Ailton Villanova

31 de Março de 2015

Curandeiro muito avançado

     Nos idos de 1940, existiu, um pouco mais pra dentro de Delmiro Gouveia, um pai-de-santo chamado Deobaldo Grosélio, entretanto popularizado como “Pai Dedé”. Era um negrão que gostava de andar perfumado e cheio de penduricalhos folheados a ouro. Ao contrário de alguns da espécie, Dedé era chegado a uma criatura do sexo oposto, fosse solteira, casada, viúva, desquitada, preta, branca, rica ou pobre. Sobrou na sua área, ele traçava numa boa.

     Pois bem. O macumbeiro ganhou mais prestígio e cartaz na região, depois que andou curando vacas e bezerros atacados por uma moléstia mortal, desconhecida pelos mais categorizados veterinários sertanejos.

     Um dia, um dos mais ricos fazendeiros do Sertão, o major Agapito, estava a ponto de endoidecer por causa da tal doença que vinha dizimando algumas dezenas de exemplares de suas criações. Ele já havia chamado os melhores especialistas para salvar o rebanho e estes resultaram incapazes… Até que seu capataz lhe deu a dica:

     – Major Agá, eu tô sabendo que lá pras bandas de Delmiro tem um pai de santo que é bom demais na cura de animais. E num precisa nem ter os bichos por perto, cura de longe, mesmo!

     – E como é que ele faz isso, Olegário?

     – É na base da reza e da simpatia.

     O fazendeiro não esperou mais tempo. Pegou a mulher, montou na caminhoneta e os dois foram bater na casa do macumbeiro. Lá, major Agá explicou pra ele a situação.

     – Meu major – retrucou o pai de santo -, realmente a solução para o seu gado é a simpatia forte por demais, que eu vou fazer com o auxílio da sua mulher. 

     – E o que é que a minha mulher tem a ver com isso?

     – O senhor não vai querer o seu gado curado?

     – Ah, Pai Dedé, então faça logo essa simpatia!

     – Só que o meu majó vai ter qui sair do quarto…

     – Mas…

     A mulher interferiu, rapidamente:

     – Fica calmo, Agá! Pense no gado que vamos salvar.

     Insatisfeito o fazendeiro saiu do quarto, mas ficou colado na janela, escutando a simpatia. O macumbeiro rodeou a mulher e começou a incensá-la, falando algumas frases em iorubá.

     – Atenção que vem o mais difícil! – continuou ele – Agora, eu pego no cabelo e salvo os bezerros sem pêlo/ E agora eu pego na boca e salvo os bois da doença da vaca louca/ Agora eu pego no peito e salvo aqueles considerados sem jeito/ Pego na barriga e salvo a vaca rapariga/ Agora, eu pego na…

     Nesse momento, a janela se abriu e o coronel pulou dentro do quarto, gritando:

     – Êpa! Até aí tá bom, Pai Dedé! Pode deixar a vaca preta e o boi zebu morrerem em paz!

 

 

Maleta encrencada

 

     Naquela cidadezinha do interior, doutor Evalgínio Clivaldo era o único clínico que praticava a medicina domiciliar. Uma noite, o telefone tocou em sua residência. Quem ligava era o fazendeiro Algaróbio Botelho, porque sua mulher estava em trabalho de parto. O doutor pegou o carro e se mandou pra lá. Já no quarto, mandou o marido deixar o ambiente e se isolou com a parturiente. Os gritos dela eram fenomenais. Alguns minutos depois, o médico saiu do quarto, de onde se ouviam gritos cada vez mais fortes, e pediu para o marido:

     – Ô Algaróbio, você aí um martelo?

     Espantado, o fazendeiro foi até a garagem e pegou um martelo. O médico pegou-o com ar compenetrado e voltou pro quarto. Mas saiu alguns minutos depois, perguntando:

     – Algaróbio, por acaso você não teria uma faca?

     O marido passou às mãos do médico uma boa faca de churrasco, que voltou ao quarto ainda mais preocupado, mesmo porque os gritos da parturiente só aumentaram.

     Cinco minutos depois, doutor Evalgínio saiu de novo. Ele estava com o semblante carregado e pediu uma torquês, uma chave de fenda e uma serra de arco. Desta vez o marido não se segurou:

     – Que diabo é que o senhor está fazendo com a minha mulher, doutor?

     – Nada – respondeu o médico. – Ainda não consegui abrir a minha maleta. 

 

 

Uma questão de lógica

 

     O sujeito estava andando pelo centro da cidade quando, de repente, reparou em alguns relógios expostos na vitrina de uma loja. Entrou lá e foi logo dizendo pro cidadão que o atendeu:

     – Gostei muito dos relógios alí da vitrine. Estou pretendendo levar um deles.

     – Sinto muito, mas eu não vendo relógio. – respondeu o cidadão.

     – Como não?

     – Eu sou médico e trato de hemorroidas!

     – Mas, então, por que os relógios estão alí, expostos?

     – Você queria que eu colocasse o que na vitrine? Um cu, por acaso?

 

 

As rugas sumiram, mas…

 

     Madame Silicônia procurou o médico Turibaldo, porque estava preocupada com as rugas. Ele apresentou logo a solução:

     – Tenho um tratamento revolucionário para acabar com essas suas rugas. Eu coloco um parafuso no topo da sua cabeça, escondido no couro cabeludo. Aí, toda vez que aparecerem rugas, basta dar um pequeno giro no parafuso que sua pele é puxada para cima e as rugas desaparecem. Quer experimentar esse tratamento?

     – Claro, doutor! Isso é o máximo!

     Seis meses depois, a mulher voltou ao médico, reclamando:

     – Doutor, essa técnica do parafuso é ótima, mas apareceram essas bolsas horríveis embaixo dos meus olhos. O senhor devia ter me avisado desse efeito colateral!

     – Minha senhora, essas bolsas embaixo dos seus olhos são seus peitos. E se não deixar esse parafuso quieto, em quinze dias garanto que a senhora vai ter barba.

 

 

A dependência mudou!

 

     O sujeito vai ao médico para ver se resolve de vez o seu problema de dependência de charutos.

     – Doutor! Eu não consigo me deitar sem antes fumar um charuto, toda noite!

     O médico indicou ao paciente a técnica da aversão:

     – Já que o senhor adora um charuto, vou fazer com que tenha nojo dele. Toda noite, antes de se deitar, o senhor vai pegar um de seus charutos e enfiá-lo no reto. Em seguida, vai colocá-lo de novo na caixa e vai agitá-la de modo que não consiga distingui-lo dos demais. É evidente que, desse modo, o senhor não ousará mais fumar nenhum, com medo de pegar o charuto errado!

     – Obrigado pelo conselho, doutor. Vou tentar essa técnica hoje mesmo!

     Foi o que ele fez. Mas, três semanas depois, estava de volta ao consultório.

     – Ahn? O senhor outra vez? Não me diga que a tática não funcionou! Esse método sempre deu certo, mesmo nos piores casos de dependência!

     – Bem, de fato funcionou. Digamos que, pelo menos, consegui transferir a dependência…

     – O que o senhor quer dizer com isso? – indagou o médico.

     – Pois bem, eu não fumo mais charutos. Mas agora não consigo ir para a cama sem antes enfiar um charuto no rabo!