Ailton Villanova

7 de Abril de 2015

Pegou a sogra e torrou viva!

     Depois que se aposentou do magistério, o professor Oquelézio Morais passou a integrar um grupo de cristãos enfronhados com o barato da assistência carcerária. Certo dia, visitando apenados no presídio estadual, deu de cara com um sujeito que lhe pareceu familiar:

      – Se a memória não falha, eu lhe conheço, meu rapaz!

      E o detento, de olho brilhando:

      – Claro que me conhece, professor. Bote o juízo pra funcionar!

      – Xovê… Huuummm…

      – Eu sou o Antiógenes, ex-aluno do senhor.

      – Espere aí… Ah, o Antiógenes! Você não é aquele que a turma costumava chamar de coveiro?

      – Isso mesmo, professor. Eu evoluí, sabe?

      – E você chama isso evolução? Desde quando você está cumprindo pena nesta casa?

      – Faz mais ou menos um mês, professor. Fui transferido da penitenciária de Avaré, em São Paulo. Vim cumprir pena aqui, porque estou perto de casa.

      – E qual foi o crime que você cometeu?

      – Torrei a minha sogra!

      – Torrou a sogra, como?!

      – Seguinte, professor: peguei a velha, metí dentro de um caixão fúnebre, botei numa kombi e me mandei com tudo pro cremtaório de Vila Alpina. Cheguei lá, mandei torrar a velha até virar cinza.

      – Ora, mas isso é uma prática comum, hoje em dia. Aliás, prática muito higiênica, por sinal. Não é crime cremar pessoas falecidas….

      – Mas aí é onde reside o problema, professor. Eu fui um pouco precipitado, digamos assim.

      – Como precipitado?

      – É que quando mandei a velhota pro fogo, ela ainda estava viva!

 

 

“Vamos dar um pau no professor?”

 

      Bastante à vontade no recesso do lar, o Neorbelânio lia o seu  jornal tranquilo, quando entrou na sala o filho caçula Juninho, com o boletim escolar na mão. O garoto foi curto e grosso:

      – Tirei zero em matemática, paínho!

      E o pai:

      – Bonito, não é Juninho? Zero em matemática! Que vergonha! No meu tempo, notas ruins assim eram punidas com uma bela surra!

      Juninho animou-se:

      – Falou, pai! Amanhã mesmo a gente pega o professor e dá um pau nele!

 

 

O genro que Deus lhe deu!

 

     Feliz da vida, dona Odalírbia comentava com uma amiga, na saída da missa dominical:

     – Hoje eu rezei muito para o meu genro, aquela criatura linda!

     – Não diga! Seu genro merece tudo isso?

     – Isso e muito mais! O Austregésilo é um santo. Imagine que ele acaba de anunciar que vai me dar uma passagem para o Japão!

     – Oh! Mas que emocionante, Odalírbia! E você vai sozinha?

     – Vou, claro! E meu genro já avisou que vai mandar a passagem de volta quando eu chegar lá.

 

 

Passageiro muito chato

 

     Altamente biritado, um certo Riforcino parou um taxi na praia de Ponta Verde, entrou no dito cujo e bateu a porta com força. O motorista não gostou e reclamou:

     – Porra! Você não sabe nem fechar uma porta!

     Riforcino ficou calado e o motorista arrancou com o carro. Mais

adiante, perguntou:

     – Pra onde quer ir?

     – Ora, se eu não sei nem fechar uma porta, como é que eu posso saber pra onde vou? Vai indo por aí…

 

 

Virou anjo. Está no céu!

 

      Duas velhas amigas, ambas aposentadas do serviço público, se encontraram na fila do banco. A primeira delas falou para a outra:

      – Puxa, Belenilda! Quanto tempo que eu não te via! Como vai a família?

      – Vai bem, graças a Deus, Orminda! Já faz mais de seis meses que a gente não se encontra, né?

      – É por aí…

      – Escuta, mulher… como vão os rapazes e moças?

      – Vão ótimos.

      – E o seu marido Algarítimo, ainda continua muito boêmio?

      – Ah, mulher, nem te conto. Ele agora é um anjo!

      – Graças a Deus! Quer dizer que ele, finalmente, ele resolveu  tomar jeito, hein?

      – Não é bem isso. É que ele foi procurar um vazamento de gás com um fósforo acesso e… explodiu!

 

 

Enxergou demais e lascou-se!

 

     Depois de uma farra alopradíssima lá pras bandas do Feitosa, os amigos Gribaldo “Sovaco de Cobra” e Esperidião “Cabelo de Sapo” retornavam pro bairro do Poço, onde residiam, caminhando pela margem do riacho do Reginaldo. De repente, Sovaco de Cobra perdeu o equilíbrio e caiu dentro daquele canal poluído e fedorento. Sem saber nadar, ele começou a gritar:

     – Socorro! Socorro!

     Esperidião Cabelo de Sapo não contou conversa: mergulhou no canal para salvar o amigo. Depois de engolir mais de 10 litros de água  podre, conseguiu resgatar o infeliz que, em terra firme, fez a seguinte revelação:

     – Incrível, cara! Cheguei a ver o céu com os anjinhos. Ví até São Pedro, mano!

     – Pôxa! Que legal! Viu tudo isso, mesmo?

     – Claro que ví! Eu ví até aqueles 10 reais que você tá me devendo!

     Esperidião Cabelo de Sapo empurrou o Gribaldo Sovaco de Cobra de volta… pra dentro do canal.