Adolf Hitler. Só tinha um filho, Jacó, que infelizmente morreu cedo, coitado, não em consequência da pertinaz asma de que sofria, mas por causa dela, deu pra entender?

     Eu explico:

     Fatídica manhã, Jacozinho só faltava subir pelas paredes, à procura de ar para respirar. Aí, um vizinho, sugeriu ao pai dele:

     – Seu Isaac, por que o senhor não leva esse menino para dar uma voltinha de téco-téco? É um santo remédio parar curar asma. O Aero Clube tão pertinho…

     – Será que isso cura mesmo?

     – Por que não experimenta?

     Isaac pegou o filho e levou até o Aero Clube. Lá, levou um papo com um piloto chamado Godofredo:

     – A senhor pode levar o meu filha Jacozinha bra dar um voltinha de avión? Só que Isaac não ter dinheira bra pagar…

     Reconhecendo o judeu pão duro, o piloto respondeu que voar de graça não seria possível.

     – Mas Isaac não ter dinheira e a voltinha de avion ajudaria a curar o asma de Jacozinha.

     Depois de muito relutar, Godofredo aquiesceu:

     – Tá bom, Isaac, eu levo. Mas nenhum dos dois pode berrar, gritar, ou demonstrar estar com medo. Se isso acontecer, você terá que pagar em dobro, tá bom assim?

     – Isaac aceita.

     Entraram todos no monomotor téco téco, amarraram os cintos de segurança e alçaram vôo. De imediato, o pilto passou a fazer acrobacias com o aparelho: loopings, vôos razantes, queda livre, o escambáu!

    Depois de ter feito todas as piruêtas possíveis e imagináveis, sem que houvesse a mínima reação do judeu, Godofredo resolveu aterrissar. Em terra, começou a elogiar a coragem de Isaac, que não deu um pio, sequer, durante as arriscadas manobras aéreas:

     – Parabéns! Realmente, você demonstrou muita coragem!

     E o judeu:

     – Isaac saber. Isaac só sentir vontade de gritar uma vez…

     – Em que ocasião?

     – Quando meu filhinha Jacó caiu do avion…

 

 

Distraído em todos os sentidos

 

     Seu Agamenon Alcobaça, sobejamente conhecido como “Seu Agá”, era um aposentado da Assembléia Legislativa, torcedor fanático do CSA, que residia no bairro do Trapiche da Barra. Um dia, subiu no ônibus que se destinava ao centro da cidade, esparramou-se numa das poltronas da frente e, quando começava a tirar uma soneca, foi tocado por uma passageira muito distinta:

      – Me desculpe, cidadão… o senhor está usando uma meia amarela e outra azul!

      E Seu Agá, depois de conferir o detalhe:

      – É mesmo, moça! Gozado é que lá em casa eu tenho um par igualzinho!

 

 

Ótimo dia pra vadiar!

 

    Num daqueles bancos do “senadinho” da Rua do Comércio, dois aposentados papeavam:

    – Quem diria, hein, Aristófilo? O dia ficou lindo!

    – É verdade, Nicomedes. É num dia assim que eu me arrependo de ter aposentado…

    – Ué! Por que, rapaz?

    – Porque se eu tivesse trabalhando, podia faltar pra aproveitar melhor o dia!

 

 

Todo cuidado é pouco!

 

     O Agapito Santana é chegado a uma gentileza, quando o alvo é uma mulher boa. A garantia é dada pelo filho dileto, o Nigel Santana, colega aqui da Tribuna.

     Belo dia, pintou na área do Agá uma bela e apetitosa morena coruripense e, depois de um bom papo, olha a dupla requisitando um rango esperto num badalado restaurante coruripense!

     Ocupando e melhor mesa, o casal aguardou fina e educadamente, a chegada do maitre. No que ele chegou, Agapito temperou a goela e mandou:

     – Meu amigo, por gentileza… qual o melhor e mais caro prato da casa?

     O maitre chamou o garçon, confabulou com este por alguns segundos, virou-se para o nobre freguês e respondeu:

      – Segundo o cardápio programado para esta data, nosso melhor prato é o bife com fritas, arroz napolitano, aspargo com respingos de alho tostado e suspiros de camarão…

      Agapito Santana respirou fundo e determinou:

     – Me traga tudo isso em dose dupla, tá falado? E… olha! Manda caprichar nos bifes!

     – Pois não, doutor.

     O pedido foi atendido em menos de meia hora. Mas, quando o garçom punha os pratos na mesa, a acompanhate do Agapito observou que o cara segurava os bifes de maneira inadequada. Então, reclamou:

     – Você está com os polegares nos nossos bifes!

     E o garçom, cheio de bronca:

     – A senhora não vai querer que eu deixe eles caírem de novo, vai?

 

 

Enterrou o pai bem enterradinho

 

     Todo choroso, Sidclay, aquele garotinho danado de treloso, aproximou-se da gostosura que tomava banho de sol, espichada na areia da praia de Pajuçara, e pediu:

     – Moça, por favor… me ajude a achar o meu pai!

     A boazuda compadeceu-se:

     – Oh, coitadinho! Perdeu o paizinho, foi meu anjo? Onde você o viu pela última vez?

     E o Sidclay:

     – Em algum lugar aqui da praia. Ele estava dormindo quando o enterrei!

 

 

O fim da folga do Nereu

 

     Na fila do caixa do shopping, dona Maria Onéssima conversava com uma amiga. Aliás, ela não conversava. Expunha planos para as suas próximas férias:

     – No ano passado eu fui para Aracaju e o Nereu se divertiu feito um louco! Um ano antes, minhas férias foram em Salvador e ele disse que nunca tinha passado um período tão maravilhoso em toda a sua vida. Este ano estou pensando em ir à Fortaleza, mas ele vai ter que ir junto!

 

 

Precipitadamente errada

 

     Toda nervosinha, Norminha Pacheco embocou numa sala de determinado edifício do centro da cidade e encarou o cidadão de branco que lá se achava:

     –  Doutor, pelo amor de Deus, me diga: O que há de errado comigo?

     O indagado respondeu:

     – Calma, moça! Primeiro, você deve perder uns 30 quilos. Segundo, ficaria melhor se você usasse uma roupa menos justa e, terceiro, sou dentista! O médico fica nessa sala ao lado!