Ailton Villanova

28 de Março de 2015

Flatulência explosiva

     Sujeito bom e educado, o prestamista Flaconaldo Leobácio namorava a evangélica Maria Estriquinina, garota fina, comportada ao extremo. Todas as noites, o feliz casal ocupava cadeiras juntinhas, na porta da casa da moça. O papo dos dois girava em torno de amenidades e planos para o futuro. Numa dessas noites, Flaconaldo e Estriquinina cumpriam esse ritual quando, de repente, surgiu no ar aquele fedor de fossa destampada. A menina arregalou os olhos, prendeu a respiração e perguntou ao amado, depois que a catinga havia se dissipado:

     – Sentiu, meu amor?

     E ele, com a maior cara de inocência:

     – “Sentiu” o quê, minha flor?

     – O mau cheiro…

     – Sentí não. Perto de você só sinto o seu perfume.

     A garota emocionou-se com aquela declaração do amado, e o papo continuou normal por uns cinco minutos, mais ou menos. Depois disso, novo fedor. Dessa vez mais incrementado que o anterior. Estriquinina fez nova cara de nojo e indagou:

     – E agora, meu amor… sentiu?

     – A catinga?

     – Sim.

     – Senti nadinha.

     E prosseguiram conversando. Daí a minutos, bateu no Flaconaldo nova vontade de soltar mais um “pum” (era ele o autor das emanações pútricas anteriores) e, disfarçadamente, levantou a perna, de leve. Ocorre que, dessa vez, a flatulência escapou escandalosamente estrondosa – cabruuuummm! – e mais fedorenta ainda.

     Horrorizada, Maria Estriquinina, pôs de pé e explodiu:

     – Então era você, seu mal-educado! O tempo todo você estava me faltando com o respeito! Não faça isso comigo, Flaconaldo!

     E ele:

     – Calma, minha flor!

     – Calma o quê, seu moleque? Me respeite!

     Na ocasião das emissões flatulênicas do Flaconaldo, seu Oblúzio, pai da indignada jovem, cochilava na sala. Acordou-se com o último e pipocante peido. Pulou do sofá para o meio do aposento,  e equilibrou-se em cima das canelas ao escutar os gritos da garota. Estaria o namorado forçando a sua amada filha a fazer o que não devia?

     Seu Oblúzio não contou conversa: deu garra de um porrete, correu para a calçada e vibrou o instrumento na cabeça do infeliz, que caiu estrebuchando no chão.

     Enquanto Flaconaldo Leobácio era atendido no Pronto Socorro, o velho era autuado na Delegacia de Plantão (a finada Deplan), manifestando o seu mais profundo arrependimento:

     – Eu pensei que o coitado do rapaz estava querendo fazer alguma safadeza com a minha filha. Essa menina é muito escandalosa! Fazer um escândalo tão grande por causa de um peido!…

 

 

“Ventos” suspeitos

 

     De uma hora pra outra, o ânus do corretor de seguros Magnaldo Fraga começou a ficar folgado, quer dizer, não segurava mais os gases no tubo digestivo. Aí, ele apavorou-se e procurou o doutor Nilton Jorge Melo e narrou o seu drama. Explicou que lidava com pessoas importantes e era desagradável ficar o tempo todo peidando, embora as suas “liberações anais” não cheirassem mal, nem fizesse barulho.

     Niltão passou um remédio e, dias depois, Magnaldo voltou ao consultório do caraquíssimo esculápio:

     – Doutor, o senhor está querendo acabar comigo! Antes, os meus “puns” não fediam, agora são podres!

     E o Niltão, tranquilo:

     – Agora, você toma este outro remédio, porque o seu nariz eu já curei. Agora, vou cuidar do seu ouvido!

 

 

Recital estrondoso

 

     A educadíssima e bem comportada pianista Candelária Ambrósia, se achava no teatro ensaiando para o recital que faria à noite. De costas para o auditório, que imaginava estar vazio, ela se viu à vontade para soltar um “pum”, afim de aliviar os intestinos dos gases acumulados. O “pum” saiu sonoro, mas Candelária não se importou porque julgava estar sozinha. Tocou mais uma música e logo liberou outro “ventinho”, mais barulhentozinho ainda, tipo rajada de metralhadora. Minutos adiante, depois da quinta música, e moça abriu de vez: “Prááááátátátááááá… O negócio foi tão violento que ela própria assustou-se. Nesse momento, percebeu lá num canto do teatro havia um sujeito sentado. Ficou meio embaraçada e, toda sem jeito, perguntou ao referido:

     – Aahhh… o senhor está aí há muito tempo?

     E o cara:

     – Desde o primeiro peido, senhorita!

 

 

Mulher despropositada

 

     Por acaso, o Baunílio Azevêdo encontrou-se com o advogado Cordeiro Lima numa tarde de jogo, no Trapichão. Aí, foi direto:

     – Que bom encontrá-lo aqui, doutor! Estava pensando em procurá-lo em seu escritório…

    – E por que não foi ainda, meu amigo?

    – Por causa daquela escadinha invocada, que a gente tem de subir. É de dar nó na coluna, doutor!

    – Eu não acho. Mas, me diga… qual é o seu problema?

    – Estou querendo me divorciar da Neosaldina. Ela é maluca, doutor! Está sempre fazendo tricô!

    – Mas isso não é motivo para divórcio, rapaz! Milhões de mulheres casadas fazem tricô!

    E o Baunílio:

    – Enquanto transam?

 

 

A “gracinha” reconheceu!

 

     Eutórpio e Nauselina estavam divorciados cerca de dois anos, mas continuavam se falando como bons amigos. Um dia, ele sofreu um acidente de carro e quebrou os dois braços. Pelo telefone, contou o problema a ex-mulher que, penalizada, se dispôs a dar uma mãozinha pra ele.

     Hora do banho. Eutórpio acomodou-se na banheira e Nauselina começou a esfregar as suas costas com sabonete. Em seguida, esfregou a cabeça, o pescoço, os braços e o sovaco. Depois, o peito e foi descendo até o umbigo.

    Neuselina esfregou a barriga do ex-marido com extremo zelo. Continuou o serviço, descendo a mão mais e mais. Até notar que o cara começou a se sentir como nos velhos tempos.

    Emocionada, Neuselina apontou para a prova dos sentimentos e disse, com lágrima nos olhos:

    – Olha que gracinha, Eutórpio! Elezinho ainda me reconhece!

 

 

Um filho muito querido

 

     Dona Prolactina Bicalho recebia em casa uma candidata ao emprego de doméstica. Tratava-se da Eucalina, uma gorda muito despachada.

     Munida dos cuidados necessários, Prolactina começou a sabatiná-la:

    – Por que você deixou o seu último emprego, minha filha?

    – Fui despedida!

    – Despedida? Posso saber por quê?

    – Porque eu não quis mais dar banho no filho da ex-patroa.

    E Prolactina, repreendendo:

    – Ah, minha filha, você agiu muito mal! Dar banho no filhinho da patroa também faz parte do seu serviço.

    – Mas num marmanjo, dona?

    – Marmanjo?!

    – Sim, senhora. Eu tinha de dar banho no Carlinhos todas as manhãs, antes de ele ir pro quartel!