Roberto Baia

31 de Março de 2015

Unhas de fora

O secretário de Educação do Estado e vice-governador, Luciano Barbosa, não tem jeito. Se já não bastasse a vergonhosa e desastrada ação de implantação do passe livre, que levou o governador Renan filho a constrangidamente vetar no total um Projeto de Lei elaborado por Barbosa e aprovado na íntegra pela Assembleia Legislativa sem nenhum debate ou justificativa,  agora começa embrenhar-se e a meter o seu bedelho em outras pastas.

 

Novo Distrito industrial

 

E pasmem: Luciano das Arapiracas, finalmente, colocou as unhas de fora com a finalidade de influenciar no projeto de implantação do novo Distrito Industrial de Arapiraca, passando por cima da competência da Secretaria Municipal de Indústrias, Comércio e Serviço.

Essa artimanha é uma de suas características, aliada ao seu “charme” que costumeiramente usa para influenciar as mulheres e chegar ao poder.

 

 

Com governador

Na verdade, Barbosa tenta passar por cima das autoridades constituídas, apesar de ser aliado de ambos, já que o assunto está sendo tratado diretamente entre a prefeita Célia Rocha e o governador Renan Filho. É mais do que óbvio que esse projeto não é da de alçada da sua Secretaria de Educação e ele simplesmente coloca as garras de fora para mostrar a Alagoas que manda em Arapiraca.

 

Não foi falta de aviso

 

Durante a campanha todos avisaram desta postura do vice-governador, que a todo momento tenta provar que é mais preparado para o cargo do que o próprio Renan filho. A todo momento vem dando sinais claros de que irá tentar influenciar em todas as outras pastas, a partir das reuniões diárias que acontecem no gabinete de vice-governador em Maceió.

 

Estão de olho

 

Renan já está de olho, assim como a prefeita de Arapiraca, Célia Rocha. Afinal, não só Arapiraca como todo Estado de Alagoas está acordando para a intromissão nefasta de um político que só pensa em si próprio e que não respeita os aliados políticos e que faz de tudo para chegar ao poder.

 

Recife

A história recente do Recife seria marcada por uma grande tragédia se não fosse a coragem e determinação de um prático, uma espécie de guia de embarcações, chamado Nelcy da Silva Campos. No dia 12 de maio de 1985, ele evitou que parte da cidade fosse varrida do mapa ao rebocar para longe da costa o navio Jatobá, que pegou fogo no Porto do Recife e cujas chamas ameaçavam explodir o Parque de Tancagem do Brum, onde estavam armazenados 153 mil metros cúbicos de produtos inflamáveis.

 

Esquecimento

De acordo com os técnicos, uma explosão no local destruiria tudo num raio de cinco quilômetros, atingindo os bairros de Santo Antônio, Recife Antigo, Boa Vista, Brasília Teimosa e Pina. Quase 30 anos depois, busto em homenagem ao “Herói Pernambuco Contemporâneo”, como Nelcy Campos ficou conhecido, está no esquecimento.

 

 A história

 

A situação de risco começou por volta da 1h30 da madrugada de um domingo, quando um dos três tanques do navio petroleiro Jatobá explodiu, deixando a embarcação em chamas. Atracado no Porto do Recife, o navio carregava 1.500 toneladas de gás butano, conhecido como gás de cozinha. O pior é que o incêndio e as explosões em série poderiam atingir o Parque de Tancagem do Brum, que estava a 500 metros do petroleiro e armazenava mais de cento e cinqüenta mil metros cúbicos de produtos inflamáveis.

 

 Governador

 

Todo o efetivo do Corpo de Bombeiros do Recife foi mobilizado para combater o incêndio, mas os homens não conseguiram debelar as chamas, que chegavam a 20 metros de altura. A situação era tão grave que o então governador de Pernambuco, Roberto Magalhães, foi acordado às presas e teve que deixar o Palácio do Campo das Princesas, onde morava, localizado no Bairro da Boa Vista.

 

 Perigoso trabalho

 

Foi nessa situação que o prático da Barra do Recife Nelcy da Silva Campos, então com 54 anos, foi chamado às pressas em sua casa pelas autoridades responsáveis pela Capitania dos Portos. Ele chegou ao porto por volta das duas horas da manhã e, com a ajuda de alguns auxiliares, começou um perigoso trabalho. Distribuindo as ordens, chegou a serrar dois dos nove cabos do navio petroleiro, que estava ancorado no Armazém A-1.

 

 

Deu certo

Um desses cabos, que foi amarrado a outro de 200 metros, serviu para prender o petroleiro no reboque Saveiro. Para que a saída do Jatobá fosse possível também foi preciso movimentar os navios que estavam na frente e atrás dele. Só depois desse difícil trabalho, a embarcação em chamas pode ser rebocada para alto mar, onde não representava mais perigo para os recifenses. O petroleiro foi deixado à deriva a cerca de cinco quilômetros da costa.

 

 

Situação perigosa

Ao voltar ao porto, já na manhã da segunda-feira, dia 13 de maio, Nelcy Campos foi recepcionado pelo governador Roberto Magalhães, pelos amigos e pela família, que esperava ansiosa. Ao chegar, ele declarou: “Nunca me vi em situação tão difícil e perigosa, mas pensei logo na população. Mesmo sabendo que poderia morrer, parti para a operação”.

 

 … No dia 29 de setembro de 2003, Nelcy Campos foi homenageado em uma cerimônia alusiva ao Dia Mundial do Marítimo. O Comando do 3º Distrito Naval da Marinha do Brasil mandou erigir um busto de mármore em sua homenagem, junto ao Terminal Marítimo de Passageiros, na Praça do Marco Zero.

 

… Com a reforma do Porto do Recife, a estátua, obra do escultor pernambucano Demétrio Albuquerque, foi tirada do local e não se sabe, oficialmente, qual destino foi dado ao busto. 

 

  

… Nelcy da Silva Campos nasceu no Recife no dia 21 de janeiro de 1931. Trabalhou durante 25 anos como prático da Barra do Porto do Recife, ofício que aprendeu com o pai. Morreu no dia 27 de setembro de 1990, de causas naturais.